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A famosa “Estátua da Liberdade” esteve no Faial

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Quando olhamos para o mais emblemático dos monumentos americanos, que é a famosa Estátua da Liberdade, poucos de nós saberemos que o principal ex-libris de Nova Iorque passou aqui na ilha do Faial, em trânsito da França para os Estados Unidos. Esse acontecimento, ocorreu há 231 anos. É isso que nos dizem os jornais “O Fayalense” e “O Açoriano” do dia 1 de Junho de 1885 quando o navio de guerra francês Isére entrou no porto da Horta, proveniente de Ruão, para se abastecer de 180 toneladas de carvão e “para refrescar”. Esse barco era comandado por Mr. Lespinasse de Saune e a estátua ia “acondicionada em 252 volumes”.
Depois de aqui permanecer durante três dias – no decurso dos quais o vice-cônsul francês Rodrigo Alves Guerra obsequiou a oficialidade com “uma esplêndida soirée” – o Isére retomou, na quinta-feira, dia 4, a viagem para os Estados Unidos, transportando esse monumento colossal que a França ofereceu à América, como sua antiga aliada, e como recordação dos heróicos esforços de ambas as nações na Guerra da Independência.
Sabe-se que nessa luta de libertação do domínio inglês, os americanos foram auxiliados, sobretudo no período de 1776 a 1778, pelos exércitos franceses de Lafayette e de Rochambeau. Quando, volvidos quase cem anos, o grande escultor francês Bartholdi – que em virtude da guerra franco-prussiana se exilara nos Estados Unidos – teve “a ideia de consagrar por meio de um monumento imperecível a velha aliança da América e da França, os seus comuns e ilustres feitos de armas”, viu-a favoravelmente acolhida por muitos amigos franceses. Reunidos na “União Franco-Americana, publicaram em 1875 um apelo público em que, depois de recordarem que em 1876 “a América vai celebrar o centenário da sua Independência” e que a França “devia ali apresentar-se sob uma forma brilhante” ofertando, “em recordação do glorioso aniversário um monumento excepcional”, solicitavam de todos uma forte contribuição na subscrição pública que lançaram para a realização do grandioso empreendimento.
Avançada a ideia apenas a um ano do grande acontecimento que se festejaria a 4 de Julho de 1876, os promotores queriam celebrar com os seus “irmãos da América, a velha e forte amizade que uniu por muito tempo os dois povos”, e acreditavam que ainda iam a tempo de construírem, transportarem e erguerem essa estátua no meio da baía de Nova Iorque, “à entrada desse vasto continente, cheio de uma vida nova, onde aportam todos os navios do mundo”. Aí surgiria, “do seio das ondas”, esse monumento que representa “A Liberdade Iluminando o Mundo ”. A falta de meios financeiros não permitiu que a estátua colossal “participasse” nas festas centenárias da grande nação americana. Com uma década de atraso em relação ao programado, a Estátua da Liberdade foi inaugurada em 28 de Outubro de 1886 pelo Presidente Cleveland, classificada como Monumento Nacional em 15 de Outubro de 1924 e restaurada para a cerimónia que assinalou o seu primeiro centenário em 1986. A estátua representa uma mulher, com um facho na mão direita, simbolizando a Liberdade; as 25 janelas da coroa simbolizam jóias encontradas na terra e raios celestes brilhando sobre o mundo; os sete raios da coroa representam os sete mares e continentes do mundo; a tábua que a figura sustenta na mão esquerda tem a inscrição mítica de “4 de Julho de 1776”; no pedestal um poema apela: “venham a mim as massas exaustas, pobres e confusas ansiando por respirar a liberdade/ venham a mim os desabrigados, os que estão sob a tempestade/ eu os guio com o meu facho”. A estátua é feita de ferro e cobre, tem um peso que ultrapassa as 220 toneladas, foi desenhada pelo escultor Frederic Bartholdi, que contou com a preciosa colaboração do famoso engenheiro Gustav Eiffel. O que deveria ser um ícone franco-americano acabou por se transformar no símbolo de uma nação.
E a Horta, pela situação privilegiada do seu porto, está ligada a esse que é o monumento mais emblemático dos Estados Unidos da América.

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