Ana Paula Goulart apresenta “Cordas de Areia”

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TI/JPP

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Natural da ilha do Faial, a escritora Ana Paula Goulart, lançou a segunda obra da sua bibliografia, um ano após o lançamento do seu primeiro livro “Nem Tudo no Mar é Água”, publicado em junho do ano passado.

O lançamento do livro teve lugar no Auditório da Biblioteca Pública e Arquivo Regional João José da Graça, no passado dia 4 de agosto e contou com a apresentação de Adélia Goulart e de Vítor Rui Dores.
“Cordas de Areia” é um livro de encontros e de reencontros, onde “temos a nossa menina de volta”. Na apresentação, Adélia Goulart, irmã da autora e responsável pelas fotos de capa das duas obras, refere que esta “continua a sua viagem salpicada de emoções fortes”, um mote que remete para a anterior obra da autora.
O leitor, caso tenha lido a primeira obra da autora, continuará a percorrer as “Ilhas Caganitas”, navegando pela “Terceira Ilha”, para depois se perder no fundo de armários e esconderijos secretos, escondidos atrás dos grandes aparadores.
Adélia Goulart concluiu a sua apresentação dizendo que o leitor, “por tudo perceber, pois é o único que recachava a cabeça da menina, é capaz de gostosamente descodificar os mal-entendidos e dar sentido as situações de non sense, compreendendo a lógica de uma, e as perplexidades dos outros.”
O livro “é uma invocação simbólica, em tom de parábola, encastoada em três momentos distintos da narrativa principal como se um devaneio se tratasse e termina com um voto do homem da baía dirigido aos vindouros, desejando-lhes ali, melhor sorte do que a que teve”, frisou.
Victor Rui Dores, começou a sua intervenção louvando a Biblioteca Pública e Arquivo Regional João José da Graça, considerando-a como o “único sítio do Faial que dialoga com a contemporaneidade”, assim como otrabalho da companhia editorial, responsável pela edição desta obra, “Companhia das Ilhas”.
“Sair da ilha é a pior maneira de ficar nela”, uma frase do escritor Daniel Sá, que “nunca como agora” lhe pareceu tão oportuna, afirmou Victor Rui Dores um dos responsáveis pela apresentação.
Segundo o professor, a autora “ao regressar pela escrita à ilha, busca nela a harmonia e a unidade original, porque na ilha está o encanto da infância e da adolescência, enquanto paraísos irremediavelmente perdidos”.
De acordo com Dores a ilha é, para a autora, “o epicentro do seu imaginário” e para ele o fator diferenciador, é o facto de o protagonismo estar na criança e nos seus pontos de vista e maneira de ser, fugindo à habitual colocação da criança como a terceira pessoa.
Para o escritor e professor, este livro é um “lugar de confronto, denúncia, verdades ilusórias, renúncia às mascaras do quotidiano” e apresenta-se como uma “catarse” que “interpreta os acontecimentos à sua maneira, pelo pensamento da criança, e questiona os mitos do passado e as mitologias do presente”, sustentou.
g

 

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