Dia Internacional da Igualdade Feminina

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O Dia Internacional da Igualdade Feminina celebrou-se a 26 de Agosto e pretende marcar o advento da mulher cívica. A data devia servir não apenas para comemorar os avanços e celebrar a igualdade, mas também para refletir e lutar contra a desigualdade de gênero, que ainda existe. Há poucas décadas, as mulheres não tinham direito ao voto, nem acesso à educação formal e o mercado de trabalho era hermético, à nossa presença. O lugar da mulher, na sociedade, era visto exclusivamente pelo viés do casamento e da maternidade. A casa era o único espaço considerado legítimo para quem nascesse do sexo feminino. Nos últimos tempos, temos experimentado o acesso progressivo à educação, ao mundo do trabalho e ao exercício político pleno, particularmente, nos países ocidentais. Essa situação é fruto de uma incansável luta pela igualdade entre os sexos, que está longe de terminar.
Esta data celebra momentos marcantes, para as mulheres, como a inserção feminina nas condições de igualdade, de direitos e deveres, na vida política e civil, na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789, em França. E a conquista, em 1920, depois de 81 anos de luta, do direito a voto, pelas mulheres dos Estados Unidos. Esta conquista tornou-se possível pelo movimento sufragista, composto por mulheres de diversas classes sociais, que chegaram a recorrer à desobediência civil para garantir o direito de votar. Isto parece distante, mas este direito, em Portugal, só foi garantido por lei em 1931 (o voto feminino foi introduzido, mas com algumas restrições – apenas as mulheres com cursos secundários ou superiores é que podiam votar. Aos homens bastava saberem ler e escrever), o voto universal só foi consagrado após a revolução de 25 abril de 1974; na Arábia Saudita, apenas, recentemente, em 2015.
Nesta data lembramos as conquistas das mulheres na sociedade, ao longo da história, na luta por condições de igualdade entre géneros. O dia foi criado para celebrar a igualdade de géneros e no intuito de se refletir e agir no combate à desigualdade, para se obter a plena igualdade entre homens e mulheres. As mulheres alcançaram muitas vitórias, ao longo das últimas décadas, como o direito ao voto, a entrada no mercado de trabalho, no ensino, e na vida política, entre outros, mas ainda existem muitas situações a melhorar, como a igualdade salarial e o fim da violência, perpetrada contra a mulher.
Nos vários Estados-membros, a porção de mulheres (73%) altamente qualificadas é superior à de homens (66%). Só 17% dos oito milhões de trabalhadores de tecnologias da informação que existem na União Europeia são do sexo feminino. Portugal mantém-se abaixo da média europeia, mas está a aumentar. No nosso país, em 2017, a percentagem de mulheres, nos conselhos de administração das 46 empresas cotadas em bolsa, era de 12,41%. No que diz respeito à área da tecnologia, Portugal está abaixo da média europeia, no entanto, a percentagem passou de 11,9%, em 2012, para 16,1%, em 2016.
O Fórum Económico Mundial previu, em 2017, que apenas no ano 2234 iremos atingir a igualdade de género ao nível global. Isto significa que faltam 216 anos para que, mulheres e homens, tenham os mesmos direitos, em termos económicos. Em 2234, homens e mulheres estão em pé de igualdade ao nível da educação, saúde, oportunidades económicas e participação política. O género feminino tem os mesmos direitos que o masculino. A luta chega ao fim.
O caminho que imagino será feito em esforço, com protestos crescentes; violência gratuita por parte dos opositores, à falta de argumentos; múltiplos escândalos que vão abalar as estruturas dos poderes instituídos; debates a nível internacional; alterações concertadas, às leis de cada país, quando a autorregulação não funcionar; e remodelações fundamentais no formato tradicional da educação escolar (esta deve incluir cidadania, sexualidade e gestão de emoções, como disciplinas obrigatórias). Os braços não ficarão cruzados e a vontade de mudar já está enraizada.

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