A eSPERa compensa?!

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Terminou no inicio desta semana a Comissão de Inquérito ao SPER (Sector Público Empresarial Regional).
Esta comissão, cuja iniciativa partiu do Grupo Parlamentar do CDS, foi facilmente acolhida pelos restantes partidos, uma vez que pairava desde há muito a suspeita acerca dos reais motivos para a proliferação de empresas na orla do Governo Regional.
À cabeça dessas motivações, estaria por um lado a possibilidade de contrair e ocultar dívida, e por outro a possibilidade de aparelhar o sector público com “boys e girls” do regime.
O PS, através de Francisco César, já veio aliás concluir desta Comissão de Inquérito, que “o SPER serviu para garantir emprego”. Referindo-se talvez à Conserveira Santa Catarina, mas certamente lhe fugiu a boca para a verdade e esta conclusão aplica-se ao SPER na sua generalidade.
A EspadaPescas, por exemplo, foi criada para gerir uma negociata entre Açores e Madeira para a pesca de atum (pelos Açores na Madeira) e de espada preto (pela Madeira nos Açores). A realidade levou a que fossem feitas várias safras de espada preto na nossa Região e que o pescado ficasse em entreposto frigorifico a apodrecer. Não foi garantido um circuito comercial que absorvesse este pescado, nem através do parceiro madeirense, nem através daquilo que qualquer empresa, que se digne desse nome, deveria fazer que é encontrar clientes e colocar produto.
E se por um lado se compreenderia que em algumas situações a gestão “independente” do Governo pudesse agilizar processos e trazer mais valias, uma vez mais a realidade impôs-se e mostrou que não houve mais-valias para a Região e que a maioria dos gestores destas empresas deveria ser processado judicialmente por gestão danosa ou pelo menos irresponsável.
O caso piora um pouco quando se criaram empresas que se substituem a organismos do Governo, como é o caso da SPRHI – Sociedade de Promoção e Reabilitação de Habitação e Infraestruturas que põe em causa a existência se uma Direcção Regional da Habitação e da SAUDAÇOR – Sociedade Gestora de Equipamentos e Recursos de Saúde nos Açores que nos faz questionar a existência da Direcção Regional da Saúde.
A SPRHI foi criada supostamente para gerir a reconstrução pós sismo de 98 no Faial, no entanto continuou a gerar dívida nos 20 anos seguintes…
A SAUDAÇOR, serviu para ocultar uma dívida colossal das contas públicas fugindo assim ao escrutínio que é feito na Assembleia Legislativa Regional e permitindo ao Governo propalar que tudo vai bem no reinado rosa.
Mas a SAUDAÇOR consegue mais! Consegue o ridículo de tentar inventar a roda… Um dos pressupostos desta empresa foi criar uma central de compras regional para produtos hospitalares, nomeadamente medicamentos, mas não só.
De forma breve e simplista, estas centrais de compras, normalmente, permitem uma economia de escala, concretizando-se num menor custo de aquisição para produtos de consumo comum às instituições de saúde regionais.
Ao nível do medicamento por exemplo, já existe a nível nacional a ACSS – Administração Central do Sistema de Saúde, que, por exemplo, permitia aos hospitais da região adquirir medicamentos ao preço de concurso nacional. Ora o catálogo regional, impõe-se ao nacional, mesmo que com preços piores e além de incompleto não salvaguarda um segundo fornecedor. No caso de o “vencedor” do concurso entrar em ruptura de stock, não há uma segunda opcção, obrigando ao recurso na mesma à ACSS ou ao ajuste directo, e neste último caso com os custos que isso acarreta. Tentaram “inventar” a roda copiando e ainda por cima mal!
De resto, pode concluir-se que o SPER serviu para a dança das cadeiras dos adidos políticos do regime, ou como sala de espera para outros vôos, como administrações de instituições mais sólidas, como hospitais, para o Governo e até para a Presidência da ALRA.
Para os afiliados do regime a eSPERa compensa!

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