Jardim Botânico do Faial 30 anos ao serviço da promoção da Flora natural dos Açores

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Trinta anos depois de ter sido fundado, o Jardim Botânico do Faial (JBF) tornou-se num dos principais agentes de promoção da Flora Natural dos Açores. Pioneiro na conservação de espécies e com um banco de sementes digno de referência, o espaço presta ainda um importante contributo científico, pedagógico e ecológico. É uma das principais valências do Parque Natural do Faial (PNF). 

Ao longo das últimas décadas o JBF tem sido alvo de diversas mudanças que o transformaram num local agradável e de beleza ímpar. Prova disso são os cerca de 7 mil visitantes que ao longo do ano por ali passam.
João Melo, diretor do PNF e Pedro Casimiro, coordenador do JBF, ofereceram ao Tribuna das Ilhas uma visita guiada pelo espaço que celebra o seu 30.º aniversário no próximo sábado.
 

 
O JBF foi fundado em 1986, por iniciativa do engenheiro Mário Ávila Gomes, acompanhado pelo arquiteto António Martins Naia, com o objetivo de criar um espaço “visionário” destinado à conservação de espécies da Macaronésia, explica João Melo, destacando a “visão” do engenheiro, numa altura “em que ainda não se falava da conservação da natureza nos Jardins Botânicos”. “Neste aspeto o JBF foi completamente pioneiro”, frisa.
Localizado numa antiga exploração agrícola de pastagens e pomares de laranjeiras da Quinta de São Lourenço, na freguesia dos Flamengos, o JBF ocupa atualmente uma área de cerca de 8000m2. 
“Em 1995 o engenheiro Ávila Gomes percebe que este jardim de baixa altitude não tem condições para conservar as espécies de média altitude e avança com o pólo de Pedro Miguel, a 400 metros de altitude”, conta João Melo. Com uma área de cerca de 60 000m2 destinada à recuperação de habitats e espécies caraterísticas da Laurissilva húmida e super-húmida, o novo pólo veio enriquecer o JBF.
“Quando João Melo assumiu funções, em 2001, o JBF teve um novo impulso no sentido de fazer cumprir o seu maior desígnio na conservação de espécies endémicas dos Açores, “que têm muito mais valor sob o ponto de vista, quer de conservação, quer de abertura ao público”, refere.
Em 2003, o JBF deu mais um passo importante na sua história com a criação do banco de sementes. Para João Melo, este foi “o grande passo que o JBF deu na conservação das espécies endémicas dos Açores a nível regional”, que revelou, mais uma vez, o pioneirismo da instituição. O JBF orgulha-se de possuir o primeiro banco de sementes selvagens dos Açores, um dos poucos que existem em todo o país.
O diretor esclareceu a este respeito, que “este banco de sementes parte de um projeto INTERREG criado em conjunto com o Jardim Botânico Canario Viera y Clavijo de Grand Canária e com o Jardim Botânico da Madeira”, no qual o JBF foi também convidado a participar.
Em 2007 o JBF sofreu a sua primeira reestruturação, com a abertura do atual centro de interpretação, que passou a dispor de Auditório, Herbário, Sala de Exposições, Biblioteca e uma Sala de Chá.
Mais tarde, em 2011, o centro voltou a sofrer intervenção, passando de 5600m2, para os atuais 8000m2. “Esta reestruturação permitiu melhorar as acessibilidades, a entrada de novas coleções, nomeadamente de invasoras e cultivares antigas”. Atualmente, e de acordo com João Melo, é possível aos visitantes do JBF “percorrer toda a história não só natural dos Açores, mas também agrícola, mantendo ainda as coleções de medicinais e aromáticas”.
Em 2013 foi criado um viveiro de plantas endémicas dos Açores, “que atualmente produz cerca de 30 mil plantas ao ano”, revela o coordenador.
Em 2015, a coleção de orquídeas do JBF foi sobejamente enriquecida pela doação de uma das maiores coleções da Europa, pertencente à família finlandesa Ranta. Em 2010 o JBF tinha já apresentado o seu primeiro orquidário, com cerca de 30 espécies de orquídeas do colecionador Henrique Ávila, também conhecido na ilha por Henrique Peixoto, cedidas pela Santa Casa da Misericórdia da Horta.  

 

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