Numa economia aberta e globalizada, como a que vivemos atualmente, a capacidade de concorrer, ser competitivo, determina a distância entre os que vencem, crescem e se desenvolvem e os que não conseguindo competir, são vencidos, regridem e se atrasam. Na base da crise portuguesa radica esta falta de capacidade de competir em economia aberta, quer no espaço europeu onde nos integramos, quer na esfera mundial onde a globalização nos integra. Ao não sermos competitivos, devemos a falta de crescimento da última década, o termos importado permanentemente muito mais que exportámos e para o pagarmos, termos tido continuamente de nos endividar.
A integração dos mercados, o progresso tecnológico nos transportes e nas comunicações democratizou o crescimento e o desenvolvimento no mundo, fazendo imergir um cada vez maior número de nações no espaço económico mundial. A utilização mais eficiente dos recursos ajudou a aumentar a produtividade e a trazer o desenvolvimento.
Contudo, em Portugal, um dos problemas centrais que mais afeta a competitividade da economia é a falta de produtividade. É de apenas 56,7% da média da UE a 15 Estados, sendo neste mesmo universo, os trabalhadores portugueses, a larga distância, os mais mal remunerados com 12,1€/hora. A média da UE27 é de 23,3€. Os trabalhadores portugueses são também dos que mais tempo trabalham, a duração anual média de trabalho em Portugal é a terceira mais elevada da Europa, à frente da Alemanha, com cerca de 1870 horas. Não é portanto pelo nível dos salários nem por trabalharmos poucas horas que não temos produtividade, nem somos competitivos.
Das várias questões assinaladas que se assumem como entraves à competitividade do nosso país, destacam-se os problemas da justiça, burocracia, aversão ao risco, a falta de apoio às empresas de valor acrescentado, para além dos problemas de organização do trabalho e a deficiente preparação dos nossos gestores.
Mas há um problema que verdadeiramente está na base de todos eles – os nossos baixos níveis médios de qualificação. A população portuguesa entre os 25 e os 64 que concluiu o ensino secundário, cifra-se nos 35%, enquanto a média europeia, incluindo os “novos Estados” do leste europeu, é de 73.4%! Portugal é o último país da União Europeia, se não tivermos em conta Malta. O nosso abandono escolar supera 10% a média europeia, afeta 23,2% dos portugueses entre os 18 e os 24 anos e é o segundo pior da União. Ao mesmo tempo, a população envelhece e muitos jovens qualificados emigram.
A verdade é que um país ou uma região com pessoas bem preparadas, tem melhores empresas, tem melhores instituições e melhores possibilidades de êxito na competição global. É lamentável por isso a inversão na estratégia nacional, o desinvestimento e as ameaças em curso pelo Governo da República na Educação em Portugal. Levam-nos na direcção contrária, afastando-nos ainda mais das soluções para a nossa falta de capacidade competitiva.
Vasco Cordeiro colocou por isso muito bem, no Congresso do PS Açores, o foco no essencial, afirmando que o seu trabalho “obriga a uma atenção intensa no mais importante: a Educação. A grande aposta é a consolidação do sucesso educativo, estabelecendo metas ambiciosas a cumprir por todos os intervenientes no sistema”.
É verdade que a questão do financiamento do Estado é da maior importância para Portugal. O regresso ao financiamento do País diretamente nos mercados representa readquirir soberania. Mas convém ter presente que não foi por falta de financiamento dos mercados que chegamos onde chegámos. Foi por falta de competitividade. E neste particular, continuamos no País em grande regressão.











