Início Artigos de opinião Armando Amaral a Espalamaca e o Ora-bolas

a Espalamaca e o Ora-bolas

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O “Ora-bolas” era (ou é) um automóvel gozado por suas linhas algo divergentes: a frente até sugestiva, mas atrás, uma grande decepção.

Sua passagem pela baixa da Horta era sempre motivo de risota, não me lembrando de alguma vez ter visto tal espécime em Angra.

Talvez tenha até inaugurado algum museu de coisas extravagantes, que bem se poderia chamar de “Ora-bolas”.

Findo este intróito desopilante, já que o assunto é sério.

Após anos poisada no Cais da Madalena, em lenta morte, desde a chegada dos agora também idos Cruzeiros, vindos pela mão do saudoso picoense Dr. Tomaz Duarte Jr., então Secretário Regional, uma esperança surge na gente do Triângulo, sobretudo na do Canal.

Essa esperança sucedeu quando na Casa da Democracia na Horta (deva-se frisar) foi aprovada por unanimidade a proposta de Resolução do CDS-A, apresentada pelo dinâmico Presidente Artur Lima, referente à recuperação e navegabilidade da ESPALAMACA, símbolo das Lanchas do Pico.

Embora tratando-se de uma aspiração das populações das três ilhas, a que não são alheias as restantes, aliás bem patente na votação por unanimidade, repita-se, apenas o “Jornal do Pico”  se referiu à oportuna iniciativa dos democrata-cristãos açorianos.

Todavia, só três anos depois é que o Governo Regional avança com a recuperação, já em curso nos conhecidos estaleiros de Santo Amaro do Pico, a cargo do perito mestre João Alberto, que tudo está a fazer para que volte ao mar, fim primeiro de qualquer embarcação , aliás como consta da proposta aprovada.

ESPALAMACA Em viagem histórica, da Madalena para estaleiros de Santo Amaro do Pico

Mas pasmece: parece que seu fado é continuar em seco, desta feita em museu, o que nem queremos acreditar; se assim vier a ser, pelo menos que seja em requintado ambiente, como o Palácio da Conceição em Ponta Delgada, para uma “morte assistida”, como está na moda.

É que também não queremos acreditar que os responsáveis não sejam sensíveis à grande decepção que causaria nas populações do Grupo Central por não voltarem a admirar a ESPALAMACA, facto que só agora aparece na comunicação social.

A propósito, referir-me-ei sucintamente ao muito que tenho lido, começando pelo Tribuna das Ilhas:

Em “Ressuscitou a Espalamaca”, Eduardo Sarmento não esconde desapontamento ao constatar não há aqui uma perspectiva de “ressurreição”, mas apenas o doloroso “embalsamar”, numa “iconização barata”.

Por sua vez, o Diário Insular dedica Editorial: “Os Barcos morrem em terra”, esclarecendo o redactor tratar-se de opinião de mestre João Alberto, (.atrás citado) .

E o mesmo jornal, em 27 de janeiro, referindo-se a fins museológicos insere declaração do Director Regional da Cultura de que transcrevemos a passagem; “Quando fizemos a adjudicação, ficou claro que a recuperação seria feita da mesma maneira, fosse para navegar ou não. Seria sempre um trabalho bem feito. Agora duzentos e cinquenta euros para a motorização é um valor excessivo, a que teríamos de somar pelo menos o salário de um funcionário para desenvolver uma estratégia em torno da lancha”.

Ainda no considerado diário angrense o ilustrado Professor picoense Manuel Tomás publica dois interessantes artigos assaz favoráveis à navegabilidade da lancha em apreço, terminando o primeiro (23 Jan.):  “É que gostava de a ver a correr sobre a vaga outra vez entre o Deitado e o Em Pé, Ilhéus da nossa beleza, na Meia-Broa da saudade”.

Quanto ao futuro da ESPALAMACA, a navegar, com certeza, somos de opinião, alicerçada em 94 anos de vida, muitos a ver o Canal e a admirar as lanchas do Pico, de que Secretaria do Mar, DOP, Escola do Mar e também Turismo costeiro, são argumentos mais que suficientes para justificar a recuperação por inteiro da simbólica Lancha.

Aliás, como foi votado por unanimidade no Parlamento, e quiçá para combater subterfúgio surgido, os Democrata-cristãos voltam à Casa da Democracia, na Horta, para que seja posto o preto na branco.

(O autor não escreve ao abrigo do novo acordo ortográfico)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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