
Ainda a propósito do nosso Aeroporto e, independentemente de questiúnculas partidárias, não podemos, ou melhor, podemos, mas não devemos, usar de todas as artimanhas e pressupostos, para defender as nossas verdadeiras motivações, e elas aparecerão, mais cedo ou mais tarde.
Numa recente publicação vi serem imputadas ao Presidente do Governo declarações, reportadas a 2012, que, na verdade, não correspondem à realidade, posso assegurar porque estava lá, da mesma maneira que estava em 2004, e nunca escondi o que lá se disse.
Vasco Cordeiro não assumiu nunca por si só, a execução das obras de ampliação do Aeroporto da Horta. O que constava no manifesto eleitoral apresentado tem sido aquilo que, na verdade, tem sido feito, assumido a defesa da ampliação, procurando influenciar o Governo da República, o anterior, da responsabilidade do PSD-CDS, que assumiu claramente a não execução, por escrito, através do Ministro e pelo próprio Passos Coelho, no Salão Nobre da nossa cidade, e o atual governo, do PS, sem resposta ainda às preocupações demonstradas.
Idêntica posição, assumiram, aliás, os candidatos do PSD nas eleições Regionais – Berta Cabral, em 2012, definia como prioridade a ampliação da pista do Aeroporto, algo que todos os Faialenses consideravam também como prioritário, e Duarte Freitas, em 2016, mostra-se disposto a “assumir a Liderança” de melhoria do Aeroporto da Horta.
Ora, mais palavra menos palavra, quais são as diferenças entre estes discursos? Qual deles diz “Vou construir”, “Vou ampliar”, “Vou fazer”? Pois é, nenhum.
Note-se que nenhum dos candidatos, mesmo dos restantes partidos, assumia a execução da ampliação da pista, remetendo, pelo contrário, para a responsabilização da ANA/Vinci, e para o contrato programa assinado.
Vasco Cordeiro assumiu, tal como os restantes candidatos a Presidente do Governo, desenvolver esforços e, neste particular, com as responsabilidades de um futuro Líder Regional, assumiu que o Governo, liderado por ele, estaria disponível para apoiar o Governo da República na realização desse investimento. Assumiu também que esse apoio não seria a qualquer custo, que deveria ser feita uma quantificação, de acordo com a solução que fosse encontrada, e associada a esses custos.
O mesmo, aliás, tinha afirmado, durante um debate parlamentar, onde se discutia a privatização da ANA, e na qual o PSD, contra todos os partidos lá representados, não assumia que a ampliação da pista devia ser implícita às obrigações do futuro concessionário, vá-se lá perceber a razão.
Na ocasião, Vasco Cordeiro, então Secretário Regional da Economia, assumiu, enquanto candidato a Presidente do GRA, de uma forma clara, que o seu compromisso não era substituir-se ao Governo da República, mas que o Governo por si liderado, estaria disponível para apoiar.
Aliás, na resposta ao requerimento dos deputados do PSD Açores, na Assembleia da República, era o próprio Ministro da Economia que salientava que “apesar destes valores (…instalações que registam uma ocupação de 10%… e taxa de ocupação média por aeronave que escala o Aeroporto da Horta de 65%…), o Governo dos Açores manifestou “disponibilidade para apoiar a expansão da pista” daquele aeroporto, tendo solicitado estudos que permitissem avaliar os custos da obra.
Infelizmente, os que sempre se escudaram no passado para acusar o presente, quando recordados destas e de outras questões, que pareciam querer esconder, ficam zangados e chateados, acusando de partidarismo, mas de um partidarismo que só o é, se for contra as suas palavras, ou pretensões, quando é a favor das suas ideias, aí já são os mais altruístas e defensores do povo.
Será que alguma vez se questionaram se o povo considera correto que se deixe passar as mentiras que foram ditas sobre tudo e sobre todos? Será que é mais importante, permitir que a propagação da mentira, prevaleça sobre a verdade? Eu acho que não.
O mais impressionante é que alguns dos atuais responsáveis políticos do PSD, estavam sentados, testemunharam e até participaram nas discussões tidas, interessante, não?














