Açores justificam estado de calamidade com situação no continente

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O responsável da Autoridade de Saúde Regional dos Açores justificou hoje a prorrogação do estado de calamidade nas ilhas Terceira e São Miguel com a situação epidemiológica da covid-19 em Portugal continental.

Importa lembrar que a situação epidemiológica, neste momento, em território continental é preocupante, derivado aos ‘clusters’ que foram identificados”, avançou, alegando que a região tem de adequar a sua situação para “ter capacidade de resposta a qualquer eventualidade que advenha dessa situação epidemiológica a nível nacional”.

Tiago Lopes, que é também diretor regional da Saúde, falava, em Angra do Heroísmo, num ponto de situação sobre a evolução da pandemia da covid-19 no arquipélago.

A resolução de Conselho de Governo, que aprova as medidas de desconfinamento na Região Autónoma dos Açores para o mês de junho, publicada hoje em Jornal Oficial, prevê “a prorrogação da declaração da situação de calamidade pública, nas ilhas de São Miguel e Terceira, até às 00:00 horas do dia 15 de junho“, no âmbito do Regime Jurídico do Sistema de Proteção Civil da Região Autónoma dos Açores.

Estas duas ilhas são as únicas que mantêm ligações aéreas para o exterior da região, através da TAP, e a companhia aérea açoriana Azores Airlines só retomará ligações ao exterior do arquipélago, para estas duas ilhas, em 15 de junho, e para Faial e Pico, em 22 de junho.

As ilhas Graciosa, São Jorge, Pico e Faial, passam de situação de contingência para a situação de alerta, enquanto as ilhas de Santa Maria, Flores e Corvo, onde não se registaram até ao momento casos da covid-19, se mantêm em situação de alerta.

O executivo açoriano autorizou, no entanto, a reabertura de vários espaços, como ginásios e salas de espetáculos, e a retoma das viagens interilhas, deixando de exigir a realização de 14 dias de isolamento profilático aos passageiros que aterrem na região, desde que façam testes à covid-19 à chegada (caso não o tenham feito com 72 horas de antecedência) e aos 5.º e 13.º dias, a contar do primeiro teste.

Questionado sobre o motivo do levantamento destas restrições, nesta altura, Tiago Lopes disse que a Autoridade de Saúde Regional está a seguir as recomendações da Organização Mundial da Saúde e do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças, fazendo “uma vigilância e monitorização constante, atenta e alerta à livre circulação de pessoas”.

“Para fazer face àquilo que é a situação epidemiológica em território continental existem procedimentos que estão em vigor e foram contemplados na resolução do Conselho de Governo e confiamos que essas medidas, que foram definidas, irão ser suficientes para novamente voltarmos a identificar e despistar eventuais casos de infeção pelo novo coronavírus que cheguem à região e depois encetar os devidos procedimentos caso assim possa vir a acontecer. E é normal que eventualmente possa vir a acontecer”, apontou.

O responsável da Autoridade de Saúde Regional sublinhou que este é “o momento certo para flexibilizar e abrir mais a atividade“.

“Temos dois casos positivos ativos em São Miguel, perfeitamente identificados e perfeitamente circunscritos. As restantes ilhas não registam casos há vários dias, os casos positivos ativos que existiam recuperaram. Neste momento, é a altura certa para levantar algumas das medidas e permitir, na circulação interilhas, que se faça de um outro modo”, reiterou.

Tiago Lopes explicou ainda que a realização de testes à covid-19 só é exigida aos passageiros que cheguem de fora do arquipélago.

“Quem circule interilhas não tem de fazer nenhum teste para poder circular, não tem de pedir autorização para poder circular. Quem chega do exterior é que efetivamente tem de trazer já um teste consigo previamente ao embarque ou, se não o tiver, ter de o realizar aqui na região”, afirmou.

Os Açores não registam novos casos positivos de infeção pelo novo coronavírus há 11 dias e têm atualmente apenas 205 pessoas em vigilância ativa.

Das 1.459 pessoas que se encontravam hoje a aguardar colheita de amostra ou resultado laboratorial, apenas oito eram casos suspeitos, sendo as restantes integradas em rastreios.

Desde o início do surto foram confirmados 146 casos da covid-19 nos Açores, dos quais apenas dois estão atualmente ativos (na ilha de São Miguel), tendo ocorrido 128 recuperações (em seis ilhas) e 16 óbitos (em São Miguel).

A ilha de São Miguel é a que registou mais casos (108), seguindo-se Terceira (11), Pico (10), São Jorge (sete), Faial (cinco) e Graciosa (cinco).

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