Dia Internacional da Mulher – Investigadoras do MARE Ana Colaço e Mónica Silva homenageadas pela Ciência Viva

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As investigadoras MARE-UAzores, Ana Colaço e Mónica Silva, fazem parte das 103 mulheres cientistas portuguesas que foram homenageadas pela Ciência Viva.

No ano em que celebra 20 anos de atividade a Ciência Viva decidiu prestar homenagem às mulheres cientistas portuguesas, com o lançamento do livro “Mulheres na Ciência”, que reúne mais de uma centena de retratos e testemunhos de investigadoras nacionais.

 
A Ciência Viva, no âmbito do programa do Dia da Mulher, lançou no passado dia 8 de março, o livro “Mulheres na Ciência”, com vista a homenagear as mulheres cientistas portuguesas, que hoje representam cerca de 45% do total de investigadores em Portugal. 
Neste livro encontram-se fotografias de 103 investigadoras de variadas áreas, tiradas pelos fotógrafos António Pedro Ferreira, Clara Azevedo, Daniel Rocha, José Carlos Nascimento e Luísa Ferreira, que integram ainda, em versão digital, uma exposição permanente patente no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, que coloca e foco o trabalho destas mulheres que têm contribuído para o desenvolvimento da ciência no país.
Ana Colaço e Mónica Almeida e Silva, são as duas investigadoras do MARE  da Universidade dos Açores, a trabalhar na ilha do Faial que integram esta homenagem da Ciência Viva.
Diz o provérbio que “de cientistas e loucos todos temos um pouco” e é mesmo a “loucura pela ciência e investigação” que estas mulheres têm em comum. Tribuna das Ilhas, falou com as investigadoras sobre a importância que esta homenagem teve na sua vida e na sua carreira.
Ana Colaço bióloga, formou-se na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, em 1994 e completou o doutoramento em 2001 em Ecologia e Biosistemas. A sua paixão é o mar profundo e o seu objetivo é entender o funcionamento do ambiente de águas profundas, com especial ênfase nos habitats das fontes hidrotermais. 
Desde que iniciou o seu trabalho enquanto cientista, ainda nos tempos da faculdade, as “relações tróficas existentes no mar profundo” sempre foram o centro das suas atenções, recorda. “Na tese de doutoramento especializei-me em ambientes como as fontes hidrotermais. No entanto, a curiosidade levou-me a tentar compreender como é que os diferentes ecossistemas se ligam do ponto de vista trófico”. Para tal, prossegue, a investigadora “tenho vindo a usar marcadores biogeoquímicos para perceber essas ligações”. 
O seu “o grande objetivo é compreender este grande bioma que é o mar profundo, como os diferentes ambientes se interrelacionam, de forma a que se possa preservar estes ambientes, e que a sua utilização seja feita de uma forma sustentável, sem prejuízo para o meio ambiente”, salienta.
Ana, não sabe bem como a ciência entrou na sua vida, o que é certo é que “se foi entranhando”, admite. Ana revela que “conforme o conhecimento foi sendo adquirido na vida e no percurso académico, a curiosidade sobre assuntos ainda mal estudados, o bichinho do porquê, como e quando foi mais forte do que eu e fui tentar perceber mais sobre o mar profundo, quem comia o quê, e o que vivia nas profundezas”, reforça.
A investigadora revela que os programas do famoso Jaques Costeau também tiveram “influência” neste seu gosto pela ciência. “Olhar para aqueles seres fantásticos que viviam dentro do mar, como se comportavam, que estratégias de sobrevivência tinham, como se relacionavam, era simplesmente maravilhoso”, afirma.
Na faculdade, a influência que recebeu do “Professor Luís Saldanha, grande biológo marinho e pioneiro no mar profundo em Portugal”, despertou ainda mais a sua curiosidade pelo mar profundo. “Até as ‘moscas’ se calavam pois era de tal forma inspirador escutá-lo, ouvi-lo falar das expedições e das descobertas”, recorda.
“Lembro-me de irmos em trabalho de campo para a Reserva Natural da Berlenga, onde mergulhávamos e trazíamos os animais para estudar, aprendíamos a planear trabalho, o método científico, e como estruturar a curiosidade em perguntas que pretendemos responder”, prossegue Ana Colaço, salientando que “a curiosidade é uma caraterística que nasce connosco, e tive o privilégio de poder continuar a explorar essa curiosidade de forma mais estruturada”, salienta com orgulho.
Já Mónica é aficionada pelas baleias e pelos Golfinhos. Terminou a sua licenciatura em Biologia na Universidade de Lisboa em 1996 e recebeu o Doutoramento pela Universidade de St. Andrews (Escócia) em 2007. Desde a graduação até à inscrição no programa de doutoramento desenvolveu investigação em biologia e ecologia de mamíferos marinhos e no desenho de Áreas Marinhas Protegidas no Instituto de Conservação da Natureza. Atualmente é Investigadora Auxiliar (Programa Investigador FCT) no IMAR e Investigadora convidada no WHOI.

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