José, querido amigo, há muito que devia ter escrito a agradecer as palavras carinhosas de elogio referentes às minhas crónicas neste jornal. Não merecia tanto, sinceramente! Muitas pessoas amigas e conhecidas tÊm mostrado reconhecimento pelos meus rabiscos, mas você, José, teve a coragem de colocar no papel os seus sentimentos generosos, dando- lhes talvez um valor acrescido. Você que é uma referência, uma enciclopédia, elogiar-me, é o máximo!
Quando leio as crónicas que você envia para o ILHA MAIOR, bastas vezes fico pensando: as coisas que ele sabe! Aquela história da base das Lajes, não sabia da missa a metade! E fico perturbada!
Sabes, José, escrever para nós é uma coisa, escrever para plantar num jornal é um bico d´obra, porque algo que se escreve, sai de nós é um pedaço do nosso sentir, do nosso querer, da nossa maneira de ver as coisas, das nossas certezas e incertezas. Até as nossas vaidades estão ali pespegadas. E as nossas verdades lá também a céu aberto. E o público lê. E fica conhecendo as nossas loucuras, as nossas idiossincrasias. Procurando os esconderijos atrás das palavras. Enfim, pode ser bom e pode ser ruim.
E finalmente, como é o caso, tudo isto visto ou lido à lupa por alguém inteligente, feito você, você que teve a coragem de aplaudir publicamente é muito importante. Mas perigoso. Porque para além de ter descoberto o segredo do tal refúgio, as metáforas, o restinho disto e daquilo nas entrelinhas, os deslizes, a procura de atingir uma certa essência, confesso que acho que isso seja preocupante.
É como chegarmo-nos frente a um espelho que não perdoa. Tanto pode oferecer imagens reais, como não se incomoda em devolver imagens deturpadas, desarrumadas, loucas, horríveis! Um espelho de feira, que está ali para alegrar e entristecer!
E porquê este introito, José? Porque você possui por certo um espelho especial que é responsável pelo seu olhar sobre o que vê. E daí as suas palavras dirigidas a mim. E daí o montão de amigos que o rodeiam e confiam. Porque o seu espelho é certamente de cristal de Murano! No que me diz respeito, meus agradecimentos, do coração ! Com mais estímulo continuarei escrevendo, pensando nos leitores que, nas entrelinhas encontram as exclamações, as reticências, os porquês, os mas, os senão. E quantas vezes a verdade travestida para não a esparramar nua e crua!
São pessoas como você, que me tem entendido, procurando, elogiando, incentivando. E contrariando também. E ajuda muito. Porque fazem parte duma selecção de pessoas que considero muito cultas, inteligentes, bem formadas. Que não fingem. Nem mentem. Pão, pão, queijo, queijo! E é pensando nesses leitores que eu rabisco o que me vem à cabeça, desabafo talvez mais rudemente, sem inventar. Tudo tem uma razão, produto duma vivência, dum querer, dum gosto, dum desgosto, farelos duma vida…
Nunca pensei agradar a todos que me leem. Seria presunção a mais. A quem não deu jeito isto ou aquilo, também agradeço, porque me deram uma certeza: leram o jornal. Sem a lupa da inteligência. Leram à sua maneira. Como eu entendo! Não me canso de repetir. Tudo menos no lixo. Ver a nossa crónica, feita um farrapo, espreitando no recipiente do lixo, dói, dói muito. Crónica é filho nosso que entregámos ao público. Tratem bem. Será feioso, mas chegou até vós com carinho. Por favor!
José, há quantas luas não nos encontramos! Mas sei que é por uma boa causa. Aproveita bem. Aquele abraço, José! Faz falta! Aqui vai ele com desejo de Feliz Páscoa.











