Comunicado de imprensa : Decisão de privatização da SATA Azores Airlines é um péssimo negócio para os Açores e um ótimo negócio para privados

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Na sequência do anúncio por parte da Comissão Europeia da decisão de aprovação do plano de reestruturação da SATA e tendo em conta os termos dessa reestruturação o Bloco de Esquerda considera que o plano de restruturação da SATA aprovado pelo governo regional da direita e pelo governo da república do PS é um ótimo negócio para os privados e um péssimo negócio para os açorianos e açorianas.

O Bloco sempre defendeu que a recapitalização da empresa é fundamental para reduzir o peso da sua dívida e permitir o regresso à sustentabilidade da operação e a sua manutenção na esfera pública a 100%.

No entanto, a Comissão Europeia e o Governo Regional impõem em paralelo à recapitalização, que atinge 453ME em diversas modalidades, a privatização de 51% da SATA Azores Airlines.

A privatização da SATA Azores Airlines significa que serão os contribuintes a pagar os prejuízos acumulados para entregar uma empresa limpinha a uma companhia aérea privada, no que constitui um negócio de sonho para os privados mas ruinoso para os contribuintes.

Abdicar da SATA Azores Airlines é ainda deixar as ilhas com gateways não liberalizadas (Pico, Faial e Sta. Maria) sem garantia de manterem as acessibilidades ou, em alternativa, aumentar muito os custos para as manter.

A privatização significa também colocar em causa as ligações à diáspora, assim como renunciar a um instrumento económico importantíssimo para os Açores, ao nível do fomento e atração da atividade económica na região.

A separação da operação de handling e desinvestimento anunciada pela Comissão Europeia é um sinal claro da intenção de entregar essa área de negócio a privados, tal como aconteceu no passado com a TAP, para garantir o negócio a privados, e coloca em causa os postos de trabalho, com a agravante de acontecer num momento de crise e incerteza.

Assim, para o Bloco de Esquerda coloca os contribuintes a pagar um plano de reestruturação que tem uma clara intenção de desmantelar e privatizar o grupo SATA, mantendo apenas e para já, a SATA Air Açores, deixando a mobilidade dos açorianos e açorianas nas mãos do mercado e colocando também em causa os postos de trabalho.