A charlatanice política de Vasco Cordeiro

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Fiquei verdadeiramente espantado com o crédito político que alguns analistas e observadores políticos conceituados da nossa praça deram à Moção Global de Estratégia “Pelos Açores Com os Açorianos”, que Vasco Cordeiro apresentou no XVII Congresso Regional do PS/Açores.
Depois de seis anos no poder regional, Vasco Cordeiro tem um património político a nível do progresso dos mecanismos de autogoverno dos Açores, da melhoria das condições económico-sociais da população e do desenvolvimento económico dos Açores, que pode e deve ser classificado como uma verdadeira nulidade. Peço aos leitores que façam um esforço de memória no sentido de recordar uma única reforma ou logro importante dos governos de Vasco Cordeiro. Não conseguem, pois não? A verdade é que não é, pura e simplesmente, possível recordar algo que nunca existiu.
Vasco Cordeiro é um bluff político total. Não tem uma única ideia política relevante na cabeça. Vive de episódicos e espampanantes anúncios, que depois não concretiza por pura incapacidade política e negligência intelectual. A gestão corrente de Vasco Cordeiro é um desastre. É a antítese histórica do Rei Midas. O Rei Midas transformava tudo o que tocava em ouro. O “Toque de Cordeiro” acarreta outro tipo de transformação física: o apodrecimento acelerado dos objetos ou assuntos por ele tateados.
Ilustro a minha opinião com alguns exemplos. Vejam o estado atual da SATA. Vasco Cordeiro dedicou-lhe, para grande azar dos açorianos, alguma atenção enquanto Secretário da Economia (2008-2012) e Presidente do Governo Regional (a partir de 2012). Com o desvelo e a eficácia que caracterizam a sua ação governamental, Vasco Cordeiro conseguiu falir e instalar o caos na empresa. Ao longo dos anos em que lhe coube essa responsabilidade escolheu para liderar a empresa um turista político ocasional, “o melhor dos melhores” e agora um sincero administrador que confessa “não perceber nada do assunto”. Tudo isto é demasiado mau, mas ainda não é suficiente mau para uma grande parte dos eleitores.
Outro exemplo. Vasco Cordeiro anunciou, na defunta Moção Global de Estratégia de 2016, que “o PS deve liderar um debate na Região que leve a um acordo alargado com vista a assegurar uma reforma de ensino que dure pelo menos, nos seus traços mais importantes, como a definição de percursos escolares, de programas, metodologias de ensino e de métodos de avaliação de alunos e professores, os 12 anos correspondentes ao ensino obrigatório no nosso país.” Existiu algum acordo? Existiu sequer algum debate sobre o assunto? Como é evidente, tudo o que Vasco Cordeiro escreveu sobre este assunto não era para levar a sério. É pura charlatanice. A verdade é bem diferente. Na educação, o PS/Açores impôs reformas ruinosas que, na sua grande maioria, aprovou sozinho no Parlamento dos Açores.
Existem centenas de vigarices deste tipo ao longo da Moção Global de Estratégia de 2016, que pelos vistos ninguém se deu ao trabalho de analisar.
Assim se chega ao mais recente número de ilusionismo político de Vasco Cordeiro. Diz ele que quer acabar com a proibição de partidos regionais. Pura charlatanice! A verdade é que o PS/Açores chumbou, há poucos meses, uma proposta do PPM que visava esse mesmo propósito. A incongruência é gritante.
O resto da Moção de Vasco Cordeiro é um exercício de puro vampirismo, oportunismo e parasitismo. A proposta de criação das listas eleitorais abertas é da autoria do PPM. A criação de um círculo eleitoral próprio para as eleições europeias é do CDS/PP e assim sucessivamente em tudo o que foi apresentado como novidade por Vasco Cordeiro.
Vasco Cordeiro não tem nenhuma ideia política minimamente articulada e não tem soluções para os grandes problemas dos Açores. Vive das ideias dos outros. Mas desenganem-se os que pensam que ele fará algo para concretizar seja o que for. O seu propósito é meramente tático e cosmético. Quer parecer, não quer fazer. É a tudo isto que eu chamo charlatanice política.

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