Serviço regional de saúde – nova estratégia precisa-se!

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Quando os fundadores da autonomia dos Açores formularam o seu “conceito autonómico” daquilo que seria o futuro do governo da RAA, atribuíram várias competências aos órgãos de governo regional, entre elas, a definição, organização e gestão daquilo que mais tarde tornou-se o Serviço Regional de Saúde (SRS). A descontinuidade territorial, como muito apregoam, não é apenas uma condição a que todos os arquipélagos estão sujeitos: ao longo dos anos tem-se revelado um fator de diminuição de equidade de acesso aos cuidados de saúde.
Ao longo dos múltiplos governos socialistas – os operacionalizadores do SRS – nunca foi possível a construção de um SRS, mas de apenas um conjunto de parcelas que se vão interligando. É urgente a reformulação do Plano Regional de Saúde, tendo em conta os seus profissionais.
Os Açores têm das mais altas taxas de consumo de substâncias psicoativas proibidas e ao mesmo tempo das mais fracas respostas a quem procura ajuda para eliminar a dependência física da substância. Nos Açores, ser mãe e pai numa ilha sem cuidados de saúde secundários, é uma aventura que só os próprios podem descrever. Ao mesmo tempo que tudo isto acontece, os sucessivos responsáveis da saúde regional têm afirmado que tudo está bem. Alguns até atribuíram estes resultados a fatores socioeconómicos, recusando-se a lutar contra eles.
Apesar de existirem centros de saúde em todas as ilhas da nossa região, apenas existem hospitais, ou seja, cuidados de saúde secundários e terciários, em São Miguel, na Terceira e no Faial. Urge, portanto, transformar as diferentes parcelas do SRS num verdadeiro serviço único. Isto pode ser feito com um aumento de verbas para a transferência de doentes, para o acompanhamento infantil e materno, combatendo os comportamentos de risco na adolescência.
Ora, esta realidade tem desvirtualizado os objetivos de base da especialidade médica de Medicina Geral e Familiar. O mesmo se passa nos Centros de Saúde de São Miguel, Terceira e Faial, apesar de numa escala mais “controlada” pela sua própria dimen-são. São também nos Centros de Saúde que os profissionais de saúde mais sentem as dificuldades financeiras pelas quais passa o SRS: quando as ordens para gastar o menos possível são impostas; quando as verbas para deslocação de doentes são reduzidas ao essencial ou quando uma grávida realiza a primeira ecografia perto ou já no segundo trimestre de gravidez;
Tudo isto tem criado, nos profissionais e nos açorianos um sentimento de desconfiança a quem controla este seu – de todos – SRS. Para os jovens, estatisticamente uma população mais saudável, ou seja, com menos episódios de doença, os cuidados de saúde primários assumem uma importância reforçada.
Os acompanhamentos de saúde infantil e pediatria, o diagnóstico precoce de diversas patologias, o acompanhamento personalizado, a proximidade do cuidado são mecanismos de promoção de hábitos e estilos de vida saudáveis e a prevenção da doença que seria a solução para muitos dos problemas regionais.
Não basta colocar médicos nos centros de saúde, é necessário que os próprios responsáveis políticos acreditem na força que os cuidados de saúde primários têm para a promoção da saúde na região.

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