Consenso volta ao Conselho de Ilha do Faial

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 Depois dos tempos conturbados que marcaram o Conselho de Ilha do Faial durante a presidência de Ângelo Duarte, a unanimidade voltou àquele órgão consultivo, e foi mesmo a bitola por onde afinaram todos os seus membros durante a primeira reunião sob o mandato de Guilherme Pinto. O Conselho reuniu na tarde de ontem para emitir um parecer sobre a criação do Parque Marinho dos Açores, no entanto fica também marcada pela elaboração de uma elencagem dos investimentos que os conselheiros consideram estruturalmente importantes para o Faial, que será remetida ao Governo Regional, de modo a ser tida em análise na elaboração do Plano e Orçamento para 2012.


A primeira reunião do Conselho de Ilha (CI) presidida pela Mesa de Guilherme Pinto (NA FOTO) trouxe indícios de bonança para o funcionamento daquele órgão, que viveu tempos de grande tensão sob a presidência de Ângelo Duarte. A unanimidade voltou a reinar entre os conselheiros, que se mostraram bastante satisfeitos com os métodos de trabalho introduzidos pela nova Mesa.

Esta reunião fica marcada pela ausência do anterior presidente, Ângelo Duarte, que integra o CI na qualidade de presidente da Câmara do Comércio e Indústria da Horta (CCIH). Segundo Guilherme Pinto, Duarte passará a fazer-se representar no CI por Evaristo Brum, que também integra a direcção da CCIH.

O CI reuniu com o intuito de imitir um parecer sobre a criação do Parque Marinho dos Açores, e a Mesa optou por preparar um documento de trabalho, onde apresentou sumariamente a proposta do Governo Regional aos conselheiros, bem como uma apreciação prévia, que colocou à discussão.

Para a Mesa, o Parque Marinho dos Açores será uma mais-valia para o Faial “já que terá aqui a sua sede, o que pode estabilizar algum emprego e ser o palco preferencial para a recepção de equipas científicas”. No entanto, a Mesa do Conselho de Ilha lembrou que a criação do Parque Marinho trará condicionantes aos pescadores da Região, e propôs que a Assembleia Regional auscultasse representantes do sector antes de votar o documento, uma vez que no Conselho de Ilha não está representada nenhuma associação da pesca, o que, de resto, foi já proposto.

A apreciação previamente elaborada pela Mesa agradou ao Conselho, que sugeriu apenas que se acrescentasse uma ressalva à importância da fiscalização. A sugestão partiu do conselheiro Jorge Costa Pereira, que referiu que “não vale a pena criar áreas de protecção se não houver depois a respectiva fiscalização”, lembrando que a actividade fiscalizadora do Mar dos Açores não depende da Região.

Conselho de Ilha do Faial envia lista de obras prioritárias ao Governo Regional

Nesta reunião do CI, Guilherme Pinto sugeriu aos conselheiros que se elaborasse uma elencagem das obras estruturantes para o Faial que não estão em vias de ser concretizadas, de modo a constituir um documento para enviar ao Governo Regional, para que este o tenha em conta no processo de elaboração da proposta de Plano e Orçamento da Região para 2012.

Os conselheiros acolheram com bons olhos esta iniciativa da Mesa, que trouxe aos trabalhos um documento previamente preparado onde apresentava uma lista de reivindicações para a ilha do Faial, documento esse que foi elaborado com base nas anteriores actas do CI. A ampliação da pista do aeroporto da Horta, a segunda fase da Variante, a construção do Campo de Golfe e do Estádio Mário Lino são algumas das obras que figuram na lista, bem como a Reabilitação de algumas estradas regionais, a construção da Pousada da Juventude, a recuperação das igrejas do Carmo e de São Francisco, as Termas do Varadouro, o Matadouro do Faial e a continuação da reabilitação da frente marítima da cidade. Os conselheiros foram unânimes em reconhecer a pertinência destas reivindicações.

O presidente da Câmara Municipal da Horta, João Castro, propôs a inclusão nesta lista da construção do novo Quartel dos Bombeiros. Já Luís Garcia, deputado regional eleito pelo PSD/Faial, mostrou-se preocupado com o futuro da produção agrícola na ilha, sector estruturante para a economia local. Garcia lembrou que “uma obra não acaba com a sua inauguração”, referindo-se à fábrica de lacticínios, que se vê a braços com a falta de produção de matéria-prima. O conselheiro destacou ainda a importância de apostar na diversificação agrícola. Assim, mediante a proposta de Luís Garcia, a necessidade de aumentar e diversificar a produção agrícola no Faial passou também a incluir a lista de preocupações que o CI do Faial vai remeter ao Governo.

Garcia mostrou-se também preocupado com o Hospital da Horta, uma vez que, e apesar da anunciada construção do Bloco C, o novo hospital de Angra do Heroísmo tem dado aso a muitas especulações, com algumas vozes a sugerirem que aquela nova valência poderá servir as sete ilhas dos Grupos Central e Ocidental.  

O deputado regional aproveitou ainda a ocasião para pedir ao CI uma “reflexão sobre a verdadeira situação social do Faial”, face aos tempos de crise que o país e a região atravessam, com Guilherme Pinto a sugerir essa reflexão para a ordem do dia de uma das próximas reuniões.

O CI do Faial deverá voltar a reunir a título ordinário no próximo mês de Outubro.

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