Neste mês de Julho a Croácia tornou-se no 28º Estado-membro da União Europeia.
O facto, por si só, e do ponto de vista simbólico, é poderoso. Significa que a União Europeia, apesar de atravessar a maior crise da sua história, continua a exercer uma forte atração nas nações vizinhas. Referimo-nos assim, também, à Antiga República da Macedónia, Montenegro, Sérvia, Turquia e Islândia (que poderá referendar o passado pedido de adesão) com o estatuto de candidatos.
Neste contexto, também não me parece despropositado referir um Estado-membro, como a Letónia, que se candidata a entrar para a zona euro a qual, como bem sabemos, constitui o núcleo da crise.
Realce dado a estes movimentos de inclusão e de maior integração, como testemunho de vitalidade da União Europeia e da esperança que corresponde a uma vida melhor para os seus cidadãos, importa olhar também para o reverso da medalha.
A Croácia tem uma taxa de desemprego de 21% e uma inflação de 4,7% valores bem mais graves do que os portugueses; o seu PIB per capita é aind inferior ao português dados que evidenciam bem o investimento que a União Europeia tem de fazer neste país. Simultaneamente, um dos aspectos da adesão da Croácia que mais entusiasma os seus jovens é a possibilidade de irem estudar ou trabalhar para outro país, ou seja, de emigrarem, o que se pode tornar num factor de empobrecimento da Croácia e de aumento da pressão em outros Estados-membros.
Também motivo de apreensão na adesão da Croácia à União Europeia é a integridade e qualidade do regime democrático no relacionamento entre poderes, do Estado com os cidadãos entre as instituições o que, em virtude da história recente de países de leste sob uma ditadura comunista e alguns, como a Croácia, tendo atravessado mais recentemente uma guerra civil, coloca verdadeiros desafios ao nível dos direitos e das liberdades fundamentais dos cidadãos, bem como da justiça social.
A prossecução do alargamento da União Europeia em tempo de crise pode, por um lado, agravar esta mesma crise e dificultar a recuperação; por outro, defraudar as expectativas dos mais recentes membros e erodir a imagem de promessa de uma vida melhor que a União Europeia ainda representa.
Aconselha-se, pois, prudência, para que se arrume primeiro a casa antes de voltar a abrir a porta.
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