Crime de violência doméstica é o mais registado no Faial

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 A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) nasceu a 25 de junho de 1990 com o objetivo de apoiar as vítimas de crime, suas famílias e amigos, prestando-lhes serviços de qualidade, gratuitos e confidenciais  contribuindo para o aperfeiçoamento das políticas públicas, sociais e privadas, centradas no estatuto da vítima

 

A APAV – Associação de solidariedade social sem fins lucrativos presta voluntariado social com presença nacional e está integrada nas redes internacionais de cooperação à escala europeia e global. A APAV apresenta-se como independente e autónoma dos poderes políticos e de outras instituições. Rege-se pelo princípio da igualdade de oportunidades e de tratamento às vítimas, pela não discriminação em função do género, raça ou etnia, religião, orientação sexual, idade, condição sócio económica, nível de escolaridade, ideologia ou outros.Promove a justiça e práticas restaurativas na resolução de conflitos, presta serviços gratuitos, confidenciais e de qualidade a todas as vítimas de crime e centra-se na vítima como utente, respeitando as suas opiniões e decisões. Ao longo destes anos a APAV tem sido uma voz ativa na defesa e promoção dos direitos, das necessidades e interesses específicos das vítimas, um centro de conhecimento, investigação e qualificação nas temáticas das vítimas de crime e de violência.

Em 2013 a APAV acompanhou, nos Açores, cerca de 750 casos, na sua maioria de violência em contexto familiar. No entanto, a tendência para outros tipos de crime tem sido crescente, nomeadamente nos crimes patrimoniais, nos furtos e burlas.

A APAV tem 14 gabinetes de Apoio à Vítima a nível nacional e um na Região Autónoma dos Açores sedeado na ilha de São Miguel.

Sílvia Branco, gestora do Gabinete de Apoio à Vitima de Ponta Delgada, esclareceu ao Tribuna das Ilhas que “embora não exista nenhum Gabinete de Apoio à Vítima na ilha do Faial é possível realizar atendimento telefónico às vítimas residentes na ilha”.

“A parceria entre os recursos sociais que existem na ilha do Faial revelam-se fundamentais, uma vez que havendo necessidade de prestar apoio psicológico às vítimas, o mesmo não pode ser realizado através de contato telefónico. Quando esta necessidade é diagnosticada os técnicos da APAV estabelecem contato com as entidades que apoiam vítimas na ilha do Faial e é realizado o encaminhamento” explicou Sílvia Branco.

No ano passado, a APAV, apoiou cinco processos de residentes na ilha do Faial. O crime de violência doméstica é o que mais prevalece nos pedidos de apoio junto do Gabinete.

Visto serem poucos os casos registados, Sílvia revela que não pode afirmar que houve aumento nas denúncias. Todavia, a um nível geral, o trabalho registado no Gabinete de Apoio à Vítima de Ponta Delgada, revela que existe aumento das denúncias. “Pelo facto de existir um maior investimento no âmbito da sensibilização da população permitindo aos cidadãos uma maior consciencialização dos seus direitos” disse a gestora ao nosso semanário.

 Sílvia Branco, salientou que têm sido várias as ações de sensibilização feitas nos Açores pela APAV. “No mês de novembro do ano transato realizou-se, junto da comunidade escolar, ações de sensibilização alusivas aos temas Bullying  e Violência no Namoro”, a responsável acrescentou ainda que “as ações de sensibilização têm como objetivo primário informar e consciencializar os cidadãos sobre os seus direitos e as formas de os exercer promovendo, desta forma, a alteração de atitudes” referiu.

 No sentido de prevenir e apoiar as vitimas, Sílvia Branco reforça que “as ações de sensibilização revelam ser uma forma de transmitir informação aos cidadãos acerca dos seus direitos, bem como de sinais que evidenciem a existência de crime”.

Com estas ações de sensibilização a APAV pretende que a população reconheça as representações sociais da vitimação, bem como os procedimentos de prevenção para os crimes: de violência doméstica, violência sexual, violência no namoro, violência contra pessoas idosas, Bullying, Stalking e crimes patrimoniais.

