Crónicas da Nossa Terra – Descrição das ilhas dos Açores

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Faial,  acha-se  esta   ilha situada  a  três  milhas  do Pico: tem 9 léguas de comprimento e 4 de largura. É cortada de mui altas montanhas; seus campos são férteis e revestidos de belos pomares de laranjas e limão. Encontram-se ali poucos animais silvestres; mas criam-se bem os animais domésticos da Europa. Esta ilha não tem rio algum, mas sim grandes torrentes que se despenham dos montes para o mar.

Na extremidade do Faial, em frente do Pico, há uma excelente baía, no centro da qual se acha situada a cidade. A pouca distância há um pequeno porto denominado Porto Pim, onde entram navios de menor lote. A cidade da Horta, capital da ilha, e hoje do distrito administrativo, é bem edificada e tem de comprimento uma milha. É bem povoada. Várias nações Europeias tem ali os seus cônsules ou vice-cônsules e os Estados Unidos da América tem um cônsul geral para todos os Açores.

Durante a guerra de 1793 até 1801 os Ingleses fizeram no Faial grandes especulações mercantis. Uma casa opulenta de Londres tinha ali um comissário, que comprava anualmente 5 mil pipas de vinho e as enviava ás Antilhas e sobretudo à Martinica.

O Faial produz grande quantidade de excelentes laranjas, que apenas cedem às da Malta. O vinho que se recolhe nesta ilha vende-se bem nas Antilhas, na América do Norte, em Hamburgo e em S. Petersburgo. A Malvasia é um dos vinhos mais preciosos.

Em uma igreja situada na costa setentrional do Faial celebra-se todos os anos uma festividade soleníssima em memória de uma erupção extraordinária do vulcão. Conservam ali uma imagem do Salvador, que dizem ter sido achada nas praias do mar tendo um braço de menos, asseguram aqueles habitantes que intentando-se por muitas vezes unir-lhe outro braço, a imagem se opusera sempre com repetidos movimentos; mas que finalmente uma mulher piedosa descobriu junto ao mar um fragmento, que lhe pareceu ser o verdadeiro braço e aplicando-o à imagem, ficara unido sem dificuldade. Tal é a crença geral!”

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in “Archivo Popular”,  nº 17 22-7-1837

 

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