Austeridade, mas só para alguns

0
12
Assistimos todos os dias a este Governo de direita instalado na República, de ideias fixamente neoliberais, a cortar nos direitos dos cidadãos.
É verdade que algumas das medidas de austeridade são necessárias para honrarmos os nossos compromissos com as instâncias externas. No entanto, a palavra de ordem na República é "Ir para além da Troika!" Pois, se já não nos bastava o que foi imposto pela Troika, quer este Governo "ir mais além".
As metas impostas têm de ser atingidas. E hão-de sê-lo, mas não o poderão ser à custa de mais e mais austeridade. De austeridade desenfreada.
O Nobel da Economia, Joseph Stiglitz, considera que para recuperar a confiança e regressar ao crescimento, não basta à Europa implementar políticas de austeridade.  "A austeridade como solução é [uma abordagem] simplesmente errada" para ultrapassar a crise, disse Stiglitz numa entrevista. Refere ainda que "O que é necessário é impulsionar o crescimento (…)".
O peso desta Governação abate-se sobre os cidadãos que se vêem forçados a aplicar no seu dia-a-dia, uma ginástica financeira, que não tinham de fazer anteriormente. O poder de compra das famílias diminuiu substancialmente. Principalmente, e infelizmente é muito comum, quando um dos membros ativos do agregado familiar perdeu o seu emprego, única fonte de rendimento. O poder de compra diminuiu drasticamente e as empresas sofrem ainda mais com as consequências.
E do alto do seu descaramento vem a primeira figura do Estado, o nosso Presidente da República (PR), afirmar que aquilo que vai receber como reforma "quase de certeza que não vai chegar para pagar" as suas despesas.
O Dr. Aníbal Cavaco Silva ganha mensalmente, só em pensões, mais de € 10.000. E não acumula o vencimento de PR apenas porque foi obrigado a escolher entre o vencimento ou as reformas, tendo, obviamente, optado por aquele que lhe garantia um valor mensal superior. Até 2010, e desde o início do seu mandato, que começou em 2006, ou seja, durante mais de 4 anos, Cavaco Silva arrecadava mais de 20 mil euros por mês, pois acumulava o vencimento de Presidente com as reformas. O que também se esqueceu de referir o Presidente, é que os seus gastos continuam a ser apoiados pela verba relativa a despesas de representação, que ronda os 2900 euros por mês. Ou seja, cerca de 13 mil euros ilíquidos por mês é quanto aufere o PR. O que lhe vale é que a sua família é muito poupada, tendo conseguido ao longo dos anos uns euritos de poupanças para fazer frente às despesas (palavras do próprio). Porventura estar-se-á a referir a uma das suas mais conhecidas poupanças, aquela que rendeu num curto espaço de tempo um lucro de 140%, no banco dos seus amigos e antigos colaboradores diretos, o BPN.
Acresce o facto de quando o atual PR deixar a Presidência, ter direito a um gabinete com secretária e assessor da sua confiança, a um carro com motorista e combustível para serviço pessoal e ajudas de custo para as deslocações oficiais.
Exemplo da sua capacidade de poupança poderá ser a visita aos Açores em Setembro, na qual se fez acompanhar de uma comitiva de 30 pessoas, entre as quais estavam o chefe da casa civil e sua esposa, quatro assessores, dois consultores, um médico pessoal, uma enfermeira, dois bagageiros, dois fotógrafos oficiais, um mordomo e 12 agentes de segurança. 
Conclusão: a primeira figura do Estado português não tem a mínima noção do que se passa em Portugal! Efetivamente a austeridade é só para alguns!
Os portugueses, e muito bem, indignaram-se. E foi ver as redes sociais serem inundadas de alusões a esta trágica tirada no nosso PR. Petições, grupos no Facebook e até contas bancárias “criadas” para ajudar o nosso pobre PR com as suas despesas. Realmente há uma boa razão para o PR falar tão pouco: sempre que fala ou sai asneira ou então bolo-rei!
E que dizer de Eduardo Catroga, que participou nas negociações com a Troika, tendo dito, na altura, que os Portugueses tinham de ganhar menos, que tinha de haver cortes nos salários e que agora "dá o exemplo", ganhando 45 mil euros mensais, os quais acumula com uma reforma dourada de 9 mil euros por mês. Este mesmo Sr. que negociou a privatização da EDP e que agora, por pura coincidência, será Presidente do Conselho Geral e Supervisão da mesma. Até figuras ilustres do PSD, como António Capucho, dizem que é um salário "escandaloso". Marques Mendes, por sua vez, utilizou a palavra "pornográfico"! Austeridade? Só para alguns. 
Quem me conhece sabe que não apoio, nem faço parte do chamado mal-dizer, que hoje em dia parece estar generalizado na nossa sociedade, mas há coisas que entram pelos olhos dentro, e, como se costuma dizer, quem não se sente não é filho de boa gente!
 

 

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO