Aprender com a Europa

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Será que os Açores conseguem aprender com o que se está a passar na Europa e aplicar na sua Região, ao nível de ilha e de município, aquilo que de bom se está a fazer e evitar cometer os mesmo erros, corrigindo-os?

Na Europa há uma corrente que assenta em três questões fundamentais. A primeira é que deve tirar da cabeça sonhos demasiado grandes, tais como vai mandar, ter hegemonia mundial, e deve abandonar as utopias, perigosas e arriscadas, e voltar à realidade.

A segunda questão, de longe a mais importante, é que a Europa está a perder e poderá perder ainda mais com soluções unificadoras e uniformizações, pois há limites à integração europeia, há limites na cultura europeia, padrões socio económicos distintos de desenvolvimento, e estas diferenças estão a alimentar a integração e a uniformização e a afastar os seus povos.

A terceira grande questão é que a Europa necessita de regressar ao seu essencial, ao que fez a grandeza do velho continente e só depois deve pensar na construção europeia, que deve ser inovadora, com base não na igualdade mas na sua diversidade, pois criar em terra artificialmente uniformizada não resulta, havendo que valorizar a concorrência, incluindo entre regiões europeias.

Os Açores têm de olhar para esta Europa e perceber que está a cometer os mesmos erros. Relativamente à primeira questão, criou a mania das grandezas, julga-se grande, as ilhas maiores como senhores feudais das restantes, que alimentarão o seu ego! Têm que corrigir esta megalomania intelectual, respeitar as pequenas economias insulares, que na verdade já muito alimentam as suas economias com o seu consumo, gerando emprego e impostos nas ilhas maiores e que quase pedem, mendigam, solidariedade e só a obtêm com desprezo.

No que toca à segunda questão europeia de unificar, a Região cometeu o mesmo erro, onde se unifica centralizando, obrigando por legislação que todos os caminhos têm de passar pelos seus hubs artificiais, que os produtos e serviços só terão sucesso se forem todos iguais. Já vimos que isso não é verdade, um dos exemplos mais gritante é o do turismo de 4 estrelas; por exemplo, o Pico deveria seguir o turismo rural e de montanha. 

Em terceiro lugar, a Região tem de descer à base e perceber que os Açores têm vários ritmos cardíacos que estão na génese de 500 anos de sobrevivência, que geraram economias sociais muito próprias, com centros de influência muito defendidos. Alterar isto é colocar a realidade de ilha à beira do ataque cardíaco.

O exemplo que mais toca aos Faialenses neste ponto é o nosso centro de influência, que é Lisboa e não Angra nem Ponta Delgada. É em Lisboa que maioritariamente os nossos jovens estão, é de onde  os nossos turistas vêm, de onde as cargas comercias vêm. Alterar, uniformizar a força e obrigar a centrar tudo o que é transporte de passageiros e de mercadorias em centros que não sejam naturais é um erro que levará o Faial a ter mais défice, mais periferia, menos desenvolvimento.

Em suma, tal como a Europa, os Açores necessitam de apostar mais na variedade das suas riquezas e potencialidades e não de uniformização, para não terem mais o que está a acontecer, invejas entre ilhas e ódios quase semelhantes aos europeus.

O município da Horta, que corresponde a uma ilha, a qual está a ser bombardeada e desventrada com esta uniformização e centralização forçada, tem que ter um papel hercúleo neste contexto; primeiro percebe-lo, reconhece-lo, ter visão estratégica, poder de reivindicação, de luta, de construção de mais e melhor bem estar.

Este período autárquico tem forçosamente de ter esta elevação de discurso, pode ser politicamente incorrecto ou incompreendido, mas neste período apenas ouvir falar de questões sociais e que temos que cavar a terra e pescar no mar (que foi, grosso modo, o que veio cá para fora de quem está no poder) é um mau prenúncio para o nosso futuro.

É um prenúncio de quem não tem solução para os problemas que enfrentamos e se refugia no populusco,  de quem não tem projecto e visão de crescimento socio económico, de quem já tem e exerce poder mas não tem obra.

Mas tenho a esperança que ainda venha a encontrar neste período de apresentação de ideias autárquicas um pensamento ao nível do que o Faial necessita e merece.

frgvg@me.com

 

 

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