Semana do Mar 2018

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Finda que está a Semana do Mar 2018, e sem que ainda estivessem bem descansados os que alguma coisa fizeram pela festa, eis que se apressaram outros para fazer o balanço da festa, assumindo o que todos que gostam da festa assumem, que a mesma seja cada vez maior e melhor.
Mas tornar a festa maior e melhor não é só aparecer na TV a fazer declarações, fazendo de conta que se apresentam propostas, que, claramente, denotam desconhecimento e falta de circulação pela mesma. Para que a festa seja maior e melhor, é preciso, de facto, fazer alguma coisa mais que isso. Fazer mais pela Semana do Mar devia também ter sido dar-se ao trabalho de atualizar o que foram as iniciativas desenvolvidas por um grupo de cidadãos, que conseguiram reunir, em 3 eventos, cerca de 100 participantes, que quiseram, e bem, dar a sua opinião sobre a Semana do Mar, num movimento intitulado “Novamente Semana do Mar” e assumir a evolução que a festa teve, ao longo dos últimos 4 anos, com recurso a algumas das propostas do movimento, é certo, mas com tantas outras dos membros das comissões e grupos de trabalho sectoriais, criados ao longo dos últimos anos.
Antes de qualquer considerando mais ou menos interessante, assumo, desde já, que o modelo da Semana do Mar não foi, não é, e nunca poderá ser um modelo fechado. Deverá e está sempre sujeito à avaliação e à introdução das respetivas ações de melhoria.
Mas analisemos o documento que exigia mais e melhor semana do mar, com as 7 propostas apresentadas:
1 – Modelo de organização – Comissão Organizadora presidida por um cidadão convidado. Com esta proposta defende o PSD “que traria potencialmente mais inovação e dinamismo à organização”. Ora a questão que, desde logo, me assola é a seguinte: é preferível ter como presidente da comissão um cidadão convidado, ou ter mais de vinte entidades públicas e mais de uma dezena de cidadãos convidados a dar o seu contributo, a partilhar as suas ideias, a dar as suas opiniões e a participar nas decisões?
2 – Organização do espaço – Alteração do palco principal para a Mariana e feira gastronómica, revitalizada e obrigatoriamente com mais peixe, e as tasquinhas devem distribuir-se onde estas atualmente funcionam e a Rua Conselheiro Miguel da Silveira. Ou seja, mudar o Palco para a Marina, situação que está há anos definida, com a intervenção na Praça do Mar, obra da Nova Frente Mar na Horta, que faz parte de uma das próximas unidade de execução. Agora passar a feira gastronómica para a Marina? E alguém pensou antes de fazer esta proposta, como se faz o saneamento que este tipo de infraestrutura necessita, ou pura e simplesmente enviam-se as águas sujas dos esgotos, máquinas de lavar e demais eletrodomésticos, para a calçada? Andaríamos nós a comer nos restaurantes e a atirar as panas da loiça lavada para os iatistas? A proposta da alteração das tascas, tal como está descrita, é feita, foi assim que funcionou em 2018, as tascas onde estão, e as barraquinhas na Rua Conselheiro Miguel da Silveira, uma boa proposta… Além das três propostas (uma prevista na Frente Mar, uma inexequível e outra que afinal já está feita) foi ainda referido o caso do “caos” do Largo do Infante. Quando li só me fazia lembrar uma caso de polícia, daqueles que tem um enredo enorme e, afinal, não é nada. O “caos” do Largo do Infante? O mesmo Largo do Infante que, este ano, teve apenas quatro barraquinhas (duas da AFAMA, uma da Paróquia da Feteira, e uma da empresária Joana Cardoso que, de forma imaginativa, apresentou os seus produtos de qualidade, associados à sua Roulotte? O mesmo Largo do Infante que ao longo dos anos tem recebido um estrado com cadeiras para que de forma confortável se desfrute da qualidade das nossas filarmónicas?
