Chegou a mudança?

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DR/TI
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Por: Tiago Simões da Silva

 

No passado Domingo as eleições autárquicas ditaram uma “viragem” na governação do concelho, pondo fim a décadas de continuidade sob a mesma cor partidária. Concretizou-se assim o lema da campanha, que confiava e previa que “a mudança está a chegar”.
A mudança é constante e inevitável, já afirmava Camões no famoso soneto, não necessariamente sempre positiva, mas, mesmo que não o seja, é útil enquanto motor de debate e alternativa à estagnação. A mudança na câmara é naturalmente resultado de uma alteração da forma de pensar e de agir da comunidade, que se foi manifestando nos últimos anos. Um dos sintomas mais importantes, e que constituiu em si mesmo já uma mudança, foi um aumento da participação dos cidadãos (tanto no âmbito político-partidário como de outras formas), assim como um crescente sentimento de que o debate público poderia realmente ser consequente. Tudo isto é, em si, positivo, mas a mudança da “cabeça” não resolve nada se todo o corpo da comunidade e das instituições não a acompanhar e, como é expectável, os hábitos e vícios enraizados continuam (e continuarão) presentes. O grande desafio que o Faial enfrenta a partir de agora – que todos nós enfrentamos – é a necessidade de pensarmos uma nova forma de estar e de agir, enquanto cidadãos e enquanto comunidade. A meu ver, a nova equipa da câmara terá como principal desafio ser capaz de desenvolver práticas de governação próximas e transparentes e, sobretudo, de envolver os faialenses na governação da ilha. Do nosso lado, enquanto cidadãos, cabe-nos sermos capazes de tomar iniciativas próprias e de fiscalizar o trabalho das instituições.
Para simplificar, diria que temos três desafios a partir de agora:
1. Sarar as feridas da bipolaridade partidária e procurar formas de trabalhar todos em conjunto;
2. Desenvolver mecanismos de envolvimento da comunidade na governação e práticas de discussão pública;
3. Partir do ponto anterior para se identificar e priorizar os problemas da ilha e poder assim pensar, com conteúdo e amplitude, estratégias para um desenvolvimento coeso, integrado e sustentável, onde se definam desde o início os objectivos e os meios para os atingir.
A partir daqui entraremos nos problemas concretos, os que andam nas bocas do mundo e das campanhas e os outros que estão esquecidos ou por identificar, mas só mudando o paradigma da governação e da participação pública poderemos realmente desenvolver de forma útil e construtiva. E para isso é preciso um compromisso de toda a comunidade, caso contrário continuaremos todos presos aos mesmos hábitos e a mudança ficará, mais uma vez, no papel.
Deixo uma saudação a todos os candidatos, em particular à equipa agora eleita para a câmara municipal, mas fazendo votos que todos, eleitos e não eleitos, continuem disponíveis para dar o seu contributo activo daqui por diante.
A mudança chegou e está à espreita, mas só entrará se todos deixarmos.

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Em defesa da Língua Portuguesa, o autor deste texto não adopta o “Acordo Ortográfico” de 1990, devido a este ser inconsistente, incoerente e inconstitucional (para além de comprovadamente promover a iliteracia em publicações oficiais e privadas, na imprensa e na população em geral).

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