Agora, a Marina !.

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Em princípio da década de 30, estava eu no Liceu, à Conceição, quando assisti, já informado, à chegada de desejada draga que, durante anos, fora ponto de honra para os dois lideres partidários, mesmo depois do 28 de Maio.
Assim, mal foi avistada na ponta sul do Pico, começou autêntico festival de foguetes lançados da Espalamaca e dos montes Carneiro e da Guia, por adeptos do Doutor Neves, ex-Governador Civil mas com influência ainda no Terreiro do Paço, levando assim a melhor ao Doutor Serpa.
Recorde-se que, nessa época, no Faial, os foguetes eram sinal de que, politicamente, algo assaz importante havia acontecido.
Terá sido a primeira vez que vi o Porto por outro prisma, já que até então só pensava nos banhos de mar com os amigos, não pensando que, esse grande areal de que tanto gostávamos, constituía um sério prejuízo.
Passei a entender as pragas que ouvia contra o Engenheiro micaelense que havia projectado a doca para que fosse mais pequena do que a de São Miguel.
Estava-se no tempo da navegação a vapor em que a Horta ainda dava cartas: os Armazéns da Fayal Coal e da Bensaude são testemunho das frequentes escalas pelo Faial da navegação entre a Europa e a América e o Porto da Horta pedia meças ao de Ponta Delgada, mesmo reduzido pelo assoreamento e à deficiente doca.
Em fins da primeira metade do século 20, realizou-se em Ponta Delgada uma Conferência Açoriana com a participação dos Governadores dos três Distritos Autónomos e principais Chefes de Serviço e representantes da Imprensa.
O Eng.º Ângelo Corbal, Director das O.P da Horta, na sua oportuna e competente intervenção sobre o Porto faialense, disse que a solução começaria pelo impossível, isto é, a sua destruição.
Como leigo, deveria estar calado, mas mais uma asneira entre tantas ouvidas vou avançar com mais umas linhas acerca do portinho que até veio dar outro movimento à cidade.
Dizem que terá dado origem a agitação do mar no fundo sul do porto, como também entidades responsáveis e oficiais são de opinião de que a solução possível terá consequências negativas na Marina norte.
É na verdade, o que agora faltava aos faialenses.
E, em justificada reacção, as queixas do Povo voltaram: com o pequeno porto, na Alagoa, e agora com a Marina, internacionalmente grande.
Por sinal, a identidade dos respectivos projectistas, fazem lembrar a história do cordeiro e o lobo: Se não foste tu, foi o teu pai…
Dar cabo o que de melhor resta ao Faial, nem ao diabo lembrava!.
Que deitem abaixo o molhe da Alagoa, se tal for solução quiçá não pensada.
Mas que deixem em paz a segunda Marina Europeia e a quarta mais frequentada do mundo, facto que até parece nada dizer aos governantes de São Miguel que só têm olhos para as Portas do Mar.

 

DR

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