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Colégio de Santo António fundado há 158 anos

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No dia 28 de Dezembro completa 158 anos de existência a Casa de Infância de Santo António instalada no antigo convento do mesmo nome e fundada com a designação de Asilo da Infância Desvalida.
Criada por alvará do governador civil do distrito da Horta, conselheiro António José Vieira Santa Rita (1842-1846;1847-1849 e 1857-1887) – o mesmo que em 13 de Junho de 1843 estivera na génese do Asilo de Mendicidade que abriu com 57 internados de ambos os sexos – também esta casa, para apoio “às crianças desvalidas do sexo feminino”, ficou dependente da caridade pública, já que, naquela época o Estado se limitou a ceder as instalações do centenário mosteiro de que se havia apropriado uns anos antes!
A fundação desta instituição foi a concretização do projecto concebido e apoiado pelo governador Luís Teixeira de Sampaio Júnior (1852-1857) que em Julho de 1855 se “dirigiu a todas as pessoas respeitáveis do distrito, e mesmo fora dele, pedindo-lhe o seu consenso e apoio” tendo conseguido “uma soma importante para os primeiros preparativos” 1, boa parte dela angariada em Lisboa por seu pai (o 1º Visconde Cartaxo) que ali promoveu uma subscrição para a qual contribuiu com a importante soma de 500$000 reis fortes2- Além dos problemas financeiros, o governador Sampaio Júnior aguardava que o Ministério do Reino acolhesse o seu pedido de cedência do convento de Santo António, o que só foi deferido em 28 de Julho de 1857, apenas uns dias antes de haver cessado as funções de primeiro magistrado distrital sendo substituído em 14 de Agosto pelo conselheiro António José Vieira Santa Rita. Este deu continuidade àquele propósito, como se vê no seu Relatório ao Ministério do Reino de 1857, onde assinala que “o Asilo de Infância Desvalida, que se projectava colocar no convento de Santo António, doado para esse fim pela Portaria de 28 de Julho de 1857, não pôde ainda ser criado em consequência dos poucos meios de que actualmente dispõe a maior parte dos habitantes deste distrito, com cuja filantropia só se pode contar para tão santo e piedoso fim”.
Mesmo assim nomeou, em Janeiro de 1858, uma comissão de cinco elementos liderada pelo padre João Pedro de Ávila “para cobrar e administrar as esmolas que pudesse obter para a instituição de um asilo de infância desvalida no convento de Santo António, cuja administração lhe encarregou” 3 . Não era decorrido um ano e a desejada e necessária instituição era inaugurada.
Contemporâneo do acontecimento, o investigador Silveira Macedo informa que isto só foi possível “por meio de donativos, com que várias pessoas contribuíram e estabeleceram uma irmandade do Santo [António] aplicando para o dito asilo a importância da entrada e pautas dos irmãos”, e que assistiram a ela “o conselheiro governador civil e os principais da ilha que ofereceram às asiladas um lauto jantar”. De começo eram apenas oito as meninas que ali se albergavam, as quais – de acordo com informação constante de uma carta de 25 de Abril de 1859 dirigida ao Bispo da Diocese pela respectiva comissão administrativa – recebiam não só o sustento e vestuário necessários à vida, “mas também a educação própria do seu sexo, em que se compreende mui principalmente a instrução religiosa e, após esta, a literária, sob a direcção duma digna directora interina”. Nesta epístola os membros da comissão administrativa – padre João Pedro de Ávila, António Jacinto de Melo, João Pedro da Silveira Mesquita Pimentel, José Maria de Sequeira e Manuel Inácio de Sousa Brasil – manifestavam-se confiantes de que, com o decorrer do tempo, o filão da benemerência iria aumentando, assim permitindo “os meios necessários para ampliar e estender a maior número de crianças indigentes e desvalidas o benefício que oferece este pio estabelecimento”. 4 Colocado sob a protecção do Príncipe D. Luís, que em Novembro de 1858 aqui estivera em demorada visita e que lhe oferecera a elevada quantia de 40 mil reis, o Asilo da Infância contou nos seus primórdios com generosas dádivas que se revelaram decisivas para que se mantivesse e fosse ampliando, em quantidade e qualidade, o apoio às crianças mais desprotegidas. Além da contribuição meramente supletiva do governo, contam-se entre os seus primeiros e principais benfeitores o mencionado Visconde do Cartaxo, o comendador José Maria de Sousa, o rico emigrante no Brasil António Teles de Lacerda, D. Bárbara Street de Arriaga, o cônsul americano nos Açores Carlos Guilherme Dabney, o conselheiro Santa Rita, o visconde de Santana, João Cristiano da Silva Parole e o dr. Manuel Severino de Avelar. Estes e alguns outros que lhes foram sucedendo, residentes no Faial ou emigrantes que fizeram fortuna em terras da diáspora açoriana, conseguiram com legados e donativos, amparar e manter esta benemérita instituição. Em 1932, quando entraram ao seu serviço as Irmãs Franciscanas Hospitaleiras, começou a funcionar o Colégio de Santo António que durante largos anos – até à década de 70 do século XX – desenvolveu uma notável acção educativa, servindo indistintamente as assistidas, as alunas externas ou as internas que, vindas de quase todas as ilhas açorianas, receberam naquele conceituado estabelecimento de ensino a sua formação liceal. Em 1970, com a aprovação de novos estatutos, a instituição passou a designar-se oficialmente Casa de Infância de Santo António. Ao longo dos seus 158 anos de existência os serviços prestados à comunidade faialense e açoriana têm sido notáveis.
Por ocasião dos festejos do seu 1.º Centenário, o “Correio da Horta” publicou, na edição de 28 de Dezembro de 1958, um Suplemento de quatro páginas elaborado pelo jornalista Raul Xavier que contém preciosas informações sobre a vida desta instituição, com realce para os “Tópicos históricos ao redor de um século”. Nessas comemorações o dedicado Presidente da Direcção, Raimundo Rodrigues Garcia de Lemos redigiu e ofereceu um volumoso Álbum Histórico, “todo manuscrito e recheado de esplêndidas fotografias” onde “reuniu toda a história secular da Instituição”. Esse “trabalho de inteligente dedicação e de paciência beneditina” , mais os livros de actas, os jornais faialenses e as publicações “Uma obra ímpar abençoada por Santo António”, de Aurélia Armas de Sousa Fernandes e “Casa de Infância de Santo António – subsídios para uma história”, de Carlos Lobão (editado por ocasião do seu 140º aniversário) constituem instrumentos de consulta indispensável para melhor se conhecer a obra imensa realizada por aquela Casa de Caridade.
Com a insuprível saída das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras em Julho de 2007 – após 75 anos de inestimáveis e generosos serviços que propiciaram uma educação integral a centenas de crianças e de jovens – acentuou-se a secularização desta instituição de solidariedade social, diminuindo-lhe a missão formativa que tanto a caracterizava.
Presentemente, continua procurando cumprir a missão que presidiu à sua fundação, tendo “o Lar, em regime de internato, com duas casas, uma mista de crianças até aos 12 anos e uma de jovens feminina até aos 18 anos de idade”.

1 Luís Teixeira de Sampaio, Relatório do Governo Civil da Horta, 1856
2 Cf. A.L. Silveira Macedo, História das Quatro Ilhas …II vol. p.228
3 Idem, Ibidem, p.246
4 “O Fayalense”, 1859, Junho 12 (n.º 46 do 2.º ano), pp. 362 e 363

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