No último artigo, referi que:
“A China compra mil e cem milhões de euros da dívida portuguesa… A TROCO da parceria em empresas e bancos portugueses, e, como qualquer sócio que compra acções de uma “empresa”, quer mandar e dirigir os destinos dessa empresa: Portugal.”
Hoje, vou desenvolver um pouco mais este tema, tentando “pôr a nu” a Estratégia Chinesa, que é a mesma dos grandes lobbies económicos, que não descansam enquanto não “limpam” o mercado, para depois se governarem, a seu belo prazer.
NO FAIAL
Certamente, todos os Faialenses se lembram do dia 21 de Novembro de 1998, em que ocorreu uma “revolução” que marcou definitivamente o comércio tradicional, designadamente, o alimentar.
Abriu o Hiper há muito desejado e reclamado pela grande maioria dos faialenses., que apelidavam os nossos comerciantes de gananciosos, de “ladrões”, de “parados no tempo”, de… inimigos do povo!
Fechou o Super Soares, e, mais tarde, o Super Primavera, ficando as restantes mercearias desertas.
Passada a exuberância dos primeiros dias e meses, o que poderemos dizer, passados alguns anos.
Primeiro injectaram o mercado com preços baixos, e, hoje, põe e dispõem da bolsa dos faialenses, uma vez que detêm o mercado, quase em regime de monopólio.
Será que o Faial ficou a ganhar em postos de trabalho? Não. Nem em número, e muito menos em segurança, uma vez que os antigos trabalhadores do quadro, deram lugar a contratos em part-time.
Será que o Faial ficou a ganhar em preço? De início, sim, mas foi “engodo” de pouca dura.
Será que o Faial ficou a ganhar em qualidade do produto? Se não se recordam do “antes”, e se não o conseguirem discernir ao percorrer os apertados corredores do “presente”, basta irem ao nosso Mercado ou à Madalena, e compararem a relação preço / qualidade.
Hoje, os Faialenses voltam a procurar as “nossas” mercearias e supers, e reclamam mais concorrência, melhor preço, e mais qualidade.
Será caso para voltar a perguntar, quem são “hoje” os verdadeiros gananciosos, “ladrões” e… inimigos do povo?
EM PORTUGAL
Há uma década, Portugal dava cartas em produção têxtil e em calçado, para já não falar na cortiça, no vinho, no leite, nas pescas…
Hoje, as fábricas foram deslocalizadas para a Ásia, face à concorrência desleal da mão de obra paga a “grão de arroz” (sem salários mínimos, sem 13º mês, sem férias, sem subsídio de Férias, sem horários de trabalho, sem seguros nem segurança social, e demais subsídios e regalias que nós tanto prezamos… para nós, claro!).
Onde “ontem” se percorria Portugal e se via a pujança da força da produção do vestuário e calçado, designadamente, no Vale do Ave (Porto / Braga / Guimarães), “Hoje “vêem-se as fábricas fechadas, abandonadas, vandalizadas e… milhares de desempregados.
Será que os portugueses ficaram a ganhar? De início, talvez, com o deslumbramento do Império do Sol Nascente, que depressa se pôs, deixando o pais às escuras.
Será que os portugueses ficaram a ganhar em qualidade do produto? O baixo preço nivelou a qualidade por baixo, com produtos de “usar e deitar fora”, que engrossam a reciclagem.
Será que Portugal ficou a ganhar ao abrir as portas à invasão chinesa? Perdeu empresários e trabalhadores portugueses que engrossaram as filas do desemprego e do estado social, e, consequentemente, perdeu receitas dos impostos e aumentou a despesa com mais subsídios.
E agora, o que fazer?
O Governo da República apela à produção nacional e às exportações.
Com que fábricas, com que empresários, com que equipamentos, com que trabalhadores, pergunto eu?
O Governo Regional apela à preferência dos açoreanos pelo que é nosso… Só agora, depois de adjudicar a Reconstrução e as Scuts a empresas exteriores… (mas isto abordarei noutro artigo).
ESTRATÉGIA CHINESA
E aqui vem ao de cima a verdadeira estratégia chinesa.
O principal objectivo da China, ao mandar por esse mundo fora os seus “exércitos” de comerciantes a soldo, não é a venda dos seus produtos a baixo preço, não é arranjar emprego para a sua população excedentária, muito menos oferecer algo de bom a esses países e povos, ávidos de fazerem “negócios da china”.
Os seus verdadeiros objectivos, que levaram anos a revelarem-se e a serem assimilados por países e povos, poderão resumir-se a três:
Primeiro: destruir a força produtiva da concorrência e aniquilar a economia;
Segundo: Adquirir dívidas de países, Know-how e fábricas por “tuta e meia”;
Terceiro: Ficarem com o monopólio dos mercados, impondo os seus produtos, de baixa qualidade a alto preço.
Este último e derradeiro objectivo de lucro final, após um “investimento” inicial, já pode ser confirmado nas lojas chinesas, que já vendem o produto chinês de inferior qualidade mais caro do que o produto nacional, de superior qualidade, à venda no comércio tradicional.
SOS
É neste quadro de desespero que Portugal procura reagir, apelando à produção, ao investimento, ao emprego, à preferência nacional, e à… exportação.
O motor da economia Portuguesa está “moribundo”, e agora tenta arrancar a frio…, mas está gripado!
Se é verdade que a base exportadora tem vindo a recuperar e a diversificar mercados, também é verdade que, hoje, Portugal não tem a antiga capacidade de produção , para satisfazer todas as encomendas.
Hoje, verifica-se em Portugal uma procura maior do que a oferta, e porquê?
Porque foram encerradas centenas de fábricas em Portugal, que hoje não se conseguem reactivar.
Porque milhares de trabalhadores qualificados emigraram, deixando para trás um pais à beira de um ataque de nervos, e cada vez mais pobre.
Hoje, as fábricas têm encomendas, mas não conseguem satisfazê-las, por falta de capital e equipamentos, por falta de trabalhadores qualificados e, mais grave, por falta de matéria prima nacional (a que existe é chinesa, sem qualidade e exageradamente cara).
Hoje, as lojas nacionais querem produto para vender, e não há quem o fabrique e forneça, em condições concorrenciais.
Soluções, para a saída da crise:
Mais emprego, com mais incentivos ao investimento nacional.
Mais produção, que terá de contar com a preferência dos portugueses, daí as campanhas “Made in Portugal” e “Compro o que é nosso” da AEP – Associação Empresarial de Portugal.
Mais exportação, única forma de voltar a fazer entrar dinheiro em Portugal, para podermos pagar o que “devemos” ao exterior.
Mais economia, que origina mais receita do trabalho e menores custos sociais do desemprego.
Em resumo: Mais Trabalho e Maior consciência nacional, darão, sem dúvida, maior riqueza e mais qualidade de vida para todos nós.
Assim o queira o povo português…, o açoreano…, e o faialense!
Sim, porque esta é uma tarefa de todos, sem excepção!
Contributos, para











