Quando não se sabe como responder, porque se desconhecem os assuntos, ou porque, pura e simplesmente, não se descortina qualquer solução para os mesmos, há quem prefira assumir a sua arrogância, dizendo que os outros estão mal informados, ou, pior ainda, classificando as outras opiniões de disparates… profundos disparates!
Antigamente, coleccionavam-se selos, moedas ou postais. Hoje, coleccionam-se… disparates!
De uma das melhores colecções faialenses, destaco alguns dos mais notáveis, que, para mim, elucidam o caricato do nosso quotidiano, do logro em que vivemos:
– Depois da aprovação de um Plano de Urbanização, que deveria ter uma ideia para a cidade da Horta, nada mais oportuno do que a Edilidade / UrbHorta lançarem o concurso “Uma ideia para a Horta”. Afinal, o que planearam e pagaram, durante 10 anos? Nada se aproveitou?
– O PROTA é um “excelente” documento, cuja qualidade não pode ser posta em causa, por referir que “podem” existir “eventualmente” plataformas logísticas em Ponta Delgada e Praia da Vitória… Será que agora se aprovam projectos com erros? Ou será que não sabem que uma só peça de fruta podre, contagia e estraga a melhor salada de frutas?
– Depois de anos a trabalhar “orgulhosamente sós” nas novas células e na requalificação do nosso “aterro sanitário”, designadamente no último quadriénio PS-CDU, chegaram a duas brilhantes conclusões: Afinal, o que temos é uma “lixeira controlada”, e não precisamos de nenhum aterro, desde que reciclemos a 100%… Bravo, com este tiro de “pressão de ar”, “matou-se” dois incómodos, com a ajuda de…Álamo, e da sua “Azorina”!
– Com o mesmo “estalar de dedos” se poderia resolver o problema do trânsito e da falta de estacionamento… Se não houvesse automóveis, ou se as ruas forem pedonalizadas… Para que serviriam os parques de estacionamento? Para nada, já que o nosso problema sempre se “resumiu” a 5 minutos, ou a 200 metros!
– Para que serviria a “Cadeia” da Horta, se a ilha não tivesse delinquentes? Bravo, excelente raciocínio à boa maneira do “ovo de Colombo”… E se os aviões fossem menores? Não necessitaríamos de um aeroporto maior! E se temos menos barcos, para quê lutar pela Estação da Rádio Naval no Faial? E assim sucessivamente…, até termos a dimensão que os outros querem, que lhes convém que o “Faial dos Pequenitos” tenha…, o que, diga-se em abono da verdade, daria um belo argumento, em hilariantes quadros de revista para a próxima peça do Carrossel “O João é de Olhão, mas joga no Micaelense!”;
– E como a boa conversa portuguesa tem sempre o mesmo fim…, relembro que, numa das últimas edições do nosso maior “arraial” – a Semana do Mar, houve um visitante que teve a ousadia de dizer que, junto a um restaurante “obrigatório”, tresandava a mijo… ao que, prontamente, lhe foi dito que a culpa era da falta de chuva… Brilhante, e basicamente “correcto”, se considerarmos a falta de saneamento básico!
LA PALISSE!
Fico ainda aparvalhado, quando leio as seguintes respostas do nosso Edil:
“O Campo de Golfe é uma dificuldade em que temos que lutar para a conseguir ultrapassar”; No Saneamento: “Nós devemos ir até onde pudermos ir”, ou “Claro que se as obras não se concretizam ou são faseadas demoram mais tempo”; No Porto: “Só o futuro poderá responder a essa pergunta”; No Aeroporto: “Neste momento apenas posso dizer que estamos a aguardar a privatização da ANA”; Bonitas e profundas frases, mas sem… conteúdo!
Lamentavelmente, estes assuntos não mereceram a devida atenção e a importância que deviam, certamente por falta de tempo, já que 46% do tempo da entrevista foi ocupado a falar da “vida alheia”, daquela Câmara que não é a sua… a Câmara do Comércio e Indústria da Horta, a criticar as opções da maioria dos seus associados e dirigentes do passado…, já que, no presente, são só cravos e rosas nesta nova e apaixonante relação de parceria em… “união de facto”.
REVELAÇÃO
A História encarregar-se-á de compilar, para memória futura, os disparates, os bluffs e a incompetência que têm caracterizado o nosso presente, onde a irresponsabilidade, a mentira e a impunidade imperam, apesar dos responsáveis se passearem de cravo ao peito…, certamente num acto de “mia culpa, mia tan grande culpa”.
Fartos de viverem neste disparate presente, há quem procure iludir-se, e refugiar-se num futuro virtual, tentando adivinhar 2012…
Adivinhar o futuro tem dois objectivos: tentar fazer esquecer o passado, e desviar o interesse do presente, desta crise em que, alguém, inadvertidamente, ou por pura ignorância e incúria, nos mergulhou…, não só internacionalmente, mas, e principalmente, nacional, regional e localmente.
Como adivinhar o futuro alheio, se nem sequer conseguem acompanhar o seu presente “dentro de portas”?
Como é que um jovem “ponta de lança” socialista poderá querer adivinhar o futuro do PSD, se não consegue enxergar “um palmo à frente do nariz”, no passado recente do PS?
Como poderá querer adivinhar qual será a lista dos candidatos do PSD em 2012, se ainda vivemos no rescaldo das inexplicáveis trocas e baldrocas da lista do PS de 2008?
Ou será que pensa que os Faialenses já se esqueceram que, da lista do PS de 2008 à Assembleia Legislativa Regional, o nº 1 bateu com a porta, o nº 2 trocou a ilha pela região, a nº 3 preferiu um cargo dirigente mais confortável, e foi necessário a nº 4 regressar “às pressas” de além-mar, para “calafetar” tamanho naufrágio… Inesquecível, este recorde do PS!
Em 2012, a lista do PS será provavelmente encabeçada pelo actual Edil, já em rodagem…, e que, deixando na Câmara um rasto de vários milhões de passivo, receberá o justo tributo pela sua “intransigente” defesa dos interesses do Faial, conforme é habitual e de bom tom, em casos desta natureza…
Mas, que eu saiba, o futuro (ainda) a Deus pertence!
A não ser que já exista na terra, alguém que se julgue estar… “possuído”!
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