Aeroporto da Horta

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No ano que recentemente terminou, o Aeroporto da Horta voltou à baila na comunicação social. Não só pela discussão e aprovação do Plano e Orçamento 2017 (PO) na Assembleia Legislativa, com o habitual “sacudir a água do capote” dos principais partidos, mas sobretudo devido à audição de individualidades na Comissão de Economia sobre as 2 petições referentes ao aeroporto da Horta e do Pico. Acresce a tudo isto a posterior conferência de imprensa do Grupo Aeroporto da Horta.
Na discussão em plenário do PO foi mais do mesmo, o habitual passar de culpas, com os argumentos de sempre e de todos conhecidos. Qualquer pessoa minimamente esclarecida percebe que se este processo não andou, foi por responsabilidades políticas de vários partidos e intervenientes. Tal discussão serviu apenas para deixar claro qual a solução concreta apontada pelos deputados do PSD Faial, uma vez que até aqui tudo o que tinha lido se centrava em apontar culpas. Ao que parece a solução passava por aprovar uma verba de 150 mil euros para elaborar um projeto! Mas fico com a ideia que a mesma só serviu para fazer uns títulos sensacionalistas a dizer “PS chumba propostas do PSD/Faial para ampliação da Pista do Aeroporto da Horta” (o que o PS-Faial não se importou em contestar, sem sequer se dar ao trabalho de explicar o sentido de voto em plenário). O que faltou dizerem é o que faziam com esse projeto: avançavam sozinhos ou seria apenas para entregar à empresa ANA e ao Governo da República, como já fez o Presidente da Câmara? A resposta é evidente! Em todo o caso, o que achei pertinente foram as audições e pareceres na Comissão de Economia, bem como a conferência de imprensa do Grupo do Aeroporto da Horta. Com base em ambas ficou claro que alguém fez o seu “trabalho de casa”, ficando no ar algumas perguntas por responder.
Oportunamente, o porta-voz do grupo do Aeroporto da Horta apontou as diferenças de tratamento das duas petições. Questionava o porquê da utilização de critérios diferenciados, uma vez que para o aeroporto da Horta foram solicitados 7 pareceres e para o Aeroporto do Pico 13, ficando sem se perceber a que título algumas entidades foram convidadas. Para além da pertinência do tema, foi positivo ver a neutralidade demonstrada ao referir que, quer PS quer PSD, tem ambos culpas no cartório, referindo mesmo que no passado “Carlos César prometeu e não cumpriu e Passos Coelho poderia ter resolvido o problema aquando da concessão da ANA à VINCI”.
Qual não é o meu espanto quando veio a saber-se que a diferença de critérios se devia exclusivamente ao PSD, uma vez que todos os partidos solicitaram os mesmos pareceres para as duas petições, exceto o PSD que, vai-se lá saber porquê, solicitou mais para o Pico (favoráveis a esta pretensão) em detrimento do Faial.
Mal é dada esta resposta, os deputados do Faial do PSD tentaram virar o bico ao prego e solicitam mais pareceres/audições, o que não deixa de, no mínimo, colocar algumas interrogações à atuação do seu partido.
Mas como já escreveram destacados representantes do PSD-Faial, mais do que apontar culpas passadas, que efetivamente todos têm, o que importa é demonstrar a união dos Faialenses e representantes políticos sobre este tema, centrando no presente e no futuro.
Pensando nos protagonistas do presente, uma coisa é certa: Vasco Cordeiro no passado e até agora, o que sempre disse foi “Os faialenses podem contar com o próximo Gov. Regional (..) para apoiar o Gov. República na concretização do investimento”. O que na realidade é mais ou menos o que todos os partidos referem. Pugnar pela realização da obra junto do Governo da República e da empresa ANA. Podemos é todos opinar se podia ser mais ou menos assertivo.
Mas o que não me sai da cabeça, foi ficar a saber que o atual líder do PSD-Açores, Duarte Freitas, já referiu, no tempo em que era apenas deputado, “Em relação ao aeroporto do Pico, eu defendo e sempre defendi, já de há muito anos, que sejam feitos os investimentos necessários para que sirva à ilha, mas não só a ilha, para que possa servir eventualmente o triângulo como o ÚNICO espaço que tem capacidade para ter um aeroporto em condições para tipos de aeronaves que se calhar em outras ilhas do triângulo, mesmo com aumentos, não poderão ter.” 

(Continua num próximo artigo…)

 

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