Criação de uma casa etnográfica no Corvo não se coaduna com o projeto do Ecomuseu, afirma Avelino Meneses

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O Secretário Regional da Educação e Cultura afirmou hoje, em Angra do Heroísmo, que é preciso dar “um pouco de tempo ao tempo” sobre a indispensabilidade ou não da criação de uma casa etnográfica no âmbito do Ecomuseu da Ilha do Corvo.

Avelino Meneses salientou que, face ao trabalho realizado em 2012 pela Direção Regional da Cultura e, mais recentemente, pelo deputado Paulo Estevão, “não se justifica” a construção de um casa etnográfica, “pouco condizente com a filosofia da criação de um ecomuseu”, projeto que se encontra em curso.

O titular da pasta da Cultura, que falava à margem de uma audição na Comissão de Assuntos Sociais da Assembleia Legislativa, que apreciou um projeto de resolução da autoria do deputado do PPM sobre aquela matéria, adiantou, no entanto, que, no futuro, na sequência da evolução do projeto museográfico corvino, “indagaremos melhor, com mais dados, sobre a pertinência ou não da abertura de uma casa etnográfica clássica”.

Neste contexto, será tido em conta o facto do Corvo “não ter herdado do passado qualquer coleção de bens móveis musealizados e também o facto de no Corvo, como em toda a parte, ser um imperativo civilizacional a preservação do património, seja ele cultural ou natural”, acrescentou.

Por outro lado, o Secretário Regional da Educação e Cultura manifestou reservas sobre a criação de um núcleo museológico na Praia da Vitória, na ilha Terceira, conforme proposta do PSD também apreciada pela Comissão de Assuntos Sociais.

Para Avelino Meneses, no concelho da Praia da Vitória são várias as instalações museológicas que “registam importantes memórias do passado, sendo elas de caráter mais individual ou mais coletivo”, nomeadamente a Casa de Vitorino Nemésio e a Casa das Tias, que rememoram o poeta, o Museu do Carnaval, nas Lajes, o Núcleo Museológico da Base Aérea n.º 4, e ainda o Museu do Vinho, nos Biscoitos.

Avelino Meneses referiu ainda que, na Praia da Vitória, o Forte de Santa Catarina, propriedade da Região e com protocolo de gestão com a Liga dos Combatentes, é já um núcleo museológico do Museu de Angra do Heroísmo, podendo, no entanto, a sua atividade ser “sempre melhorada através da realização de mais iniciativas”.

“Em tempos idos, do ponto de vista político-administrativo, quando Angra do Heroísmo era cidade e a Praia da Vitória era vila, justificava-se mais que o Museu de Angra do Heroísmo tivesse uma extensão na Praia da Vitória. Agora, com os dois povoados em pé de igualdade, não me parece de todo justificável, porque não há qualquer relação de dependência”, frisou Avelino Meneses.

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