As desigualdades territoriais!

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Nos últimos tempos é cada vez mais frequente ouvirmos falar em coesão territorial, em políticas de desenvolvimento do território a nível politico, económico e social. Contudo muitos questionam-se acerca da forma como esta intervenção tem sido exercida.

Apesar de vivermos num país geograficamente pequeno, onde este é muito disperso e composto por muitas dissimetrias que as políticas de coesão territorial tentam colmatar, mas que são deveras evidentes quando falamos no desenvolvimento dos meios rurais em oposição aos meios urbanos, e ainda mesmo nas dissimetrias que existem consoante a localização dos meios rurais. O despovoamento das regiões mais periféricas leva a um desnivelamento territorial, que põe em causa o seu desenvolvimento e desta forma desequilíbrios entre o meio rural e o urbano. No entanto, a localização geográfica continua ser um fator de grande importância, pois os meios rurais não se encontram todos no mesmo pé de igualdade quando falamos nas politicas de desenvolvimento, as regiões rurais, que beneficiam de acessos favoráveis, são privilegiadas perante os meios rurais mais remotos, pois é nesta que as entidades regionais e locais fazem o seu principal investimento, que leva a um maior poder económico para a região, mas que não resolve o problema das dissimetrias que continuam desta forma a acentuar-se, ou seja, a região ganha importância a nível nacional, porém quando a analisamos detalhadamente encontramos grandes desigualdades dentro da mesma.
Com a ajuda dos fundos europeus, o Estado aplica os fundos consoante as entidades regionais e locais que mais necessitam, tentando desta forma colmatar as desigualdades entre as políticas sectoriais e regionais intervindo a nível económico e social nos meios mais desfavorecidos, porém até que ponto é que estes fundos chegam aos municípios do interior? Sabemos que muitas vezes as entidades locais recebem estes fundos, mas quando se trata de os aplicarem em prol da população e do desenvolvimento da região isso nem sempre acontece, os fundos até podem ajudar empresas que são geridas por eles, mas os pequenos empreendedores privados ficam sem qualquer forma de ajuda.
As politicas de coesão territorial pretendem colmatar estas disparidades dando ênfase aos produtos endógenos, dando a cada região uma importância diferente consoante o produto que é da sua especificidade, mas de que forma é que estes produtos, em que é dado um imput para o seu desenvolvimento, conseguem ser competitivos e imporem-se no mercado nacional e até mesmo internacional, e desta forma a criar emprego e maior estabilidade para a população que vive nas regiões desfavorecidas? Por vezes, parece simples quando vemos o sector público a propagandear incentivos à criação de novas empresas e a sediar estas no interior, mas será que estas vão ter apoio depois da sua criação, quando estas precisam de auxílio para se manterem e desenvolverem económica e socialmente, o interior precisa de incentivos ao seu desenvolvimento de forma a ter relevância a nível nacional, porém pondero que ainda haja muito a fazer para que as regiões rurais possam ter um papel de relevância.

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