Porventura a partir da segunda metade do século XX os Distritos passaram a estar mais ou menos na berlinda política.
Uma excepção para o da Horta, afora naturalmente as barreiras alfandegárias, Bilhetes de identidade para se viajar para Lisboa (Continente) …
Em contrapartida as Obras Públicas e o Ensino (julgo) continuavam por conta do Governo Central, ou do Terreiro do Paço, nanja da República como parece ser moda agora dizer, o que, de facto, dava grande folga financeira à Junta Geral.
De referir também a prestimosa acção dos Governadores de Distrito, sobretudo a do Dr. Freitas Pimentel.
A propósito, será de lembrar, pois a memória é curta, muitos foram os deferimentos de justas pretensões que se vinham a eternizar, tais como: a velha e degradada muralha de defesa da orla citadina; alteamento do molhe da Doca, estando o porto artificial já desassoreado por influência política do Doutor Neves; 7º.Ano do Liceu; estradas que passaram a ser as melhoras nos Açores; o Aeroporto cujo imperioso aumento da pista parece estar para as calengas…
Ficou então célebre a pergunta feita ao inesquecível Governador numa das muitas idas a Lisboa, hospedando-se na residencial da terceirense Dona Alda Valadão: Afinal de quem é o senhor representante (?) a que o próprio Ministro do Interior responde: pelo que tenho vindo a ver, parece ser mais porta voz do Povo do seu Distrito!
E o Dr. Sanches Branco seria um digno sucessor, atendendo à maneira como se houve na crise sísmica que assolou as Ilhas do Canal em 1973, sem ainda ter tomado pé no novo cargo, já que vinha a dirigir com reconhecida competência a Alfândega da Horta pelo que sua nomeação para Governador foi recebida com muito agrado.
Entretanto surge o 25 de Abril, logo aproveitado pelos comunistas que viram no gonçalvismo uma maneira de assentarem arraial em Portugal, só não o conseguindo em virtude de outro 25 ter aparecido mas em Novembro de 75, após o “Verão Quente”.
E ainda hoje perduram no País influências negativas desse movimento esquerdista que nos Açores até abriu caminho para uma Autonomia com raízes sobretudo em S. Miguel, mas saudada de Santa Maria ao Corvo, a que não foi estranha a FLA.
Por sinal, nos primeiros anos tudo fazia crer que seria o fim do centralismo de Lisboa, sem se apercebermos que um outro havia nascido na capital da Ilha onde tudo é grande, comparado com a “pequenez” das restantes, mesmo da Terceira em que a Banda Militar já havia recebido guia de marcha para Ponta Delgada em cuja cidade enorme edifício dos Correios despontava.
Mesmo assim, a criança recém nascida parecia bonita, com a substituição dos Distritos por um sistema político fotocopiado do nacional: Deputados eleitos por ilha; Governo e Secretarias distribuídas pelas ex-capitais, e Ministro da República, qual Presidente de Portugal.
Como já escrevemos, a primeira eleição, aguardada com natural expectativa, dada a intensa afluência às sessões de esclarecimento e os entusiastas aplausos tributados indiscriminadamente a todos os oradores.
Todavia, a vitória do PPD foi bastante folgada, elegendo no Faial 3 Deputados contra 1 do PS.
E os “laranjas” faialenses tiveram mesmo grande peso político a nível regional durante o longo consulado de Mota Amaral, com acção preponderante na consolidação do regime autonómico, não causando estranheza que, aquando de sua inesperada saída para a Assembleia da República, tivesse sido o nosso ilustrado patrício, Alberto Romão, a assumir a Chefia do Governo Regional.
Terminava assim o período áureo para o Faial, politicamente falando, de que salientamos:
– Assembleia Regional, depois Legislativa, é sedeada na Horta, com instalação provisória na Sociedade “Amor da Pátria”, mudando-se seguidamente para a Casa do Relógio na Colónia Alemã até ser construído um edifício de raiz passando a sede definitiva na nossa cidade quando em princípio seria em alternância pelas três principais cidades; para tanto, segundo ouvimos, muito se interessou o Deputado terceirense Álvaro Monjardino, neto do faialense Coronel Silva Leal:
– Manutenção do Hospital ao mesmo nível dos de Angra e Ponta Delgada que continuam a serem designados pelos seus nomes de cunho religioso, a merecer exemplo a seguir pelo da Horta;
– Semana das Pescas, criada pelo terceirense Dr. Adolfo Lima quando Secretário da Agricultura e Pescas, um evento que alcançou grande prestigio internacional, com o pecado original de ter nascido no Faial;
– Também o Dr. Tomaz Duarte Jr. prestigiou os Transportes e Turismo, naturalmente na altura em que a cidade faialense era privilegiada com duas Secretarias Regionais.
Mas nem tudo foram rosas, sendo o primeiro espinho o fecho da Escola do Magistério Primário que sempre fora de longe a que mais formava Professores, tida até como a Universidade da gente de cinco ilhas: as do Triângulo e Flores/ Corvo.
Todavia foi sacrificada com a remodelação do Ensino (julgo) aquando da fundação da Universidade dos Açores.
Recorde-se que para o Faial tocou o DOP quiçá como prémio de consolação, mal adivinhando seus próceres que viesse a ser o Polo mais conhecido na ciência mundial virada para o mar.
Voltando aos espinhos, estes aumentaram, e de que maneira, com a governança rosa, acompanhada de vendaval vindo do quadrante leste a que a Rádio Naval não resistiu, embora assaz enraizada em terra faialense, mas qual mar vermelho que se abriu à passagem dos israelitas, também os ares da Ilha Verde se acalmaram para a dita Estação poisar em terrenos expropriados pelo Governo Regional, surdo aos justos protestos dos agricultores e quiçá ignorando a lei vigente.
E a ventania continuou embora pouco já houvesse para destruir numa ilha que de azul só tem o nome dado pelo historiador, conquanto tivesse sido inventada uma mesclada Secretaria para que não se possa dizer que tudo o vento levou, como na fita …
Bastante elucidativo é, de facto, o mau estado em que o Faial se encontra, aliás bem evidente no rol sem fim de problemas nucleares apresentado pelo Deputado faialense Costa Pereira na sua coluna quinzenal em T.I. a pôr a careca à mostra da governança socialista, para quem prioridades só tem sentido único, ou seja: primeiro os meus …
Não podemos, porém, deixar de insistir nalguns, por sinal, já ventilados em tópicos, como sejam:
– Pista do Aeroporto, menosprezado pelo Ministro da Economia, talvez por convicto que as centenas de faialenses imigrados no Canadá, apenas para lá foram motivados pelas cataratas;
– Estradas do Mato, como eram conhecidas as que ligam o Largo Jaime Melo à Ribeira do Cabo e à Ribeira Funda, de apreciado interesse turístico;
– 2ª. fase do Ordenamento da Frente Marítima da Horta, uma vez que o Porto da Alagoa, porventura para deitar poeira nos olhos, não dispensa as prometidas obras no extremo do molhe da Doca com vista a acostagem dos cruzeiros de maior calado;
– Balneário na magnifica estância do Varadouro, alimentado pelas águas térmicas que brotam de nascente no sopé de alta falésia, de reconhecido valor medicinal. Como se sabe o dito Balneário foi construído pela então Junta Geral e por este organismo era mantido o respectivo funcionamento.
– Marina a transbordar, mas também fora do Orçamento, enquanto a gigantesca, na cidade sede do Governo, nem meia cheia se mantém.
Mas para que terminemos pela positiva este escrito, eis que inesperadamente um tornado fez voltar ao Faial a presidência da Assembleia Legislativa Regional.











