Centenário de Frederico Machado – Um currículo notável, um legado à espera do reconhecimento

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A Associação dos Antigos Alunos do Liceu da Horta (AAALH), evocou o Professor Frederico Machado assinalando o Centenário do seu nascimento numa cerimónia que decorreu no Jardim de Inverno da Sociedade Amor da Pátria.
A presença de mais de 80 pessoas neste evento, confirma que a figura “maior” da cultura e da ciência na História dos Açores deve ser recordada na sociedade faialense por dever de memória ao seu percurso de vida social e cívica, mas também, por gratidão das gerações que o consideraram o “cientista do povo” durante a erupção do Vulcão dos Capelinhos.
Das diferentes intervenções e em especial dos propósitos enunciados para as homenagens em curso pode concluir-se que a grandeza da obra científica deste “Homem invulgar” não foi ainda devidamente tratada e reconhecida nas Universidades que serviu.

Na passada quinta-feira, dia 9 de agosto teve lugar uma homenagem ao “mais brilhante cientista da História do Faial”, que foi organizada numa parceria entre a Sociedade Amor da Pátria e a AAALH.
Integrada nas comemorações dos 60 anos do Vulcão dos Capelinhos, através de um programa próprio dedicado ao Centenário do Professor Frederico Machado ao longo de um arco histórico balizado pelas referências simbólicas, ’24/5′, data do nascimento de Frederico Machado e ’24/10′, dia em que terminou a erupção do Vulcão dos Capelinhos e que encerra também estas comemorações.
A sessão de homenagem foi acolhida no Jardim de Inverno do ‘Amor da Pátria’ que se encontrava repleto de amigos e admiradores de Frederico Machado. Na mesa da sessão, o anfitrião, José Menezes, Presidente da Direção desta sociedade, estava acompanhado pelo orador convidado, António Frias Martins, Professor Catedrático Jubilado da Universidade dos Açores, figura de grande prestígio nos meios académicos e Presidente desde 1990 da Sociedade Afonso Chaves.
Integravam ainda a mesa as personalidades que apresentaram testemunhos sobre memórias de Frederico Machado na Sociedade Faialense- Hélder Silva, Guilherme Pinto, Jorge Gonçalves e Jorge Dinis.
A abrir a sessão José Menezes cumprimentou a assistência, aludiu a aspetos fulcrais da história da Sociedade “Amor da Pátria” e referiu factos marcantes da ligação de Frederico Machado a essa história: Presidente da Direção, impulsionador da ideia de um núcleo cultural e autor do projeto que valorizava o edifício dotando-o com uma sala de cinema.
Na sua intervenção José Menezes integrou também a projeção de um extracto da última entrevista de Frederico Machado à RTP.
Os testemunhos incluídos na sessão foram iniciados com a participação de Jorge Gonçalves que evocou a ação de Frederico Machado na criação do Rotary Clube da Horta, sendo o seu primeiro Presidente, e a sua passagem pelo Liceu da Horta como Professor de Matemática.
Guilherme Pinto, na qualidade de presidente do Núcleo Cultural da Horta, recordou as circunstâncias e as personalidades que acompanharam Frederico Machado na criação do Núcleo e a função determinante do homenageado como editor do respetivo boletim.
Por sua vez, Jorge Dinis socorrendo-se das memórias que seu pai, Faria Dinis, lhe transmitiu, na qualidade de colaborador de Frederico Machado na antiga delegação das Obras Públicas e nos estudos sobre o Vulcão dos Capelinhos e das suas próprias recordações, evocou o perfil afável “desse grande senhor”. Por fim, Helder Silva, presidente do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores ocupou-se das funções pioneiras de Frederico Machado na criação e lançamento daquela unidade que constitui o Pólo da Horta da UAc, citando algumas fontes relevantes sobre o pensamento de Frederico Machado.
Henrique Barreiros, representando a AAALH, centrou a sua intervenção apenas no que foi acrescentado à memória de Frederico Machado nas sucessivas homenagens anteriores em que a AAALH participou, em 1996 em Lisboa na Casa dos Açores, em 2000 também em Lisboa, quando lhe foi atribuída a qualidade de primeiro Sócio Honorário da AAALH e em 2004 no Faial com a Universidade dos Açores.
Recordou os factos originais que nesses momentos foram pesquisados sobre o currículo de Frederico Machado e enunciou os grandes objetivos que espera sejam cumpridos a partir do presente programa de homenagens – a organização pela Universi-dade dos Aço-res da sessão de encerramento deste ciclo de homenagens; o atendimento da proposta lançada à Universidade para que seja dado o nome de Frederico Machado ao auditório do DOP; a reparação da omissão de todos os partidos políticos com assento na ALRAA, por terem esquecido Frederico Machado no Dia dos Açores no ano do seu Centenário (a excelência da obra deste cientista nunca mereceu a atenção dos eleitos para a Assembleia); a produção de um trabalho sobre História da Ciência em que uma equipa de investigadores “descubra” e analise em contexto os contributos originais da obra científica de Frederico Machado; e, finalmente, a preparação de uma obra “liber amicorum” que reúna as memórias de pessoas e instituições sobre o cidadão, o cientista e o Professor Frederico Machado.
A encerrar, Frias Martins no seu estilo “peculiar, de entusiasmo, vivacidade e rigor”, apresentou uma reflexão que intitulou “Um vulcão, um Homem, uma homenagem: de como, à semelhança de outros grandes Açorianos do passado, Frederico Machado foi o homem certo no momento certo”.
Este professor ‘inverteu’ a opinião comum de tributar o valor científico de Frederico Machado à ocorrência do Vulcão dos Capelinhos, foi crítico da incapacidade da UAc, em assegurar a continuidade do contributo deste Professor pioneiro da sua implantação e referiu-se ao papel da Sociedade Afonso Chaves como baluarte da divulgação e da promoção do pensamento científico nos Açores, aí incluindo naturalmente a ação de Frederico Machado na presidência da Sociedade durante a década de 80 do século passado, assim como autor de estudos publicados na revista da Sociedade ‘Açoreana’.
Após esta sessão de homenagem, os participantes reuniram-se num jantar convívio no Salão Nobre do ‘Amor da Pátria’ que, embora preenchendo o tradicional encontro anual no Faial de Antigos Alunos do Liceu, permitiu também prolongar, de modo informal, a troca de memórias sobre o homenageado.