Acabaram-se as férias, de trabalho ou escolares, sempre tão curtinhas…, para todos aqueles que ainda sonham.
Foram-se as férias, os planos e as viagens, a pronto ou às prestações.
Acabou-se o tempo sem tempo…, aquele em que a vontade da preguiça se impõe.
Terminaram os folguedos, as Semanas de Festa, as festinhas de Verão, onde os dias não têm fim…, e as noites terminam de dia!
Acabou-se o subsídio de férias que se esturrou nos prazeres que irão perdurar Inverno adentro, única forma de iluminar a longa noite que se aproxima.
Trabalhou-se para o bronze, mostrando-se, com orgulho, o resultado de longos meses de ginásio e dietas.
Deu-se largas à alegria estival, à descontracção, ao casual, onde as roupas menores deram azo a encontros e desencontros, iniciados numa Primavera que já passou.
Foi tempo de inconsequências, de experiências, numa merecida pausa, para quem deu o litro durante os longos onze meses de trabalho que ficaram para trás.
Foi tempo de liberdades, de profundo conhecimento e entrosamento familiar, para aqueles agregados que apenas se viam de manhã e à noite.
Foi tempo de se conhecerem melhor os pais, de se ter mais tempo para brincar com os filhos, de avós e netos terem mais tempo para partilharem experiências e ensinamentos.
Foi tempo bom e doce, para se namorar, para se caminhar, para se descansar e cortar com as agruras do trabalho, do longo Inverno.
E agora?
Agora, acabou-se o que era doce!
Agora nasce mais um ciclo de vida, e volta a ser tempo de regressar ao trabalho, às obrigações, às regras, aos horários, à responsabilidade e à vontade de vencer os desafios de mais um amanhã.
Amanhã que não será fácil no próximo ano, já que não será apenas um ano comum, um ano em que tenhamos que vencer apenas e só os desafios de mais um… e só ano.
Será um ano em que teremos que compensar o desperdício dos anos anteriores, daqueles que usaram e abusaram das benesses, das férias prolongadas, das contínuas irresponsabilidades.
Será um ano, este e os próximos, em que teremos de compensar os nossos credores daquilo que nos deram… não a troco de nada, mas a troco de um futuro hipotecado que agora teremos que pagar… em brutais prestações.
É altura de deitar mãos à obra… não pela força bruta e braçal de antigamente, mas com jeito e sabedoria, própria dos novos tempos, das novas tecnologias que caracterizam esta nova sociedade global em que procuramos (sobre)viver.
Como?
A resposta não é fácil, porque se o fosse, já não haveria crise.
Para além dos nossos governantes, que, melhor ou pior, nos… ou se governam, cada um de nós terá de encontrar o melhor caminho para fazer face aos desafios, às obrigações que teremos que vencer para alcançar um futuro melhor.
A grande questão que existe dentro de todos nós, é saber se teremos fôlego para mergulhar neste profundo e longo desafio, e se, um dia, acordaremos do outro lado da onda, num mundo melhor e mais justo.
Esta é uma batalha que a cada um diz respeito, numa luta de fundo e solitária, em que cada um irá dar o seu melhor, se quiser arribar a um novo ciclo económico, global ou pessoal.
Para tal, e como já dizia meu bisavô, teremos que trabalhar… até descobrir por onde a formiga mija.
Alguns, infelizmente, irão ficar pelo caminho, vencidos pela pressão, pelo egoísmo dos vizinhos e parentes que os ignoram…, pela falta de tenacidade e persistência, baixando os braços, e desistindo de alcançar o outro lado da margem deste rio, incapazes de vencer a sua corrente forte e arrasadora.
Mas acredito que, uma grande parte irá lutar pela sobrevivência, sua e dos seus…, pois estamos perante uma verdadeira batalha, digna de uma terceira guerra mundial, mas em que as armas são outras, bem diferentes das convencionais.
A nossa verdadeira arma, de defesa ou de ataque, conforme os casos, está bem dentro de nós, e só nós próprios a poderemos descobrir e usar, em benefício próprio.
Essa arma chama-se trabalho, muito trabalho…
Todos nós somos bons em algo, todos nós temos um ponto forte, o que nos distingue dos demais, e que nos faz valorizar a nossa individualidade.
Não interessa qual a actividade, o que interessa é que produza qualidade e valor acrescentado, e quanto mais rara ou única, melhor, pois será mais reconhecida, valorizada e procurada.
Será caso para dizer que o segredo e inovação, será a alma do negócio.
Para isso, todos nós teremos de descobrir qual a actividade em que somos realmente bons e únicos.
Essa é uma descoberta pessoal, mas também uma obrigação das empresas, dos municípios, dos governos, dos países que quiserem sobreviver, vencer e crescer.
O que é que realmente sabemos fazer, melhor do que os outros, e a um preço justo?
Se o leitor conseguir descobrir a sua verdadeira aptidão, então parabéns!
Acabou de alcançar o “passaporte” para uma vida melhor.
Não a desperdice!
Poderá ser a sua última oportunidade.
Contributos, para











