Base das Lajes: céu nublado com abertas

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Notícias vindas a público num jornal americano dão conta de uma visita de 25 membros do Senado e da Câmara dos Representantes aos Açores no mês de Novembro. Esta iniciativa resultará muito provavelmente das diligências levadas a cabo pelo Presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, na sua deslocação aos Estados Unidos, e à movimentação que a comunidade insular desenvolveu, logo de seguida, chamando a atenção para a importância da Base das Lajes. 
Juntando a ascendência açoriana de alguns destes políticos americanos à sua zona residencial, onde a emigração açoriana é muito significativa, podemos deduzir que haverá todo o empenho para que o caso da Base das Lajes seja bem sucedido. Nas palavras do Senador Marc Pacheco há mais açorianos residentes em Massachussetts do que em toda a região dos Açores, sendo o português a segunda língua mais falada naquele Estado.
Viajando à sua própria custa, os políticos americanos traçaram como principal objetivo desta missão receber do Presidente do Governo Regional informações precisas sobre a Base das Lajes, mas também abordar temas de ordem cultural e educacional. Do mesmo modo, irão contribuir para a recuperação da Sinagoga existente em São Miguel.
Estas notícias animadoras revelam a atenção que vários membros do Senado e da Câmara dos Representantes estão dedicando à Base das Lajes. Como já foi divulgado, a Câmara dos Representantes suspendeu a decisão governamental de reduzir verbas destinadas à operacionalidade da Base em 2013, como também proibiu o Ministério da Defesa de cortar no Orçamento da Base para 2014. Por outro lado, a mesma Câmara pretende desenvolver investigação para se inteirar do impacto da redução na economia regional, na sequência da decisão de reduzir o número de efetivos em serviço na mesma. 
Contudo, o veredicto final está dependente do Senado e, por isso, a presença de vários senadores nesta missão, que incorpora democratas e republicanos, pode ser um bom sinal. 
Mas se estas notícias dão alguma esperança quanto a uma solução que seja menos trágica, outras notícias locais revelam sinais contraditórios que causam apreensão.
Informações prestadas por trabalhadores da Base revelam que em Agosto a USAFE/Africa já havia decidido que os militares destacados para esta Base deviam fixar-se na Terceira sem trazerem família, sendo o destacamento por 12 meses. Se assim for, os americanos estão já a tomar medidas que só estavam previstas para 2014; se assim for, a diminuição do número de alunos na escola far-se-á sentir de imediato e alguns serviços sofrerão reduções mais cedo do que o previsto; se assim for, o aluguer de casas aos americanos começa desde já a ser penalizado, dado que esses militares não têm subsídios para viver fora da Base. No BX, por exemplo, um elemento da direção já informou que a redução do número de trabalhadores pode passar de 80 para 18.
Como se pode constatar, o discurso diplomático e a atuação no terreno não são coincidentes. Se, por um lado, o céu apresenta algumas abertas que nos dão a esperança de bom tempo a pairar sobre o futuro da Base das Lajes, por outro, há nuvens negras que não se afastam da Serra de Santiago. Por isso, continua a ser imperioso a forte ligação aos nossos irmãos açorianos emigrados nos Estados Unidos incentivando-os a não baixarem os braços. Nas duas margens do Atlântico a vontade só pode ser uma: pressionar para que o governo americano reverta as suas decisões ou, então, minorar ao máximo as consequências económicas e sociais dessas pretensões. 
 

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