A gestora do Gabinete de Apoio à Vitima de Ponta Delgada, salientou ainda que “a nível dos apoios prestados na APAV, para além do apoio emocional, é prestado apoio jurídico, social e psicológico de acordo com as necessidades manifestadas por cada vítima”.

 

Bullying – conhecer para prevenir

Tendo em conta que no mês de outubro se assinala o Dia Mundial do Combate ao Bulling, Tribuna das Ilhas regista alguns aspetos a ter em consideração relativamente a este assunto.

O que é o Bullying?

O bullying é uma forma de violência que acontece de forma contínua em qualquer contexto no qual seres humanos interajam, tais como escolas, universidades, famílias, entre vizinhos e em locais de trabalho. Os comportamentos agressivos são propositados e têm o objetivo de assustar, magoar, humilhar e intimidar a vítima. As agressões podem ser cometidas contra uma ou contra várias vítimas.

Que tipos de Bullying existem?

Intimidação física: inclui qualquer contato físico que possa magoar ou prejudicar uma pessoa como bater, dar pontapés, empurrar, etc. Tirar algo que pertence a outra pessoa e destruir esse mesmo objeto também é considerado um tipo de agressão física.

Intimidação verbal:  é gozar, fazer comentários ofensivos, piadas sobre a religião, género, etnia, estatuto social. 46,5% do total de bullying nas escolas é do tipo verbal. Fazer ameaças verbais de violência ou agressão contra a propriedade pessoal de alguém também é considerado uma forma de intimidação verbal.

Bullying indireto: é quando alguém espalha rumores ou histórias sobre alguém. Por exemplo seria, falar mal de uma outra pessoa por ela ser mais gorda que as outras. O bullying indireto é responsável por 18,5% do total de bullying.

Cyberbullying: é quando enviam mensagens, imagens ou informações através de meios eletrónicos, como por exemplo os computadores ou telemóveis. De acordo com um estudo feito em 2003, apenas 4% de bullying é considerado como “outros tipos”, e isso inclui o cyberbullying. Embora este número pareça pequeno, o crescimento deste tipo de bullying está a ser rápido devido à difusão da tecnologia no mundo.

Bullying emocional: é a forma de bullying mais comum entre meninas. Bullying emocional é quando se exclui alguém de um grupo e se ridiculariza essa pessoa. Todos os comentários ou ações que magoam a pessoa são considerados bullying emocional. Este tipo de bullying é tão sério como qualquer outro, porque as vítimas tornam-se muito vulneráveis emocionalmente.

Bullying Sexual: ocorre mais frequentemente em  crianças mais velhas e inclui comentários sexuais desagradáveis. Esta prática de bullying é muito séria e pode ser considerada assédio sexual. As crianças que cometem este tipo de bullying podem enfrentar consequências sérias.

Quando é que o Bullying começa?

O bullying é um comportamento que geralmente se inicia no ensino básico. Pode, no entanto, continuar durante o ensino secundário e a idade adulta. Se ninguém tomar qualquer atitude em relação à situação, alguém que é agressivo/a quando é jovem manterá esse comportamento nos seus relacionamentos futuros quer sejam de amizade, de trabalho ou de intimidade.

Como se sente uma vitima de Bullying?

Uma vitima de bullying pode sentir vergonha de contar o que se está a passar, e tem medo do que possa acontecer se contar, podendo vir a sofrer retaliações, perseguições ou ainda mais agressões, caso os colegas que a têm agredido descubram, pode pensar que ninguém acreditará no que está a dizer, pensar que os amigos se vão afastar, em vez de apoiar e pode achar que ninguém vai ser capaz de ajudar a ultrapassar a situação.

As vítimas de bullying sentem-se frequentemente tristes, sozinhas, ansiosas, com medo, inseguras, desconfiadas, rejeitadas e humilhadas, o que em situações extremas pode levar ao Bulicídio.

O que é o Bullycídio?

Bullycídio é uma palavra atribuída à morte de a uma pessoa (ou por suicídio ou por assassínio) devido ao bullying ou cyberbullying.

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