Carlos Ferreira, cabeça de lista do PSD à Assembleia Legislativa pela ilha do Faial – “O esvaziamento a que o governo regional do Partido Socialista tem votado o Faial, com o apoio de alguns protagonistas de cá, tem de acabar”

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O Tribuna das Ilhas termina as entrevistas aos cabeça de lista dos diversos candidatos à Assembleia Legislativa pelo círculo eleitoral pela ilha do Faial com Carlos Ferreira, candidato do Partido Social Democrata. Nesta entrevista, o candidato mostra o trabalho que desenvolveu enquanto deputado e pretende que os valores e projetos inscritos nos orçamentos anuais sejam efetivamente concretizados na ilha.

TRIBUNA DAS ILHAS – Apresenta-se às próximas eleições legislativas regionais como cabeça de lista do seu Partido pelo círculo eleitoral da ilha do Faial. Quais são as principais razões que motivaram a sua candidatura?
CARLOS FERREIRA – A nossa candidatura tem a ambição de colocar de novo o Faial num lugar central a nível regional e de trabalhar para criar melhores condições de vida na nossa ilha e nos Açores.
O esvaziamento a que o governo regional do Partido Socialista tem votado o Faial, com o apoio de alguns protagonistas de cá, tem de acabar. A mudança exige propostas e coragem para as implementar e combater este regime de 24 anos e implementar novas políticas para a nossa região.
Lidero pela segunda vez a candidatura do PSD às eleições regionais pela ilha do Faial. Em 2016, pedimos a confiança dos faialenses e a nossa população confiou em nós.
Nestes 4 anos, complementámos a qualidade de deputados regionais com uma atitude de defesa inabalável da nossa ilha. Trabalhámos para corresponder à confiança depositada e temos a expectativa de que as pessoas reconheçam esse trabalho.
Lutámos por melhores condições na saúde; lutámos por melhores acessibilidades aéreas e marítimas; reivindicámos a reabilitação das estradas do Faial.
Estivemos ao lado dos operadores portuários e da sociedade civil, na exigência de um estudo independente que nos dê garantias sobre a melhor solução para Porto da Horta; estivemos ao lado dos sinistrados do Furacão Lorenzo; e lutámos pelas nossas crianças que não tinham equipamento para o ensino à distância.
Candidato-me, propondo aos faialenses o reforço desta nossa relação de confiança.
Aprendi muito no primeiro mandato e considero que posso aperfeiçoar o meu desempenho nos próximos 4 anos e servir melhor o Faial e, por essa via, os Açores.

TI – Se for eleito(a) deputado(a) regional irá cumprir o seu mandato na Assembleia Legislativa Regional?
CF – Se for eleito o meu projeto é exercer o mandato na Assembleia Regional. Sabemos que por vezes emergem situações inesperadas, mas o meu projeto é desempenhar as funções de deputado regional eleito pelo Faial no Parlamento dos Açores.

TI – Como é que se posicionará perante as principais matérias que vão estar em cima da mesa na próxima legislatura, como sejam, entre outras, o reforço da Autonomia, o novo Quadro Comunitário de Apoio e as relações entre o Estado e a Região?
CF – Eu sou um defensor do reforço da Autonomia e do aprofundamento das competências da Região, no quadro de um relacionamento transparente e leal com o Estado, mas determinado na defesa dos Açores e das Autonomias, superando os ímpetos centralistas de Lisboa.
Quanto ao novo Quadro Comuni-tário de Apoio, considero que os fundos terão de ser devidamente rentabilizados para promover uma Região de excelência a todos os níveis, e não para manter as pessoas na pobreza e de mão estendida para que o partido do poder aí se mantenha.
Neste momento, apesar de assegurarem 70% dos postos de trabalho da Região, as pequenas e médias empresas só recebem 23% dos fundos comunitários.
O governo regional e as empresas públicas absorvem 70% dos fundos comunitários, deixando “migalhas” para os nossos empresários e para o setor social, que recebe 7%. E convém aqui lembrar que o nosso tecido empresarial é formado, sobretudo, por pequenas e médias empresas e não por grandes grupos empresariais. 80% das empresas dos Açores têm no máximo 9 trabalhadores e, no contexto que atravessamos, precisam ainda mais de apoio, para se manterem em funcionamento e preservarem os postos de trabalho.
A nossa proposta assenta na canalização crescente dos fundos europeus para a viabilização das nossas pequenas e médias empresas e instituições do setor social, de modo a preservar os atuais postos de trabalho e a gerar emprego que possa melhorar a vida dos açorianos.

