As touradas da Autoridade Regional de Saúde e os cupões da discórdia

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1 A autorização concedida pela Autoridade Regional de Saúde (ARS) para a realização de um espetáculo tauromáquico na praça de touros da ilha Terceira, organizado pelo Grupo de forcados amadores do Ramo Grande, não atraiu a atenção dos açorianos.
Efetivamente, ninguém ligou ou se preocupou com o evento que se iria realizar. Com exceção, obviamente, dos aficionados deste espetáculo, residentes na ilha Terceira, que acorreram às bilheteiras, ansiosos por ver a tauromaquia, após um longo período de confinamento e a impossibilidade de realização e participação nas tradicionais touradas à corda.
No entanto, as imagens partilhadas nas redes sociais e na comunicação social, onde é visível o incumprimento e um autêntico atropelo por parte de muitos dos espetadores presentes às regras sanitárias definidas, alteraram a posição dos açorianos e colocaram em alerta a opinião pública para as autorizações concedidas por Tiago Lopes a estes eventos específicos na ilha Terceira, onde a tauromaquia tem um peso significativo na economia local.
Porque é que na ilha de São Miguel as discotecas encerraram e os bares têm que fechar até às 22 horas e na ilha Terceira pode ocorrer um evento com 2 mil espetadores e um desrespeito das recomendações de saúde pública impostas?
Será que estamos perante tiques de pré-eleitoralismo? Na verdade, surgindo este como um enorme atropelo às intenções traçadas pelo Governo Regional de prevenção e contenção da pandemia Covid-19 na Região, a ARS, vulgo Diretor Regional de Saúde, vulgo candidato a deputado pelo Partido Socialista na ilha Terceira, não pode deixar de ser posta em causa.
E posta em causa devido à independência e isenção com que tem que decidir estas situações de defesa da saúde pública, as quais não podem naturalmente existir em quem acumula todos estes cargos.
Como é que o Diretor Regional da Saúde vai manifestar discordância com esta ou qualquer outra posição assumida pela ARS? Ou o candidato a deputado Tiago Lopes vai elogiar o trabalho da ARS, isto é, o trabalho realizado por si próprio?
Num momento em que se assiste ao aparecimento de novas cadeias de transmissão da Covid-19 na Região e um aumento de casos por toda a Europa, dando a entender que se aproxima uma segunda vaga da pandemia, há urgência em separar entre quem define as regras de saúde pública e quem exerce cargos políticos.
Isto sob pena das intenções destes comprometerem as decisões acerca da saúde de todos nós.

2 A Câmara Municipal da Horta (CMH) apresentou uma campanha para dinamizar o comércio local afetado pelas consequências da pandemia. Gastando 10 euros em compras, teremos direito a um cupão, que será incluído num sorteio que abrangerá 400 vales de compras.
Só que, sabe-se agora, este tipo de campanha é semelhante aquela que foi proposta em reunião camarária pelos vereadores do Partido Social Democrata.
Num momento em que se exige interação e solidariedade entre as várias forças políticas locais, tendo em vista a defesa dos interesses dos empresários faialenses, enfim, da economia da ilha, a eventual apropriação por parte do executivo municipal de uma medida que tinha sido apresentada em reunião camarária pelos vereadores do PSD e não dar a estes o devido crédito, demonstra uma evidente falta de ideias próprias, de maturidade e respeito democráticos.
A campanha até poderá funcionar como um chamariz dos consumidores. Só que esta devia iniciar-se hoje ou amanhã e não no mês de outubro. Sabe-se lá quantos comerciantes locais conseguirão ter as suas portas abertas por essa altura e dispor dos cupões da discórdia? Em outubro saberemos.

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