As Termas do Varadouro

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    O edifício das Termas do Varadouro, da autoria do arquiteto Read Teixeira, foi inaugurado em agosto de 1954 e, na altura, dotou a ilha do Faial com uma das melhores instalações do género nos Açores. As suas águas sulfurosas, descobertas em 1868 eram consideradas das melhores do país para o tratamento de doenças de pele e reumáticas. O encerramento das Termas ocorreu nos anos noventa do século passado, encontrando-se este património em adiantado estado de abandono e degradação.

    Em abril de 1999 os Faialenses foram informados da seguinte deliberação do Governo Regional: “mandar elaborar o projeto de reabilitação das Termas do Varadouro, a fim de dotar esta estrutura das condições necessárias ao seu aproveitamento e atividade ligada à terapia termal, à talassoterapia e lazer”.
    Em julho de 2007 o Governo Regional dos Açores em comunicado informou que decidiu encarregar a empresa pública regional Ilhas de Valor S.A. de promover o desenvolvimento das atividades turísticas associadas ao termalismo, incumbindo-a de acompanhar e desenvolver os investimentos para os projetos termais da Ferraria, na ilha de São Miguel, e do Carapacho, na ilha Graciosa. Não incluindo assim nesta decisão o projeto das Termas do Varadouro, na ilha do faial.
    Questionado por diversas vezes sobre esta dualidade de critérios o então Secretário Regional da Economia, Duarte Ponte, em janeiro de 2008, informou “a intenção do Governo é lançar um concurso para a exploração das Termas do Varadouro. Os privados que concorrerem ficarão obrigados a construir uma nova unidade hoteleira que será edificada em terrenos próximos, entretanto adquiridos pelo Governo”. Deu garantias que as Termas do Varadouro vão ser reativadas e pormenorizou “mas o governo pretende fazê-lo integrando aquela estrutura num projeto mais vasto que inclui também a construção de um Hotel SPA acrescentando, na altura, que o novo Hotel do Varadouro terá dois pisos, cinquenta quartos e será destinado ao turismo de saúde”.
    Em junho de 2008, o mesmo Secretário Regional informava que “tinha havido um contratempo” e que se impunha alterar o projeto para afastar da arriba e acrescentava: “o Governo tem o terreno, o Governo tem o estudo prévio e deixa o desafio aos empresários faialenses para avançarem”, numa nítida e condenável dualidade de critérios de decisão política do executivo regional relativamente a metodologias aplicadas neste setor a outras ilhas.
    Desde o início da primeira decisão do Governo Regional em mandar elaborar o projeto de reabilitação das Termas do Varadouro, já lá vão uns longínquos dezassete anos, e para o avanço deste nas declarações do governo, têm-se sucedido um rol de episódios desde a transferência dos terrenos adquiridos pelo governo para a Câmara Municipal e desta para a SPRHI, de várias alterações ao PDM, do anuncio público da existência de empresários do Faial, do continente e dos Estados Unidos da América interessados em concorrer a este empreendimento – e até (em 2012) que tinha selecionado um parceiro privado, que é um investidor externo à Região, com experiência na área do termalismo – para além dos sucessivos compromissos políticos do Governo Regional.
    Mais recentemente (em finais de 2015) lemos num órgão de comunicação social local que um grupo de faialenses “sentindo o apelo de investir no setor estratégico da região” analisou a viabilidade de um licenciamento e de financiamento, após contatos com a Direção Regional de Turismo, e elaborou um trabalho que apresentou à SDEA com vista ao empreendimento da reabilitação das Termas do Varadouro, que teve desenvolvimento com outras entidades regionais ligadas ao processo, mas que pelo que era dito, e manifestando o seu descontentamento, foi interrompido sem justificação ou a devida explicação aos possíveis investidores locais.
    A verdade nua e crua é que até ao presente a reabilitação das Termas do Varadouro continua a ser uma miragem por falta de vontade politica e inação do executivo regional – que desde o seu inicio neste processo usou de dois pesos e duas medidas e uma flagrante descriminação dos faialenses com a dualidade de critérios para a execução deste projeto em relação a outras ilhas, visto que no Faial tinham de ser os empresários locais ou outros privados a concretizá-lo – com a cumplicidade dos socialistas do Faial e os aplausos dos sucessivos executivos municipais que tem estado sempre prontos para fazer parte de várias encenações politicas deste longo e discriminatório processo, com mais de dezassete anos.
    Depois das profundas dificuldades no setor primário poucas alternativas nos restam, sendo o turismo uma das poucas portas que ainda se podem abrir para dinamizar a economia regional, o que terá de ser feito com visão estratégica e com políticas que contemplem todas as ilhas.
    A par de outros que o Faial carece e que ainda não se vislumbram, o empreendimento turístico do Varadouro, com as Termas e o Hotel, deverá ser um investimento estratégico e estruturante para o desenvolvimento turístico desta ilha, para a criação de emprego, para o fortalecimento da economia e para a geração de riqueza no Faial, no Triângulo e nos Açores.
    A sociedade faialense tem-se manifestado unida em relação a este projeto e esperamos que assim se mantenha para que das intenções e das promessas se passe aos atos e esta ilha acompanhe o progresso a que tem direito e que tem sido alcançado por outras desta região.

     

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