Brisas de Esperança e Ventos Devastadores…

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Recomeço hoje a minha colaboração neste jornal, após uma breve pausa de higiene ética pré e pós-eleitoral.

As primeiras palavras são de felicitação à Democracia, ao Partido Socialista, a Vasco Cordeiro e a Carlos César, mas também a todos os partidos e cidadãos que, usando a sua prerrogativa de liberdade, entenderam oferecer um contributo construtivo à democracia. É na pluralidade e na diversidade que todos ganhamos.

Vasco Cordeiro teve mérito para ganhar como seguramente terá para governar; a sua maturidade política atravessou esta campanha em curva ascendente, como de resto já vinha acontecido em toda a sua trajetória ao serviço de funções públicas. Os líderes dos outros partidos perderam com dignidade. Carlos César deixará a presidência com uma elegância nunca antes conhecida no nosso percurso autonómico. Presidente atuante até ao último dia do seu mandato, lutador firme e defensor intransigente desta Região, líder admirado até pelos seus adversários, Carlos César ficará para a História como o Presidente que consolidou a democracia e soube projetar os Açores.

Ana Luís como Presidente da Assembleia enfrenta um grande desafio diplomático e pessoal. Saberá ultrapassá-lo com competência, carácter e sensibilidade – três qualidades que a identificam e dão essência às suas novas funções.

Há, pois, uma brisa de esperança que percorre as nossas ilhas…

Porém, os ventos que sopram do Continente são devastadores.

Portugal é um país em sofrimento: aumenta o desemprego, a pobreza e a emigração; diminuem as pensões, o subsídio de desemprego e os apoios sociais.

Digam os defensores desta austeridade o que disserem, milhares de portugueses estão à beira do seu limite. Aguentam mais? As sociedades sobrevivem? Sim. Mas as pessoas? As que passam fome, as que deixam de ser consumidores para se transformarem em sobreviventes do que pode vir a tornar-se um holocausto económico-social. Até quando resistem?

O governo ainda não demonstrou a sua eficiência(?) no corte das gorduras do Estado. As bolsas de fome, porém, proliferam. Este impacto brutal na vida dos portugueses não tem horizonte. Não há alternativa? Há, mas não está à vista. O investimento foi descendo gradativamente nos últimos 10 anos. Portugal precisa de um impulso económico, de investimento, de uma estratégia de longo prazo. O trajeto atual prova, repetidamente, não ser o caminho do crescimento. E não será, como salientou Jerónimo de Sousa, rasgar o Estado Social da nossa Constituição, a alternativa.

Potenciar crescimento, criar emprego, melhorar as condições de financiamento do país, tornar o crédito acessível às PME, exportar serviços, podem ser vias de recuperação da economia, que é também a sociedade. Aliados para este discurso, para esta solução, precisam-se. Como afirmou Mário Soares, não de chapéu na mão a pedir ajuda à Senhora Merkel mas em diálogo com a França, com a Itália, com a Espanha, validar posições no sistema político europeu, convencer a Alemanha de que é possível corrigir alguns defeitos da arquitetura da União Europeia – que até já estão a ser estudados e debatidos a nível europeu.

Enveredar por um discurso emotivo, nestas circunstâncias, é uma tentação. Resistamos a ela. Queremos fazer parte da solução, não do júri de condenação nem dos imolados na longa noite da austeridade. Mas, pela saúde deste país, tirem-nos deste filme…

 

 

 

 

 

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