Início Artigos de opinião Fernando Teixeira Centenário da primeira travessia aérea do Atlântico – Parte III

Centenário da primeira travessia aérea do Atlântico – Parte III

0
100

OS IRMÃOS WRIGHT
No último artigo, analisámos o nascimento do avião: o “FLYER” dos irmãos Wilbur e Orville Wright, na versão de 1903. Mas quem foram estes dois irmãos a quem a Aviação tanto deve? Estes dois irmãos de Daytona, Ohio, proprietários de uma fábrica de bicicletas foram dois verdadeiros cientistas que desenvolveram a ciência aerodinâmica nos finais do séc. XIX. Os seus conhecimentos permitiram-lhes, nos primeiros anos do séc. XX, fazerem voar um avião controlável que voaria em 17 de Dezembro de 1903. Definitivamente, não foram compradores de um avião para nele tentarem voar, como tantos pioneiros fizeram. Eles foram, antes de mais, conceptores de planadores, numa fase anterior à do avião, para, depois, com a experiência ganha, dedicarem-se ao “FLYER de 1903”. Esse, sim, um avião. Conceberam um sistema de controlo lateral da aeronave através da torsão das asas, sistema que haveria de ser abandonado a favor do sistema de “ailerons” concebidos por Glenn Curtiss. O “C” do NC-4. O “N” significava Navy.
Interessantíssimos os trabalhos teórico-práticos dos irmãos Wright, mas cuja análise nos levaria a uma descrição totalmente fora do âmbito destas pequenas crónicas, comemorativas do Centenário da Primeira Travessia Aérea do Atlântico.
Wilbur Wright, o primeiro homem a pilotar um avião, nascido a 16 de Abril de 1867, vem a falecer com 45 anos, em Daytona, a 30 de Maio de 1912, vítima de febre tifóide.
Por seu lado, Orville Wright, nascido a 19 de Agosto de 1871 vem a falecer já com 76 anos, em Daytona, no dia 30 de Janeiro de 1948. Orville, vítima de um ataque cardíaco. Fez o seu último voo, como piloto, em 1918. Foi membro da National Advisory Committee for Aeronautics (NACA) (antecessora da NASA) e da Aeronautical Chamber of Commerce (ACCA). Foi, ainda, membro da National Academy of Sciences.

A GUERRA COMO CATALISADOR DA EVOLUÇÃO
Normalmente as guerras – essas aberrações da Humanidade – assumem um factor de catalisação para o desenvolvimento tecnológico. A Primeira Grande Guerra (1914 – 1918) – a guerra destinada a acabar com todas as guerras, como era slogan na altura – não foi uma excepção.
Os Estados Unidos, preocupados com as elevadas perdas de navios, destruídos pelos submarinos alemães no Atlântico, sentem a necessidade de dispor de uma arma que inverta a situação. E essa arma seria indubitavelmente o avião. Contudo, seria um avião que, tecnologicamente ainda não existia e estava fora da realidade tecnológica do momento. E, mais uma vez, a guerra vai impulsionar a evolução técnica no sentido de produzir essas aeronaves inexistentes.

1917 O ANO DO ARRANQUE DO PROJECTO DOS HIDROAVIÕES NC’s
Nos princípios de Setembro deste ano de 1917, era Secretary of the Navy, Mr. Josephus Daniels e Assistant Secretary of the Navy, Mr. Franklin D. Rosevelt, mais tarde Presidente dos USA por quatro mandatos, o Rear Admiral David W. Taylor, que desempenhava a função de Chief Constructor of the United States Navy, ele próprio um reputadíssimo engenheiro construtor naval, convoca o Cmd. George Westervelt (cofundador da Boeing), o Cmd. Holden Richardson e o Cmd. Jerome Hunsaker e ordena-lhes o desenvolvimento de um avião que possuísse uma autonomia de 1933 milhas náuticas (NM), capaz de voar entre a Terra Nova e a Irlanda ou, em alternativa, um avião capaz de voar entre a Terra Nova e Lisboa, via Açores. A rota dos Açores, foi, contudo, a preferida por não estar sujeita às condições meteorológicas mais difíceis da rota mais a norte – a rota da Irlanda.
A este grupo é convidado juntar-se Mr. Glenn H. Curtiss, proprietário da Curtiss Aeroplane Company, a mais reputada fábrica de aviões do momento e inventor do sistema de controlo lateral dos aviões através de “ailerons”.
Em três dias (!) Glenn Curtiss e a sua equipa de engenheiros desenvolvem duas soluções para resolver o problema: um hidroavião de casco com 3 motores e 1000 hp de potência e um hidroavião de casco com 5 motores e 1700 hp de potência.
A equipa do Adm. Taylor opta pela solução hidroavião de casco com 3 motores e 1000 hp de potência equipados com motores Liberty. Na realidade os aviões que atravessaram o Atlântico viriam a estar equipados com 4 motores. A rota a utilizar seria a rota dos Açores o que implicava uma autonomia mínima de 1300 NM.
Para implementar o projecto é constituída uma parceria entre o Navy Department e a Curtiss Aeroplane Company, de Buffalo, NY, centralizando, esta última, o projecto.
Tinha sido dada a partida para a grande aventura de voar sobre o Atlântico, da América à Europa. Note-se que este grande projecto nasce, somente, 14 anos após o primeiro voo do Flyer em Dezembro de 1903. Uma variação de envergadura de 12,2 m para o Flyer e uma envergadura de 38,4 m para os NC’s.

Fernado Teixeira

Por expresso desejo manifestado por Fernando Menezes Teixeira, os seus textos são publicados com a ortografia anterior ao Acordo Ortográfico de 1990.

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO

Por favor escreva o seu comentário!
Por favor coloque o seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!