A nostalgia do regresso a casa

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Após o início de cada ano civil, aguardamos ansiosamente pelo dia em que apresentamos aos nossos superiores o nosso mapa de férias, aqueles dias que pretendemos reservar no calendário para, sozinhos ou com a família, descansar ou passear, livres de compromissos e de horários pré-definidos.

São esses os dias em que alguns desejam partir da ilha para visitar a família na diásporaou pura e simplesmente ficar em casa. Outros procuram alargar os seus horizontes, sobretudo ao nível cultural e histórico, visitando cidades europeias ou portuguesas. E outros procuram ainda, apenas, descansar a bordo de um cruzeiro usufruindo de todas as comodidades fornecidas ou numa bela praia de areia branca por esse mundo fora.
Enfim, cada um à sua maneira e de acordo com as suas posses, procura gozar durante o ano uns necessários e revigorantes dias de descanso .É muito agradável quando entramos num avião da SATA e pensamos: “lá vamos nós para umas merecidas férias”.
É claro que, no regresso, temos o reverso da medalha.
Depois da experiência e conhecimento, por mais curta que seja, de novos locais, de novas culturas, de formas diferentes de pensar e tratar o cidadão e o visitante, da maneira diversificada de planeamento e infra-estruturação das cidades, a aposta cada vez mais nítida na sustentabilidade dos locais, o sentimento de nostalgia que se apodera de cada um de nós quando as férias chegam ao seu termo é por demais evidente.
Esse sentimento cresce quando aterramos no nosso belo aeroporto, ainda não ampliado, e começamos a viagem de carro para a Horta, que não nos vê há dias.
Deparamo-nos, de imediato, com a estrada que liga o aeroporto à cidade da Horta em muito mau estado, o que já sucede há alguns anos, e a necessitar urgentemente de ser reabilitada. Uma competência acometida ao Governo Regionalmas que por este tem sido descurada nesta ilha.
A chegar a meio do percurso, encontramos uma bifurcação e aí questionamo-nos se usamos a Variante à cidade, estrada recente e em bom estado, ou avançamos para o centro da cidade sempre junto ao mar. A melhor e a opção mais bonita, até porque ainda não está construída, nem se sabe quando avançará a 2.ª fase daquela Variante, obra muitas vezes prometida, mas sem nunca sair do papel e das promessas, é a estrada regional que circunda junto ao mar, apesar de os buracos continuarem em quantidade assinalável nesse lanço de estrada.
Notamos que, em salvaguarda do Ambiente, as nossas estradas ainda não espelham a proximidade das eleições autárquicas, pois não se vislumbram cartazes de propaganda de quaisquer partidos políticos. Todavia, tal facto significa um enorme atrasonos “timings” porcomparação ao que se verifica na maior parte das cidades do continente português, em que, em cada esquina, em cada poste, em cada outdoor e rotunda as caras dos candidatos autárquicos são uma presença notada e convivem diariamente com os transeuntes.
Chegamos à entrada da Horta e aí os edifícios abandonados são uma constante e fazem parte do nosso quotidiano há muito tempo, como que a mostrar ao cidadão que a tão falada e prometida reabilitação urbana pelo atual Elenco Camarário do Partido Socialista ainda não chegou a este lado da cidade, e quiça, porventura, a toda a cidade.
Naquele que é, sem dúvida, um dos locais mais importantes da ilha,pois é a porta de entrada, por terra, na nossa cidade, deparamo-nos com uma rotunda preenchida por enormes esferas brancas, que ofendem a vista e não encantam nem impressionam quem por ali tenta chegar à Horta.
Atravessando a nossa Avenida, envelhecida, antiquada e inalterada há décadas, mas que aguarda, segundo parece, apenas a sua 1.ª fase de requalificação, deparamo-nos com um dos mais recentes “exlibris” da ilha: a rotunda das mangueiras gota a gota e da selva botânica. Mais uma vez o mau gosto impera. E em vez de cativar quem por ali passa, só leva a que se fale mal. Como é possível que a cidade da Horta tenha uma rotunda sem nenhuma beleza?
É fundamental e urgente dar outra roupagem, embelezar, tornar extraordinária estas nossas entradas, de maneira a que quem por aqui entra para nos visitar, nunca mais esqueça emantenha sempre na retina esse momento.
Por isso, aquele sentimento nostálgico de que há muitos, muitos anos está tudo sempre na mesma, de que é sempre tudo igual nesta ilha,e que teima em se manter entranhado em muitos de nós, exige, impõe umanecessária Revitalização, uma obrigatória Mudança, que vire a cidade do avesso e lhe aponte o caminho do futuro, do progresso e do desenvolvimento e não a manutenção do passado.

 

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