É um enorme privilégio viver numa Região em que as prioridades não passam pelos combates à fome, ao terrorismo, ao banditismo ou às epidemias. Felizmente, estamos longe desses flagelos avassaladores e podemos concentrar-nos noutros problemas. Como seres humanos que somos, esses problemas secundários parecem-nos esmagadores. Não são.
Entre esses problemas secundários encontra-se a flora invasora. Ou seja, as espécies de plantas que não pertencem ao nosso património natural e que se propagam pelas nossas paisagens. Por razões diferentes, a conteira, o incenso, a hortênsia e a criptoméria, apenas para referir algumas, dominam a paisagem. O número de espécies de flora introduzidas desde o início do povoamento humano dos Açores é mesmo muito superior ao número das que aqui existiam anteriormente. Se formos puristas, como eu sou, não nos sentimos confortáveis com esta proliferação de alienígenas.
Por diversas razões, havia no momento do povoamento um grande laxismo ecológico. Ou seja, no nosso território existiam poucas espécies. Segundo estimativas, eram cerca de 400 espécies de flora e a essas damos-lhes o nome de “naturais nos Açores”. Dentro desse grupo, há um conjunto muitíssimo valioso que se denomina “flora endémica dos Açores”.
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