TI – Como analisa o investimento que o Governo Regional tem efetuado na ilha do Faial? Acha que a percentagem de investimento que o GRA tem inscrito nos orçamentos regionais deve ser mantida ou aumentada?
CF -O problema do Faial não é o valor inscrito no orçamento da Região, é o valor reduzido valor que depois é efetivamente executado.
Em 2019 ficaram por executar 36 milhões de euros inscritos para o Faial, que por si só e mesmo que não houvesse financiamento externo, davam para requalificar a Escola Básica, construir a 2ª fase da Variante, reabilitar a estrada regional que liga a Estrada da Caldeira à Ribeira Funda e concretizar ainda o Reordenamento do Porto.
Nos últimos 8 anos, só por duas vezes a taxa de execução passou dos 50%. No global, mais de 278 milhões de euros inscritos no orçamento para o Faial ficaram por executar entre 2012 e 2019, o que daria para todos os investimentos há muito desejados e tão necessários a esta ilha.
Não se pode prometer, quando se tem consciência que não se vai executar. Os faialenses estão cansados de serem ludibriados.
Tão simples quanto isto: Se os investimentos inscritos para esta ilha tivessem sido concretizados, o Faial estaria hoje noutro patamar de desenvolvimento e a olhar para novos desafios, desempenhando um papel de relevo no seio da Região e contribuindo de forma mais intensa para o futuro dos Açores.

TI – Qual é sua posição relativamente aos necessários investimentos estruturantes para a ilha, como sejam a ampliação da pista do aeroporto, a construção do novo Porto, da 2.ª Fase da EBI da Horta e do Estádio Mário Lino, as Termas do Varadouro, e a reabilitação das estradas regionais, nomeadamente a construção da 2.ª Fase da Variante?
CF – A nossa posição será de empenho permanente para a concretização de todos os investimentos indicados.
A sua permanência na agenda política não decorre da falta de ideias, mas sim da sua relevância para o desenvolvimento do Faial. São promessas com muitos anos, nunca concretizadas. A sua não execução, não depende unicamente de fundos externos, depende essencialmente da falta de vontade política, da miopia centralista, pouco ousada na defesa do bem-estar e do tão apregoado desenvolvimento harmónico e coerente do Arquipélago dos Açores.
Estes investimentos são estruturais e estruturantes para o Faial, alguns determinantes na ótica do desenvolvimento sustentável da ilha, reposicionando o Faial e a sua importância no seio da Região.

TI – Em termos de atuação política, quais são as outras matérias que considera prioritárias e que pretende defender na Assembleia Legislativa nos próximos quatro anos em prol da ilha do Faial? O que defende em termos de transporte aéreo e de mercadorias?
CF -Vivemos um tempo único e excecional, que nos apresenta grandes desafios, quer na defesa da saúde e bem-estar de todos os faialenses e dos açorianos em geral, quer na defesa do nosso tecido empresarial e das instituições.
A pandemia da Covid-19 tem de ser considerada nas prioridades de intervenção política e assumimos essa responsabilidade. Mas é preciso trabalhar também na promoção da retoma económica, permitindo aos empresários e a todos os cidadãos encontrarem de novo o equilíbrio de que necessitam nas várias dimensões relevantes para a qualidade de vida da nossa população.
Torna-se imperativo implementar ações que visem a coesão social, a inclusão e a humanização de parte dos serviços públicos, nomeadamente na educação e na saúde. Não basta dotar as instituições de infraestruturas de grande impacto visual se no seu interior e no seu funcionamento diário, se continua a verificar uma óbvia carência no que diz respeito à quantidade e qualidade de recursos humanos e na pronta e adequada resposta às missões a que se destinam.
Relativamente aos transportes aéreos, considero que nesta fase há que adequar a oferta à procura e às necessidades existentes. Num futuro cenário de retoma do crescimento, entendemos que o Faial tem de merecer a devida atenção do governo e da Sata, para que a nossa ilha seja corretamente servida em número de voos e de lugares. Lutámos por melhores acessibilidades aéreas ao longo deste mandato, suspendemos estas reivindicações com o aparecimento da Covid, e quando as condições o recomendarem voltaremos a exigir ao governo um serviço de transporte aéreo que corresponda às necessidades do Faial.
Quanto ao transporte de mercadorias, propomos a implementação de um sistema de transportes eficaz que permita aos nossos produtores colocar os seus produtos em tempo útil nas outras ilhas e também no exterior da Região, preservando a qualidade e os seus rendimentos. Isto é essencial para valorizar os produtores já em atividade e para atrair jovens para o setor agrícola, por exemplo, fazendo com que o Faial produza mais, criando riqueza e, uma vez mais, criando emprego na nossa ilha.

