Cancelamentos

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1. Imersos numa crise que nos deprime e numa austeridade que nos angustia, gostaríamos todos de ter alguns sinais que nos dessem renovadas esperanças e confiança num futuro que todos desejamos melhor.

As dificuldades do tempo presente tornam mais importantes e fundamentais as oportunidades de conseguir bons negócios, de gerar novas fontes de proventos e, mesmo, de aproveitar melhor as que existem.

Isto é assim com as pessoas individualmente consideradas, e é também assim com as comunidades.

A ilha do Faial não escapa à regra. Apesar do forte peso do funcionalismo público, a verdade é que as atividades dos outros setores produtivos vivem tempos de grande contração e qualquer oportunidade de negócio é sempre bem-vinda e necessária. Como qualquer oportunidade que se esperava e que não se concretiza é sempre uma desilusão!

Por isso, os recentes cancelamentos dos voos da SATA Internacional para o Faial e dos Cruzeiros que escalariam o Porto da Horta, são sinais claros de desilusão e deceção para o nosso setor produtivo, mas também para o nosso orgulho coletivo!

Mas são também sinal claro de como aceitámos, como comunidade, o que nos fizeram.

2. A operação da SATA Internacional nas ligações Lisboa-Horta-Lisboa, sempre se tem caracterizado por uma grande imponderabilidade, pois, apesar do número reduzido de frequências, mesmo assim, o seu grau de cancelamentos é comparativamente muito superior ao da TAP, e se a ele juntarmos as vezes em que o voo divergiu para outro aeroporto, os números ainda são mais significativos.

Aos cancelamentos motivados por “condições atmosféricas no aeroporto de destino” (quando, às vezes, à hora de chegada do voo, já o tempo está bom…), juntam-se os que o são por “razões técnicas”, por “razões operacionais” ou, no caso mais recente, por avaria de aeronaves. 

Acreditamos que as razões que levam uma companhia aérea a cancelar um voo, devem ser sempre razões fortes e respeitáveis. Mas quando isso acontece de forma preocupantemente contínua, impõem-se esclarecimentos e explicações adicionais.

Foi o que aconteceu com o recente caso de, ao que foi invocado, a SATA Internacional ter dois aviões avariados e, por esse motivo, ter cancelado os voos para a Horta na passada semana.

Essa parece ser, e é, objetivamente, uma razão forte e ponderosa, para a qual não há contestação. 

Mas o caso muda de figura quando somos informados que a SATA Internacional, exatamente pela mesma razão (avaria dos aviões), enquanto cancelava os seus voos para a Horta, alugava aviões para realizar outras ligações para o estrangeiro. Isto é: enquanto o voo da Horta, que é serviço público, que se insere, ao que pensamos, nos objetivos estratégicos de uma companhia de bandeira dos Açores (servir os Açorianos e as suas ilhas), era cancelado, outros voos afetados pela mesma avaria dos mesmos aviões eram mantidos com recurso a aviões fretados.

É bem caso para concluir que a SATA Internacional usa de dois pesos e duas medidas numa situação em que sistematicamente parece desproteger a rota da Horta, à qual concorreu, em regime de code share, por sua livre vontade…

O resultado é aquele que alguns agentes de viagens já nos vão dando testemunho: em vez de preferir viajar na “nossa companhia”, naquela que ostenta a bandeira dos Açores, os passageiros faialenses cada vez mais alteram o dia em que pretendem viajar ao saber que o voo é SATA! 

Infelizmente!…

3. Nestas últimas semanas foram também notícia os cancelamentos da escala de navios cruzeiros no Porto da Horta. Em quatro escalas previstas, três foram canceladas. Razões? De tudo um pouco: avarias nas máquinas, condições meteorológicas, decisões de última hora, etc. Uma coisa, porém, é certa: os barcos não operaram na Horta e operaram nas Portas do Mar, em Ponta Delgada.

A conclusão é óbvia: o novo cais do Porto da Horta, destinado a Cruzeiros, não é operacional. E isso tem responsáveis e tem uma história.

Quando em 18 de Abril de 2008, Duarte Ponte afirmou ao jornal Incentivo que “Horta e Portas do Mar vão receber maiores navios de Cruzeiro do Mundo” e anunciou um Cais para Cruzeiros na Horta com cerca de 400 metros de comprimento e à profundidade de -12 metros, estava a mentir e a enganar os Faialenses.

O governo de então e o partido que o suporta, também à custa desta promessa enganosa, ganharam as eleições regionais desse ano. 

Mas, logo de seguida, ganhas as eleições, diminuíram o tamanho e a ambição da promessa e reduziram tudo pela metade.

O resultado é o que temos aí agora à vista: o novo cais serve para recebermos uns cruzeiritos, que os outros, os que Duarte Ponte dizia serem “os maiores navios de cruzeiro do Mundo”, esses só têm condições para operar em Ponta Delgada!

Não é caso único, nem foi a primeira vez que usaram esta estratégia para com os Faialenses. 

Mas assim continuará a ser, enquanto os Faialenses quiserem ser enganados e premiarem nas eleições quem os enganou e engana!

 

 

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