Início Artigos de opinião André Costa Carta de amor à Semana do Mar

Carta de amor à Semana do Mar

0
13
DR/TI
André Costa

Vivemos num mundo, infelizmente, capitalista. O lucro está acima de tudo o resto. Isso também se aplica à música. Não sei se antigamente também era assim, mas fico chocado com os preços que artistas cobram por bilhetes de concertos hoje em dia. A Eras Tour da Taylor Swift não custa menos de 200€, bilhetes para ver a Sabrina Carpenter no Reino Unido começam em 220 da moeda local, Childish Gambino 160, Billie Eilish 140. E isto são bilhetes mesmo lá no fundo, mais perto do parque de estacionamento do que do artista, em que nem binóculos daqueles de ópera permitem ver o artista de jeito. Sem querer ser o velho do Restelo desta situação, não entendo. Obviamente que eu não entender não interfere de forma alguma com quem vai a esses concertos. Mas eu não iria.
Não iria porque o Faial habituou-me a magníficos concertos com entrada gratuita, com a avenida toda a ver, dos mais novos aos mais velhos, tudo junto a desfrutar da música. Concertos como o do Pedro Abrunhosa no ano passado, em que ele se foi passear pelo público a meio de uma canção. Concertos como o da Mariza, em que ela deixou de lado o microfone, os instrumentos, o auricular e cantou sozinha, apenas com o som das ondas a bater no paredão. Concertos como o dos Amor Electro, que puseram a avenida inteira a cantar, mesmo quem não sabia nada das suas letras. Foi a isto que me habituei, e então é louca a ideia de pagar ¼ do salário mínimo para ir olhar para um ecrã gigante, a dois quilómetros do artista. A essa distância, na Semana do Mar, estava eu quando havia um concerto que não era assim tão bom, a conversar com os meus amigos na marina, com a música no fundo, mas mais baixinho.
E depois há tudo o que há à volta dos concertos. As barraquinhas com os seus petiscos, a barraca das farturas, os dónutes do Grupo Coral, as tascas com bifanas quentinhas. Não se vai só ver um concerto, é toda uma experiência e memórias inesquecíveis.
Para mim, enquanto alguém que sempre esteve envolvido com desportos de mar, a Semana do Mar é (para além de fantásticos concertos) o encontro de vela ligeira, as travessias da doca, o torneio de pólo aquático, a travessia do canal, o desfile dos participantes do festival náutico… E, assim, a Semana do Mar, mais do que meia dúzia de concertos, torna-se numa semana de experiências. Experiências de amizade e comunhão e alegria. Adoro muito a Semana do Mar.
Este ano, pela primeira vez que me lembro, não vou estar na Semana do Mar, porque não posso. Deixa-me triste que seja no ano do Dillaz, que quero ver em concerto há meia dúzia de anos, e dos Delfins, cujo Nasce Selvagem é um hino pessoal. Deixa-me triste que seja no ano seguinte a ganhar com os meus amigos o torneio de pólo aquático e não possa estar lá para defender o título. Deixa-me triste que seja no ano em que decidi voltar a nadar, portanto talvez melhorasse um bocadinho os meus tempos nas travessias das docas. Mas espero que seja uma Semana do Mar linda. E que para o ano voltemos à avenida!

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO

Por favor escreva o seu comentário!
Por favor coloque o seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!