EDITORIAL

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DR/TI
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O Tribuna das Ilhas inicia nesta edição um périplo pelas treze freguesias do Faial, ouvindo, em jeito de balanço do mandato que este ano termina, os seus presidentes de Junta. Até ao mês de julho próximo, quinzenalmente, daremos voz a esses eleitos locais para apresentarem o seu trabalho, os seus projetos e também falarem daquilo que não correu bem.
Os autarcas de freguesia são aqueles a quem, em primeiro lugar, as populações recorrem. Por regra, são pessoas que estão muito perto das suas comunidades, que vivem no seu seio e que sentem, como ninguém, os seus problemas e interpretam talvez da forma mais legítima e profunda as suas aspirações e esperanças.
Muitas vezes incompreendidos, outras tantas olhados com sobranceria, os autarcas de freguesia fazem, frequentemente, milagres com as migalhas que lhes cabem dos dinheiros públicos. Dos muros aos caminhos, da habitação aos estacionamentos, da cultura e do desporto à ação social, em tudo um pouco as juntas de Freguesia são chamadas a intervir, a ajudar, a acudir e a resolver.
Mas se todos os responsáveis políticos não hesitam em louvar o papel e a importância dos autarcas de freguesia, a verdade é que, muitas vezes, isso não passa de palavras de circunstância e de interesse de curto prazo, que rapidamente se esgota e não se concretiza em nada de real. Socorremo-nos de um dos mais paradigmáticos exemplos da dissonância entre as palavras e as ações neste domínio.
Quem mais de perto acompanha a gestão das freguesias rurais no Faial sabe que um dos maiores problemas com que as mesmas se defrontam é o da manutenção e reparação dos caminhos agrícolas que influencia de forma direta a vida e o trabalho dos nossos agricultores no acesso às suas pastagens.
O que se passa na prática é que a manutenção dos caminhos agrícolas e rurais no Faial está, de há anos, transformada num jogo do empurra de competências entre o Governo Regional e o Município, principalmente porque, desde 2008, se aguarda a regulamentação da legislação regional que definiria a situação.
No fim da linha, perante as justas queixas dos seus concidadãos, perante a degradação acelerada das condições dos caminhos agrícolas, são as juntas de freguesia, aquelas que menos meios e menos recursos financeiros possuem, que estão a acudir a uma situação que não é da sua competência e na qual, apesar da colaboração que encontram em outras instituições, acabam por despender parte significativa das suas sempre parcas receitas.
Aprovar, em 2008, um Estatuto das Vias de Comunicação Terrestres na Região Autónoma dos Açores e até 2021 não o regulamentar, deixando acontecer e perpetuar-se situações como as que se descreveram, é bem elucidativo do ponto a que chegámos na distância que separa as palavras e os atos.

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