Diretor Regional da Cultura participa no I Congresso de Arqueologia Subaquática da Macaronésia

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Estão previstas a implantação dos centros interpretativos do património cultural
subaquático dos Açores e a fase final do Roteiro Arqueológico Subaquático da Macaronésia.

Terminou o “1.º Congresso de Arqueologia Subaquática da Macaronésia”, no âmbito do
projeto comunitário INTERREG/MAC 2014-2020, denominado “Margullar”, que envolve os
Açores, a Madeira, as Canárias, Cabo Verde e o Senegal, que juntou mais de cinco dezenas de especialistas na área, das diversas regiões e nações envolvidas, para lá de especialistas de Portugal, Espanha, França e Itália.

No evento, a participação dos Açores foi assegurada oficialmente pelos parceiros regionais do projeto, designadamente a Direção Regional da Cultura, através do seu diretor, Ricardo
Tavares, que apresentou duas comunicações, e a Agência para o Desenvolvimento da Cultura nos Açores, coadjuvados por investigadores na área da arqueologia subaquática e na de conservação e restauro, nomeadamente Carina Maurício, José António Bettencourt, José Luís Neto e Pedro Parreira, pelo que a participação açoriana foi intensa e frutífera. Os parceiros fazem um balanço muito positivo desta participação.

Manifestou-se um interesse evidente dos outros congressistas e conferencistas nos casos
apresentados pelos Açores, que é a mais progressista das regiões envolvidas no projeto; mas também dos representantes dos países europeus presentes, até pelo facto de a região
apresentar um conjunto de reconhecimentos internacionais sem par na Europa, como o caso do “Best Practices” da Unesco e do “European Heritage Label” da Comissão Europeia,
outorgados em 2019 e 2020 respetivamente, o que a torna numa referência à escala da
Europa.

Dos Açores foram apresentados vários casos de estudo de naufrágios escavados na região (de navios dos séculos XVI ao XIX); boas práticas de custos controlados em conservação e restauro de bens de proveniência subaquática, nomeadamente uma figura de proa descoberta no Faial; a nova e primeira reserva visitável subaquática oficial do ilhéu do Rosto do Cão, recentemente aberta ao usufruto público na ilha de São Miguel; a problematização da musealização de naufrágios e do “modelo açoriano”, convertido em “modelo macaronésio” nos últimos anos; para lá de um balanço das numerosas ações desenvolvidas na região no âmbito do dito projeto.

Coube à Agência para o Desenvolvimento da Cultura nos Açores, no âmbito da mais estreita cooperação dos Açores com Cabo Verde, promover o lançamento da obra “Memória em pedra: A Cidade Velha das ilhas de Cabo Verde: a primeira urbanização crioula”, de Konstantin Richter e Rui Carita.

Foi ainda explicitado que, depois de no “Margullar” se terem criado as condições de visitação pública de quase quarenta sítios subaquáticos e se terem descoberto, por meio da
investigação científica possibilitada pelo projeto, quase outros tantos naufrágios perdidos nos mares dos Açores, atualmente, para a Região, no âmbito do projeto “Margullar 2”, que ora se vai dar início, o foco principal será na acessibilidade aos não-mergulhadores, através da abertura ao público de uma rede de centros interpretativos distribuídos por todo o
arquipélago, que possibilitem visitação universal.

Recorde-se que o projeto tem por objetivo a conservação, a proteção, a promoção e a
utilização do património arqueológico subaquático das ilhas da Macaronésia através da criação de um novo produto turístico, associados no binómio património – turismo cultural.

A finalização do Roteiro Arqueológico Subaquático da Macaronésia, que permitirá a qualquer mergulhador ter acesso à informação do mar cultural de todos os arquipélagos da
Macaronésia, trata-se de um objetivo que permitirá uma maior projeção internacional dos
sítios arqueológicos subaquáticos dos Açores.

Fonte: Direção Regional da Cultura