Duas décadas a defender a comunidade faialense

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DR/ALRAA
DR/ALRAA

LUÍS CARLOS CORREIA GARCIA
Presidente da Assembleia Legislativa
da Região Autónoma dos Açores

A celebração das duas décadas de vida que esta semana cumpriu o Tribuna das Ilhas tornou-se uma excelente oportunidade para revisitar a nossa vida coletiva neste período. Ao olhar para a história deste jornal revejo a nossa própria epopeia em busca das melhores soluções para o futuro do Faial e dos Açores.

Ao longo destes 20 anos, foram debatidas nas suas páginas as problemáticas que mais ocuparam as atenções da nossa comunidade, como, por exemplo, o fecho da Escola da Volta, o impacto do Parque Eólico na vida dos habitantes vizinhos, as obras do Porto da Horta, a extensão da pista do Aeroporto, e tantas outras dificuldades e alegrias das nossas instituições.

Julgo que estes exemplos, entre outros, tantas vezes noticiados e debatidos neste jornal, são, por si só, prova da importância do contributo que a imprensa local pode e deve ter na nossa sociedade.

Neste mundo cada vez mais global, em que a informação – boa e má – circula a uma velocidade estonteante, os jornais locais têm de descobrir estratégias para fidelizarem e conquistarem novos leitores, mas a principal tem de continuar a ser aquela que sempre foi a sua essência: noticiar os acontecimentos fundamentais para as suas comunidades, que na maior parte das vezes não chegam aos órgãos regionais ou nacionais.

Essa deve ser, na minha perspetiva, a sua mais nobre missão: divulgar, informar e ajudar a registar os acontecimentos e as vivências locais. Esta simbiose entre os jornais locais e respetivas comunidades é a essência do jornalismo, e a única receita certa para o futuro.

Num tempo em que o perigo da desinformação é constante, torna-se ainda mais fundamental ter uma imprensa forte e credível, tal como uma opinião fundamentada, consolidada e esclarecida.

A credibilidade é, a meu ver, um dos principais desafios que enfrenta hoje um órgão de comunicação social. Ser capaz de informar com rigor, profissionalismo e isenção é um enorme desafio. Mas se não há democracia sem liberdade de escolha, também não há liberdade de escolha sem informação livre e esclarecida.

A comunicação social livre, imparcial e credível constitui um pilar de qualquer regime democrático. Por isso, assegurar e reforçar este pilar é um desígnio de todos nós, cidadãos, instituições e organismos públicos, seja assinando jornais ou financiando publicidade nas suas páginas, fórmulas simples e eficazes, que nunca comprometem a liberdade de imprensa dos seus jornalistas.

Da verdadeira liberdade e independência financeira depende também a capacidade dos jornalistas levantarem questões sem medo, ajudando a encontrar os melhores caminhos para a vida da sua comunidade.

A imprensa regional e local tem também um papel insubstituível na promoção, pedagogia e defesa da Autonomia Regional e da nossa realização democrática. Não é por acaso que a Comunicação Social tem sido considerada um pilar da nossa Autonomia aos longos dos seus 45 anos, e no futuro não pode, nem deve, ser diferente.

Contamos com a imprensa local para continuarmos esse caminho de constante e progressivo aprofundamento autonómico. E isso só é possível com uma imprensa forte e interveniente, como tem sido o Tribuna das Ilhas ao longo destas duas décadas de existência.

Nesta ocasião comemorativa, saúdo todos os fundadores deste projeto, bem como aqueles que ajudaram a dar corpo às suas páginas ao longo deste tempo. Felicito ainda a direção deste jornal, fazendo votos de que a sua equipa não esmoreça nessa dura luta de continuar a ser um baluarte da informação isenta e credível para a nossa comunidade.
Muitos parabéns e muitos anos de vida para o Tribuna das Ilhas!

Horta, 22 de abril de 2022