Os jovens podem ser a força da mudança

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“….o sucesso ou insucesso da refor-ma de regras e incentivos de mercado, sistemas políticos, instituições e sociedades dependerá da velocidade com que os indivíduos e os grupos empenhados num futuro sustentável adquirirem força, capacidade e determinação suficientes, ligando-se uns aos outros, para expressar e realizar as suas esperanças e sonhos de um mundo melhor”, escreveu no seu último livro – “O Futuro” – Al Gore, ex vice-presidente dos Estados Unidos, vencedor do prémio Nobel da Paz e uma referência na mobilização para a participação ativa dos cidadãos na mudança necessária para os caminhos que conduzem a um futuro melhor.

Na União Europeia (UE) temos porventura o mais belo projeto político da história da Humanidade – uma agregação de Estados em busca de um nível de desenvolvimento comum, com respeito pelos direitos humanos, como sonharam os seus pais fundadores. Nos Açores, para além dos mais de 35 anos de Regime Autonómico, os mais de 25 anos de integração na UE contribuíram também para a transformação profunda do arquipélago.

Porém, a UE enfrenta hoje uma grave crise económica e social. Mas também de confiança. Precisamos de conseguir definitivamente envolver os cidadãos e de construir um projeto que ponha o destino dos Europeus como desígnio principal, libertando-nos desta Europa que nos deixou reféns dos interesses económicos, politicamente anémica, sem coesão social e económica e com cada vez menos capacidade competitiva face ao mundo globalizado.

Mas há esperança no futuro se fizermos as reformas inadiáveis neste projeto europeu. Se construirmos um novo caminho de uma Europa para Todos, que deixe para trás o flagelo do desemprego, em particular o desemprego dos jovens. Se hoje se destrói ou adia a possibilidade dos jovens construírem um projeto de vida, também os Estados desperdiçam competências preciosas da geração que até hoje melhor qualificámos. Num mundo globalizado, de potências económicas emergentes, perdemos know-how e capacidade competitiva com esta geração ausente do mercado de trabalho. Que futuro podemos nós ambicionar se mantivermos os jovens afastados da sua construção?

Os jovens são uma fonte poderosa de mudança. O exemplo de Malala Yousafzai, reconhecido pela UE com o prémio Sakharov, demonstra-o bem. Malala é uma adolescente de 16 anos com uma coragem, força e maturidade incríveis, que nos impressiona sempre que intervém. Assisti ao discurso dela no Parlamento Europeu, quando disse que as crianças paquistanesas não querem um iphone ou um ipod, nem sequer de chocolates, querem antes um professor, um livro e uma caneta, porque com isso podem mudar as suas vidas e transformar o mundo. É que vivemos num mundo em que 250 milhões de raparigas não podem ainda ir livremente à escola.  

Malala combate uma das sociedades mais obscurantistas, controlada pelo poder imenso e radical dos talibãs (grupo radical islâmico). Malala, ao defender esse direito a educação das raparigas, contra os talibãs, ameaçada, baleada, é um exemplo de como os jovens se devem empenhar na luta por um mundo melhor, porque mesmo sendo jovem e mesmo nas piores circunstâncias, é possível fazer a diferença. 

Estes exemplos ajudam-nos a perceber o mundo em que vivemos e o quanto é possível sermos interventivos na mudança para uma sociedade melhor. A energia, a coragem dos jovens e a sua capacidade de intervenção é indispensável e decisiva, para que o mundo se transforme e avance. E a Europa nunca precisou tanto dos seus jovens para, com eles, construir um futuro de esperança para todos.

 

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