
TI – O que o (a) motivou a aceitar este desafio?
PDM – Não aceitei de imediato. Devido a constrangimentos da minha vida profissional e pessoal achei inicialmente que não seria possível. Aliás, só aceitei depois de uma longa e difícil reflexão. Foram várias as razões que pesaram nesta decisão. Desde logo o direito dos eleitores à diversidade de escolha na altura da decisão. Os cidadãos têm direito a ouvir diferentes pontos de vista, não têm que estar limitados a A ou B. Entendo que a candidatura da CDU enriquece o debate e mostra esses outros pontos de vista. É importante abrir esse espaço, para que a decisão dos eleitores seja uma decisão mais livre. Depois está a minha convicção de que o Faial ficou sempre a ganhar quando a CDU teve uma representação institucional mais forte. Basta recuarmos um pouco no tempo para constatarmos que os períodos de maior influência eleitoral e institucional da CDU coincidiram sempre com uma forte expressão organizada da vontade popular, que levou a importantes conquistas para a nossa ilha.
TI – Que benefícios ou vantagens pode trazer a sua eleição ao município?
PDM – Há uma frase que me foi dita numa das reuniões de preparação destas eleições que não me sai da cabeça e resume bem aquilo que sinto: “A Câmara não é de um partido nem de outro. A Câmara é de todos nós.” Esta ideia traduz verdadeiramente o modo como pretendo exercer o mandato que me for confiado nestas eleições.Não ando atrás de carreiras políticas nem de benefícios pessoais. Move-me simplesmente o desejo de ajudar a minha terra. Esta postura permite-me encarar os desafios de uma forma diferente e penso que isso poderá ser uma vantagem caso seja eleita. Por outro lado, permite-me pensar nos outros em primeiro lugar, respeitando todas as pessoas e, colocando-me no lugar do cidadão, compreender melhor os seus problemas e dificuldades.
TI – Quais as linhas orientadores do seu manifesto eleitoral para estas eleições Autárquicas?
PDM – O programa eleitoral da CDU apresenta propostas em todas as áreas de atuação da CMH. É por isso completo e abrangente. Tem como princípio orientador o envolvimento da comunidade na tomada de decisões, que consideramos essencial para uma boa política municipal. Temos que saber ouvir as pessoas, muitas vezes antes de tomar qualquer decisão. Temos também preocupação pela definição de prioridades com base nos meios disponíveis com vista sempre à melhoria das condições de vida das pessoas. Pretendemos desenvolvimento económico, mas com utilidade social, daí darmos muita importância por exemplo à produção local. Deixo aqui algumas medidas, esperando que as pessoas leiam o programa por inteiro: diminuir o preço da água para agricultura e criar uma rede de descontos para o consumidor de produtos locais, reabilitar e dinamizar o Jardim Eduardo Bulcão e o Largo em frente à igreja do Carmo; criar um programa de Educação Alimentar; acabar com os abusos dos programas operacionais na CMH; reforçar as delegações de competências e o orçamento participativo; reativar o Conselho Consultivo de Cultura; elaborar um Projeto Educativo Municipal.
TI – Caso seja eleito quais são os investimentos que considera prioritários para a ilha e para os faialenses?
PDM – Considero muito importante avançar-se com as obras da frente-mar, que se encontram já elencadas no PIRUS. O problema é que muitas delas têm como promotor da obra o Governo Regional e sem uma verdadeira política regional de desenvolvimento harmonioso de todas as ilhas iremos continuar a ficar para trás neste campo. Os projetos são interessantes, mas tem que haver vontade política para os realizar, pois a Câmara por si só tem pouca capacidade financeira para a sua concretização. Considero também importante redefinir prioridades. Sabemos que a “face” da cidade vai mudar bastante com a Frente-mar. Então considero que as intervenções deverão ser feitas de forma sequenciada e ordenada pela cidade, de forma a aproveitar os recursos mobilizados. Por outro lado, há investimentos regionais que têm que ser feitos e que são essenciais para o Faial e só uma Câmara com capacidade de negociação e de reivindicação consegue contribuir para a realização desses investimentos: estou a falar obviamente da questão do Aeroporto, do Reordenamento do Porto e da 2ªFase da Variante. É preciso também ter a garantia de que a Horta se mantém como porta de saída da Região para o Continente sob pena, se isto não for garantido, de termos retrocessos de desenvolvimento enormes.
TI – Em relação aos elementos que compõem a sua candidatura que razões motivaram a sua escolha?
PDM – Trata-se de um grupo diversificado de pessoas muito válidas, que têm o meu respeito e admiraçãoquer pela sua experiência quer pelas suas vivências, e que têm algo em comum: o seu desejo de contribuir verdadeira e livremente para o desenvolvimento do nosso concelho.
TI – A abstenção tem marcado os últimos atos eleitorais, de que modo pensa combater esse facto nestas eleições?
PDM – A principal forma de combater a abstenção é fazer ver às pessoas tudo aquilo que pode acontecer com o exercício do seu direito de voto: que cada voto conta efetivamente, que o voto, bem como a abstenção, também são atitudes políticas que responsabilizam cada uma das pessoas que as tomam, que está nas mãos de cada um contribuir, com o seu voto, para uma verdadeira mudança.
TI – Que resultados espera alcançar?
PDM – Muito concretamente esperamos um reforço da votação da CDU, que resulte na eleição de candidatos em todos os órgãos aos quais concorremos. Considero que é muito importante introduzir um maior equilíbrio de forças na gestão desses órgãos. Assim o Faial ficará a ganhar.