TI – Sabendo-se das restrições colocadas pelas autoridades de saúde, no âmbito da pandemia COVID-19, de que forma pretende combater a elevada abstenção registada nos últimos atos eleitorais? Como realizará a sua campanha eleitoral?
CF – O voto é a participação em todo o processo coletivo que a democracia veio colocar ao nosso alcance. Não votar é abdicar da participação no ato eleitoral e deixar uma decisão pessoal na mão do outro. Se queremos mudar, temos que dar o nosso contributo, em primeiro lugar através do voto.
O período que atravessamos veio demonstrar, de forma ainda mais clara, que toda a nossa vida depende de escolhas e de decisões pessoais. A Covid realçou as fragilidades da região ao nível da saúde, da pobreza, das tecnologias ou da economia, e esta realidade já se verificava antes da pandemia.
O Faial e os Açores precisam de novas políticas, que afastem o medo que nos é incutido e inspirem confiança.
A nossa campanha faz-se em proximidade com as pessoas, transmitindo essa confiança nas capacidades dos faialenses.

TI – Qual será a sua estratégia para manter e, eventualmente, reforçar o seu eleitorado?
CF -Os faialenses sentem e sabem que o Faial precisa de um novo rumo.
Queremos em primeiro lugar acabar com o condicionamento à liberdade individual e arejar a democracia na ilha e na região.
É inaceitável a pressão a que as pessoas são sujeitas por alguns elementos associados ao partido no poder, 46 anos depois do 25 de Abril de 1974. São vícios instalados que só acabam se forem punidos nas eleições.
Em segundo lugar, procuramos mostrar à nossa população que o trabalho realizado pelo PSD do Faial nestes 4 anos – colocando sempre o Faial acima de outros interesses – pode ainda ser melhorado, se a nossa relação de confiança for reforçada nestas eleições.
O Faial e os faialenses e a vontade de fazer diferente são a razão da nossa força. A falta de respeito pelas necessidades da nossa ilha tem marcado os últimos anos e é urgente alterar esta prática. A nossa bandeira é estar ao serviço da nossa população e “Valorizar o Faial”.
Em terceiro lugar, apresentamos propostas concretas para o desenvolvimento do Faial e para a qualidade de vida dos nossos concidadãos. Fazemo-lo nas áreas da saúde, da rede viária, da educação, da agricultura, das atividades ligadas ao mar, do bem-estar animal, do ambiente, das acessibilidades aéreas e marítimas, da cultura, do turismo, e do apoio às empresas, às famílias e às instituições.
TI – O que pretende dizer aos faialenses para que decidam votar em si e no partido que representa?
CF – Confiança, Confiança e Confiança.
Vamos ao trabalho juntos, para valorizar o Faial e, por essa via, os Açores.
Nós, faialenses, somos capazes de fazer mais pela nossa ilha. Somos capazes de fazer melhor pela nossa Região.
Temos que nos libertar do medo de não conseguir que nos tentam impingir, e mostrar que somos tão bons ou melhores do que outros.
É altura de acabar com este condicionamento e dar liberdade às pessoas. Só depende de nós, pois o voto é secreto e nas eleições somos nós que decidimos quem queremos para nos representar e para nos governar.
Nestas eleições, o poder está, de facto, na mão de cada um de nós. Vamos arejar a democracia, vamos mudar para melhor, sem medos e com confiança, pelo Faial e pelos Açores.

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