Apontamento – Açores, verão e férias

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Com a chegada do tempo ameno, apetecido já há muitos meses, os açorianos residentes na América do Norte anseiam pelo dia que a SATA os levará às ilhas açorianas, calmas, de mar azul forte, de água temperada e transparente de uma beleza invulgar. Contudo, cada vez se torna mais difícil levar a família a passar umas férias na terra que a viu nascer, onde se sentem bem, amam, e nunca esquecem. Embora as dificuldades financeiras sejam conhecidas de todos, o afeto à ilha supera os obstáculos.

Todo o processo começa nos primeiros meses do ano para garantir um lugar, já que os voos estão sempre cheios. Se se pretende que as crianças e, mesmo os jovens fiquem juntos, com os familiares, têm de pagar uma quantia extra. Nunca se viajou tão caro na SATA. Com o preço abusivo da passagem, mais o excesso de bagagem, que aumentou mais de 300%, mil dólares não dá para pagar o custo de uma só passagem. 

O governo regional sabe quanto a gente açoriana gosta da sua terra, porém nada faz para reduzir o custo das passagens. “Os voos estão sempre cheios”. Torna-se necessário pensar em alternativas à SATA e à TAP. Se cinquenta por cento (50%) da gente na diáspora, não escolher os Açores para férias no verão, isso aluiria o orçamento das companhias que nos têm explorado. Contudo, a SATA necessita de nós, porque a sua condição financeira é muito questionável. 

Depois de um voo empacado de gente, como “sardinha em lata” a aterragem acaba em palmas, e desperta-se para a alegria da chegada, com sorrisos e abraços amigos. A agitação começa com a tomada dos táxis, ou transportes de amigos e familiares, que com prazer, disseminam os passageiros pela ilha, bem com a SATA Açores, que transporta os restantes às outras ilhas. Há os que optam viajar interilhas nos ferryboats. 

Cada vez mais a gente dos Açores na diáspora têm menos familiares na ilha, contudo continuam a visitá-la permanecendo nos hotéis e residenciais. Participam em todas as festividades, dispersas pela ilha. Há os que preferem relaxar, e apreciar a paisagem, diversificada e única, a gastronomia, que na sua maioria é orgânica, especialmente o peixe, pescado na madrugada do dia que vai ser consumido. Também há quem aproveite a calma e a serenidade do mar para na praia ler, obras dos jovens escritores portugueses, ou até dos mais amadurecidos, que na sua maioria ignora o novo acordo ortográfico. Para o leitor comum é paradoxal  pensar, que os que deviam dar o exemplo no uso do novo acordo, são estes os primeiros a menospreza-lo, indicando que este, não é mais do que um conjunto de acentos, sem importância. Esta negação, só confunde o cidadão comum. Contudo o acordo ortográfico já é exigido e ensinado no sistema escolar português. No próximo ano escolar (2014-2015), e de acordo com o Ministério da Educação, os alunos e as alunas vão ser testados no mesmo, inclusivamente os do décimo segundo ano, no exame nacional de língua portuguesa. O tempo amadurecerá os preconceitos estereótipos para com o acordo.

As condições de lazer nos Açores são tão relaxantes que o tempo parece voar, encurtando os dias, onde o tempo da pesca de mergulho ou calhau, da praia, da leitura, ou até mesmo da pintura, se dissipa demasiadamente rápido. Assim o açoriano regressa ao país de acolhimento, com mais energia positiva, e otimismo, para enfrentar as dificuldades do dia-a-dia da vida agitada e competitiva. 

O otimismo leva-o a acreditar que nos próximos anos os Açores terão um desenvolvimento maior, sólido e enriquecedor para todos os residentes. As negociações entre os EUA e a UE, que presentemente estão em curso, levarão a um acordo, comercial e industrial entre os dois continentes, dando vida à posição estratégica dos Açores. 

Os portos na plataforma atlântica, Açores, podem originar centros de abastecimento de combustível, de géneros alimentares, ou de transbordo de mercadorias entre navios de carga de todos os tipos, mas com rotas diferentes. Para que tal aconteça, hoje o governo regional já deve ter um plano devidamente estruturado e desenvolvido, por técnicos internacionais e nacionais especializados, e experientes na área. O governo regional não se pode deixar manipular pelo governo nacional, para que não aconteça o mesmo que aconteceu com as pescas e a agricultura, há algumas décadas. Os representantes açorianos no parlamento europeu têm de ser conhecedores profundos desta matéria, para que apartidariamente possam defender os interesses dos Açores. Estes não se podem intimidar, com a retórica dos colegas dos ouros países, que lutam persistentemente para levar aos seus países as melhores vantagens, que o país e o seu povo possam vir a beneficiar. 

 

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