Durante a semana passada, através da comunicação social regional, ficamos a saber que contrariamente ao que o Governo Regional apregoa, as dívidas deste executivo, somam e seguem sem qualquer tipo de decoro, afetando diversos setores da nossa sociedade. Bem sabemos que esta coligação está assente na utopia do “endividamento zero”, e também sabemos que se atentarmos ao ritmo alarmante a que cresce a dívida da Região, tal não está a ser cumprido.
As consequências deste aumento exponencial da dívida, impactam diretamente famílias, empresas e instituições, as quais começam a ser denunciadas em catadupa. Entramos no mês de agosto a abrir a “caixa de pandora” da coligação (PSD/CDS-PP/PPM), até então negligentemente ocultada pelo executivo, e quiçá apreciada por quem prefere acreditar que tudo vai bem no “País das Maravilhas”. Os protestos começaram pela Federação de Bombeiros dos Açores, que acusa o governo de não ter cumprido na totalidade com a palavra dada sobre a dívida da Região às 17 Associações Humanitárias. À voz dos soldados da paz, juntou-se a voz dos enfermeiros, dos doentes de outras ilhas que se deslocam ao Hospital da Horta, da Associação de Comerciantes do Setor das Pescas, da própria Comunicação Social, da Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada, dos fornecedores do Serviço Regional de Saúde, da AHRESP, de todos aqueles que optam por não tornar pública a sua preocupação, mas que o fazem em surdina com receio de eventuais represálias, e eventualmente de outros que se venham a juntar a todos os que desesperam pelo pagamento do Governo Regional dos Açores, até à publicação deste artigo.
Qualquer uma das situações elencadas merece a minha total solidariedade e a minha preocupação, mas não posso deixar de destacar o atraso de mais de seis meses, no pagamento dos reembolsos dos doentes que residem em ilhas sem hospital, que necessitam de se deslocar ao Hospital da Horta para consultas. Ter de suportar as despesas da sua deslocação antecipadamente, já é mau, mas não ser ressarcido assim que regresse a casa, é no mínimo indigno, injusto, em suma, inqualificável, até porque situações há, em que este dinheiro faz muita falta no orçamento familiar do doente, e ninguém tem o direito de privar estas pessoas daquilo que, por direito, é seu.
Mas quanto a dívidas do Hospital da Horta (ou seja, da Secretaria Regional da Saúde e Segurança Social), lamentavelmente não ficamos por aqui, e convém relembrar que a culpa de algumas Clinicas Privadas verem-se atualmente com sérias restrições financeiras, consequência do incumprimento do protocolo com o HH, é da exclusiva responsabilidade da SRSSS, que para além de não pagar as centenas de milhares de euros em dívida, não tem a decência de responder aos apelos destes empresários, nem que para tentarem em conjunto chegar a uma solução que lhes permita gerir o seu negócio de uma forma saudável e não na inquietude do dinheiro que tarda em chegar.
Qualquer gestor, por melhor que seja, tem de saber lidar com as dívidas, muitas vezes, consequência do próprio tipo de negócio. O que não pode acontecer, é quem deve, não se apresentar aos seus credores, fugir destes, ignorando por completo inúmeras comunicações feitas pelos canais ditos “oficiais”.
É que o empresário que não recebe, e que nem tão pouco é merecedor de um pedido de desculpas, é exatamente o mesmo que, coincidentemente, também durante a semana passada, recebeu na sua caixa de correio, um comunicado da Câmara Municipal da Horta, a solicitar o pagamento de faturas de água em atraso, ou na falta deste, o aviso de suspensão do seu abastecimento.
Estranho mundo este…