3 – Festival Náutico – Maior divulgação em terra do que se passa no mar e até a entrega, em cerimónias curtas, dos principais prémios das provas náuticas, nos diversos palcos da festa. Não terão tido conhecimento da transmissão em direto da partida da Regata de Sables, ou a transmissão no painel, nos momentos que antecederam a atuação dos artistas no palco principal, dos momentos mais importantes do dia e que muitos faialenses, por trabalharem, não têm oportunidade de acompanhar, ao vivo, durante a tarde, mas que se juntam para ver, ao final do dia. Quanto à entrega de prémios, não me parece descabido, embora dependa de dois factores, primeiro a vontade do Clube Naval, e segundo a aceitação por parte dos participantes que fazem dos dias das entregas de prémios uma festa, onde extravasam as energias e a adrenalina das competições onde estão envolvidos.
4 – Expomar. Realização anual da “Feira Internacional do Mar dos Açores” e a “Feira Gastronómica de peixes e mariscos”. Quer uma, quer outra proposta parecem-me interessantes, desde logo porque a organização de qualquer evento que envolva empresas do sector do mar, em Agosto, implica a deslocalização dos locais, onde prestam, habitualmente, serviços, ou acontece, durante o período de férias de muitas das empresas, que ainda encerram, em Agosto, em Portugal. Por outro lado, a organização de eventos gastronómicos com peixe e marisco, durante os meses de verão, tem as dificuldades de deslocalização desses mesmos estabelecimentos, que, se situando à beira mar, estão no seu pico de funcionamento, estando apenas disponíveis restaurantes que se dedicam a este tipo de feiras. No entanto, estas duas ideias retiram eventos da Semana do Mar, não acrescentam nada de maior e melhor à festa.
5 – Reforçar a internacionalização da Semana do Mar. Dedicar cada edição da semana do mar um dia a um pais, associando esse dia aos iatistas. Uma proposta atabalhoada, onde, nesse dia, se deveria promover a cultura e gastronomia desse país, naquilo que me parece um misto entre o desfile realizado, há dois anos talvez, com o tema “Horta no Centro do Mundo” e as várias nações associadas aos cabos submarinos e Iatistas, contando também com o multiculturalismo do Festival Maravilha que já se realiza na ilha, uma boa ideia, tardia, mas boa.
6 – Dignificação da Festa. Criação de novas estruturas designadamente para o funcionamento das “barraquinhas”, que lhes garantam mais higiene e funcionalidade. Esqueceu-se, ou não notou sequer o PSD que, há dois anos, foram construídas novas barraquinhas, resultantes de um concurso de ideias lançado, onde apenas dois técnicos apresentaram propostas, tendo sido elaboradas seis estruturas que, ao longo dos últimos anos, têm sido utilizadas no Largo do Infante e na Rua Conselheiro Miguel da Silveira. Desconhece ou finge desconhecer o PSD que as estruturas adquiridas para albergar os lojistas do Mercado Municipal serão utilizadas, no futuro, na Semana do Mar.
7 – Mais transparência – No último orçamento da Câmara, já se deram alguns passos para reforçar essa transparência, mas é preciso ir mais longe. Afinal está o processo mais transparente ou não? Em nenhum momento das contas do Município, auditadas por entidades responsáveis, foram reconhecidas faltas de transparência, tendo já sido explicado, por diversas vezes, que as contas de uma autarquia não podem ter o que se quer, mas sim o que a lei determina, não sendo possível agrupar contas e despesas como de uma fusão se tratasse, sendo necessário saber-se ler os documentos e dos mesmos retirar as necessárias informações, mas todas as despesas, como sempre, serão espelhadas na próxima conta de gerência a aprovar em abril do próximo ano.
Foram estas as proposta do PSD que, depois de bem analisadas e se associando aos pontos positivos descritos, nomeadamente o Festival Náutico e a Campanha de abolição de copos de plástico de utilização única, inédita na região, envolvendo todos os cerca de trinta concessionários que participaram no evento, podemos perceber que, afinal, o documento era, de facto, um grande elogio ao esforço, dedicação e empenho que todos quantos na organização do evento participaram, desde os concessionários, aos funcionários municipais e colaboradores dos diversos grupos de trabalho que, voluntariamente, se envolveram na organização de mais um grande evento.
O que pareceu querer fazer-se passar foi a intransigência e teimosia da câmara em não fazer a mudança do palco para onde está previsto passar dentro de alguns anos, associado às infraestruturas necessárias com as obras da Nova Frente Mar na Horta, e ao facto de se ter um cidadão a presidir a comissão, proposta e compromisso que nunca foi assumido pelo atual executivo, pelo que, neste caso, a Montanha não pariu um rato, pariu um grilo. 

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