SINGELA HOMENAGEM – Lá se foi o Guilherme Lima

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Conhecemo-nos quando entramos para a Escola Primária da Matriz e, simultaneamente, para a catequese, na Paróquia da Matriz do Santíssimo Salvador, ao tempo orientada pelo Reverendo Padre Ouvidor, José Pereira da Silva, que foi uma figura marcante na Diocese e fora dela, distinguido aliás, muito justamente, com o título de Prelado Doméstico de Sua Santidade.

Na Escola, o Guilherme já evidenciava forte entusiasmo pelo futebol e pelo decano dos clubes açorianos, o Fayal Sport Clube, do qual, mais tarde veio a ser colaborador ativo, distinguido e dedicado.

Terminada a 4ª classe, eu fui estudar para o velho Liceu Provincial Manuel D’Arriaga e, então a nossa convivência deixou de ser constante, mas não se extinguiu, já que nos juntávamos na “Acção Católica”, designação por que era conhecida a casa, onde terá nascido o primeiro Presidente da República, eleito, o Dr. Manuel d’Arriaga.

Ali, naquela casa e terrenos circundantes, juntava-se a malta amiga, para a prática de jogos de ténis de mesa, de volley e de croquete.

Era anfitrião da Acção Católica o Reverendo Padre Correia da Rosa, sem dúvida um homem muito estimado, amigo da malta e Professor da Disciplina de Religião e Moral.

Nesta casa, já o Guilherme pontificava vezes sem conta devido ao enorme entusiasmo com que exercia as suas atividades, evidenciando, constantemente um apego muito particular ao seu clube do coração. Recordo, mais tarde, o Guilherme, já investido nas suas funções de boletineiro dos correios , montado na sua bicicleta, a distribuir telegramas e também como praticante aspirante à condição de árbitro de futebol, juntamente com o “Lilito” e a minha pessoa, participando, entusiasticamente, nas aulas que nos eram ministradas por uma figura singular do Canal, o senhor João Quaresma.

Já como carteiro e encarregado pela distribuição da “mala postal” na progressiva freguesia dos Flamengos, visitava-me quase diariamente, na Escola Primária da Volta, onde eu era titular, para deixar correspondência, ou então, para um “dedo” de conversa.

Sempre alegre, jovial e galhofeiro, expressava-se exuberantemente com umas gargalhadas únicas, que dava gosto ouvir e que o distinguiam no meio da malta.

Tinha bons amigos, espalhados por toda a parte, que muito prezava. Entre eles, ouso aqui referenciar o João de Brito Zeferino, em Ponta Delgada, com quem conversava frequentemente e, com alguma saudade, recordamos os famosos relatos de futebol que o Guilherme produziu, com uma emotividade assinalável.

Mais recentemente, deliciava-nos com as suas interessantes e oportunas crónicas, proferidas  a partir da varanda da sua casa, virada para o Canal.

Há poucos meses encontrámo-nos no Hospital da Horta e grande foi a minha surpresa, ao ver o amigo Guilherme profundamente alterado e sem a espontaneidade comunicativa que lhe era tão comum.

Agora, vim a saber do seu falecimento, facto que me deixou profundamente chocado, pois é mais um amigo da “velha guarda” que se foi, depois de tantos momentos de são convívio.

Cumprimento, respeitosamente, com um sentido abraço de pêsames a sua extremosa esposa e seus familiares, terminando com um “ ATÉ À ETERNIDADE, caro amigo Guilherme”. 

 

 

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